GUAJARÁ-MIRIM:
HOMENAGEM E NOMES
Neste post não contarei
“causo” algum, o que pode torná-lo desinteressante para
eventuais leitores.
Vou abrir mão, para fins de
homenagem, da proposta de não citar nomes neste blog.
Vou falar da cidade
Guajará-Mirim, a “Pérola do Mamoré”, lugar que está tão
“ajeitado” dentro do meu coração, e de minha esposa, quanto
Maringá, nossa cidade natal.
Saí de Guajará no final de
1985, promovido que fui para a comarca da capital, Porto Velho, mas
não a esqueci.
Minhas visitas, várias vezes
ao ano, à cidade querida, foram uma constante, até meu retorno
definitivo ao Paraná.
Guajará não é tão peculiar
quanto Costa Marques (já comparada, por mim, à Macondo, de
Gabriel García Márquez, mas tem seus vários encantos e tipos
humanos diferentes e maravilhosos.
Ali,
tem pessoas de todos os jeitos, todos enfrentando com bom-humor o
calor sufocante do verão. O rio Mamoré, majestoso, banha o final da
sua avenida principal, a XV de Novembro, onde está o porto e o Museu
da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Perto
de Guajará, subindo uns seis quilômetros pelo rio Mamoré, está o
lindo rio Pacaás Novas, com suas águas límpidas, praias
exuberantes e muito, muito peixe para se pescar. Isso sem falar nos
jacarés, cobras sucuris e jiboias, passando pelos biguás e
capivaras.
Falando
nessa fauna silvestre, tenho que registrar um sujeito chamado Carlos
(Carlinhos) Azzi, que, dada sua interação com os peixes do rio,
parece que tem uma ligação mental com eles.
Onde
Carlinhos joga o anzol estará um peixe, somente esperando para ser
fisgado por ele. Não é egoísta, pois divide sua intelecção com
os peixes, quase mágica, com quem esteja com ele e seja seu amigo.
Também
filhos de Guajará, cito os gêmeos Ido e Ida (um deles já
falecido), também conhecedores fantásticos dos rios da região e
sempre prestativos para com aqueles, como eu, que vão conhecer os
rios Mamoré e Pacaás Novas.
Ido
e Ida eram capazes de, sem muitas ferramentas, reparar um motor de
popa enguiçado, de modo que parecia, para mim, leigo juramentado,
muito fácil.
Como
não falar do generoso e carinhoso Wadih, e sua querida Dina (para
mim, Lua Branca), que
tornaram menos penosa nossa chegada (minha e de minha esposa), recém
catapultados do Sul do País, na bela Guajará.
A
mãe do Wadih, Dona Eva, que chamávamos tia Eva,
nos convidava para almoços fartos, sempre nos apresentando a cozinha
típica da região amazônica e do seu querido Líbano, terra natal
dela.
Como
não falar do espirituoso Pedro, sempre tão cuidadoso em proteger
seu barzinho caseiro, cheio de uísques de boa qualidade, daquele
Promotor entrão? Ainda bem que ele não contava com o auxílio da
sua bela Iracy, que abria as portas de sua casa (e do bar também,
para gáudio meu), para aquele casal de Maringá tão carente por
boas amizades.
Rebusco
na memória, e sei que vou cometer injustos esquecimentos, para
lembrar do “seu” Tanuz, do William e de Rosana (por ser boliviana
pronunciava-se Rossana), além de toda a comunidade descendente de
libaneses, sempre tão amistosa.
Quem
vai a Guajará e não experimenta a picanha de carne de sol feita
pelo Antônio em sua lanchonete não sabe o que perdeu. Eu nunca
perdi, hehe.
Deixei
por último os meus compadres, Valdir e Ida Cordeiro porque qualquer
coisa que eu dissesse a respeito desses dois seria pequeno, tamanha a
grandeza desses dois seres humanos.
Valdir
é esperto, trabalhador, inteligente (não muito, pois é meu amigo)
e sempre disposto a ajudar quem quer que seja. Ida (Idinha, para seus
íntimos) é a típica mãezona, amorosa, carinhosa e sempre disposta
a perdoar as besteiras que dizemos o marido dela e, principalmente,
eu.
O
Valdir e a Ida somente não gostam do “bêbado oficial” da rua em
que moram: sempre que ele toma todas – e ele toma muitas todas –
passa a xingar todos os vizinhos e passantes. Mas isso são ossos do
ofício.
Vi
nascerem, e acompanhei durante todo o tempo, os filhos gêmeos desse
casal maravilhoso, Igor e Caio, hoje destacados advogados no sul do
País.
Que
felicidade por ter feito parte de um pedaço da vida dessas pessoas
aqui citadas!
Para
terminar, digo aos ouvidos moucos da cidade de Guajará-Mirim que,
quando digo seu nome, meu coração se enche de alegria, agora
temperada com saudade.
Há muitos anos saí de Guajará, seu texto me emocionou bastante, Carlinhos, os irmãos Ido e Ida (qual faleceu)? e muitos outros. Belo depoimento de uma pessoa que veio de outro estado e reconheceu a simplicidade da nossa cidade e do nosso povo. Um grande abraço.
ResponderExcluirTaher Morhy