sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Guajará-Mirim: homenagem e nomes


GUAJARÁ-MIRIM: HOMENAGEM E NOMES


Neste post não contarei “causo” algum, o que pode torná-lo desinteressante para eventuais leitores.

Vou abrir mão, para fins de homenagem, da proposta de não citar nomes neste blog.

Vou falar da cidade Guajará-Mirim, a “Pérola do Mamoré”, lugar que está tão “ajeitado” dentro do meu coração, e de minha esposa, quanto Maringá, nossa cidade natal.

Saí de Guajará no final de 1985, promovido que fui para a comarca da capital, Porto Velho, mas não a esqueci.

Minhas visitas, várias vezes ao ano, à cidade querida, foram uma constante, até meu retorno definitivo ao Paraná.

Guajará não é tão peculiar quanto Costa Marques (já comparada, por mim, à Macondo, de Gabriel García Márquez, mas tem seus vários encantos e tipos humanos diferentes e maravilhosos.

Ali, tem pessoas de todos os jeitos, todos enfrentando com bom-humor o calor sufocante do verão. O rio Mamoré, majestoso, banha o final da sua avenida principal, a XV de Novembro, onde está o porto e o Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Perto de Guajará, subindo uns seis quilômetros pelo rio Mamoré, está o lindo rio Pacaás Novas, com suas águas límpidas, praias exuberantes e muito, muito peixe para se pescar. Isso sem falar nos jacarés, cobras sucuris e jiboias, passando pelos biguás e capivaras.

Falando nessa fauna silvestre, tenho que registrar um sujeito chamado Carlos (Carlinhos) Azzi, que, dada sua interação com os peixes do rio, parece que tem uma ligação mental com eles.

Onde Carlinhos joga o anzol estará um peixe, somente esperando para ser fisgado por ele. Não é egoísta, pois divide sua intelecção com os peixes, quase mágica, com quem esteja com ele e seja seu amigo.

Também filhos de Guajará, cito os gêmeos Ido e Ida (um deles já falecido), também conhecedores fantásticos dos rios da região e sempre prestativos para com aqueles, como eu, que vão conhecer os rios Mamoré e Pacaás Novas.

Ido e Ida eram capazes de, sem muitas ferramentas, reparar um motor de popa enguiçado, de modo que parecia, para mim, leigo juramentado, muito fácil.

Como não falar do generoso e carinhoso Wadih, e sua querida Dina (para mim, Lua Branca), que tornaram menos penosa nossa chegada (minha e de minha esposa), recém catapultados do Sul do País, na bela Guajará.

A mãe do Wadih, Dona Eva, que chamávamos tia Eva, nos convidava para almoços fartos, sempre nos apresentando a cozinha típica da região amazônica e do seu querido Líbano, terra natal dela.

Como não falar do espirituoso Pedro, sempre tão cuidadoso em proteger seu barzinho caseiro, cheio de uísques de boa qualidade, daquele Promotor entrão? Ainda bem que ele não contava com o auxílio da sua bela Iracy, que abria as portas de sua casa (e do bar também, para gáudio meu), para aquele casal de Maringá tão carente por boas amizades.

Rebusco na memória, e sei que vou cometer injustos esquecimentos, para lembrar do “seu” Tanuz, do William e de Rosana (por ser boliviana pronunciava-se Rossana), além de toda a comunidade descendente de libaneses, sempre tão amistosa.

Quem vai a Guajará e não experimenta a picanha de carne de sol feita pelo Antônio em sua lanchonete não sabe o que perdeu. Eu nunca perdi, hehe.

Deixei por último os meus compadres, Valdir e Ida Cordeiro porque qualquer coisa que eu dissesse a respeito desses dois seria pequeno, tamanha a grandeza desses dois seres humanos.

Valdir é esperto, trabalhador, inteligente (não muito, pois é meu amigo) e sempre disposto a ajudar quem quer que seja. Ida (Idinha, para seus íntimos) é a típica mãezona, amorosa, carinhosa e sempre disposta a perdoar as besteiras que dizemos o marido dela e, principalmente, eu.

O Valdir e a Ida somente não gostam do “bêbado oficial” da rua em que moram: sempre que ele toma todas – e ele toma muitas todas – passa a xingar todos os vizinhos e passantes. Mas isso são ossos do ofício.

Vi nascerem, e acompanhei durante todo o tempo, os filhos gêmeos desse casal maravilhoso, Igor e Caio, hoje destacados advogados no sul do País.
Que felicidade por ter feito parte de um pedaço da vida dessas pessoas aqui citadas!

Para terminar, digo aos ouvidos moucos da cidade de Guajará-Mirim que, quando digo seu nome, meu coração se enche de alegria, agora temperada com saudade.

Um comentário:

  1. Há muitos anos saí de Guajará, seu texto me emocionou bastante, Carlinhos, os irmãos Ido e Ida (qual faleceu)? e muitos outros. Belo depoimento de uma pessoa que veio de outro estado e reconheceu a simplicidade da nossa cidade e do nosso povo. Um grande abraço.
    Taher Morhy

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