quarta-feira, 10 de novembro de 2021

    A SABEDORIA POPULAR LIBANESA NA CURA DE DOENÇA E                 ESPORTE DE SUCESSO RELATIVO



Este blog foi criado para contar causos do meu passado como Promotor e Procurador de Justiça, mas, às vezes, o presente se mistura ao passado, e por isso quero contar esses acontecimentos, que considero relevantes.


Em outubro deste ano de 2021, com toda a humanidade passando por este pavoroso flagelo que é a pandemia do Corona virus, e colocando, até agora, a ciência de joelhos, todos tivemos que fazer mudanças muito grandes em nosso viver.


Eu e minha esposa passamos o tempo, desde março de 2020, em um Condomínio na cidade de Santo Inácio, no Paraná, distante 90 quilômetros da cidade em que resido, Maringá.


Tudo mudou, desde a convivência com familiares via Whatsapp até os treinos físicos através da vídeo-aula, passando pelas compras em supermercado pela Internet.


Somente em setembro de 2021, em raras oportunidades, passamos a fazer alguns treinos físicos presencialmente na Clínica Alexandre Passos, (que recomendo) tutoriados, eu e minha esposa, pela ótima profissional Érica (que também recomendo, menos para os que são preguiçosos na hora de fazer exercícios de força).


Em algumas dessas aulas, com todo mundo usando as irritantes máscaras, eu fazia meus treinos junto com outro cidadão, a quem eu cumprimentava com o distanciamento social imposto pela pandemia.


Num certo dia, esse outro cidadão estava treinando sem a máscara e eu, após olhar atentamente, perguntei-lhe:


  • Você não é o Fares?


Ele respondeu afirmativamente, e então dei-me conta de que era um contemporâneo da Faculdade de Direito da UEM (Universidade Estadual de Maringá). O tempo evidentemente passou para nós dois, estando eu com 69 anos de idade e o Fares com 70 anos.


O Fares é brasileiro naturalizado, pois nasceu no Líbano.


Esse encontro com um velho conhecido já era extraordinário, mas logo veio-me à mente um outro fato ainda mais extraordinário.


Nos tempos da faculdade, certo dia acordei com uma dor fortíssima no meio do polegar da mão direita. Tratava-se evidentemente de uma inflamação que tinha o jeito de um tumor. Procurei socorro num hospital.


No hospital o médico injetou-me uma injeção dolorosíssima chamada benzetacil, que era usada para qualquer tipo de inflamação e até doenças venéreas. Era o bombril da medicina.


O medicamento resolvia provisoriamente o problema, mas logo a inflamação voltava e eu acordava com a dor no polegar e voltava para o hospital. Disseram-me que era um evento físico chamado panarício.


Eu estava desesperado com o problema sem solução. Num certo dia, encontrei o Fares e ele convidou-me a visitá-lo em sua casa, tendo eu aceito o convite.


Estamos lá, sentados em cadeiras no quintal, quando apareceu o pai do Fares, de nome Jamil.


O seu Jamil, vendo o meu polegar inchado, perguntou-me se eu machucara o dedo, e eu contei-lhe do meu sofrimento (não sei o que era mais sofrido, o dedo doendo ou a injeção de benzetacil).


Para minha surpresa, o seu Jamil levantou-se da cadeira e disse-me para esperar um pouco pois ele ia resolver o meu problema.


Depois de alguns minutos ele voltou com umas folhas na mão, que disse serem de um tomateiro e uma lata de azeite de oliva. Ele, então, esmagou as fotos do tomateiro, pingou sobre elas um pouco do azeite e colocou sobre o meu dedo doente.


A seguir, ele pegou um rolo de gazes e a enrolou sobre aquele “curativo” feito de folhas de tomateiro e azeite de oliva. Disse-me para repetir o “curativo” nos próximos dois ou três dias e esquecer do problema.


Eu não sei o que aconteceu, mas sempre louvarei a sabedoria daquele senhor libanês!


Nunca mais o dedo inchado e doendo, nunca mais a injeção de benzetacil...


Gratidão ao seu Jamil e ao seu filho Fares, razão de eu contar essa historia aqui.


Passemos ao causo ligado ao esporte.


Naquele final dos anos 1970, estando você matriculado numa Universidade, era obrigatório inscrever-se, além das matérias do curso de Direito, também em aulas de Educação Física.


Como eu já praticara o judô na infância, inscrevi-me numa aula desse esporte. Em razão disso, quando houve um campeonato entre Universidades do Paraná, eu fui inscrito, voluntariamente, nessa competição.


Salvo falha de memória, os jogos aconteceram na cidade de Ponta Grossa.


Assim, de repente vejo-me sentado no campeonato de judô esperando ser chamado para lutar. Como quase todos ali, eu usava a faixa branca, embora já tivesse alcançado a faixa verde quanto pratiquei regularmente o esporte.


Chamaram o meu nome, e eu fui para o tatame. Chamaram outro nome e lá veio um sujeito que também portava a faixa branca.


O juiz deu o comando para iniciar a luta.


Para minha surpresa, o meu oponente, parecendo ter baixado nele o espírito do famoso lutador chinês Bruce Lee, agarrou o meu quimono e começou a soltar gritos (que eu chamaria de asiáticos...) e começou a tentar fazer com que eu girasse.


Parecia que ele ia praticar o arremesso de martelo à distância, sendo eu o martelo! Logo saquei que, diferentemente de mim, ele não tinha qualquer técnica do judô.


Numa dessas rodadas martelísticas, eu simplesmente calcei os pés dele (golpe que no judô tem o nome de deashibarai e pronto! Ele estatelou-se com estrondo no tatame.


Ippon para mim, que ganhei a luta. O problema foi a fase seguinte.


Quando me chamaram para a segunda luta, meu oponente era um japonês baixinho, mas portando uma reluzente faixa preta!


Evidentemente, deixei o faixa preta me jogar ao chão sem oferecer resistência para evitar me machucar, perdendo rapidamente a luta que tornou relativa a minha vitória anterior.


Preciso dizer que voltei sem medalhas??



terça-feira, 4 de junho de 2019

Esperança frustrada (para cima)


ESPERANÇA FRUSTRADA (PARA CIMA)


Dia desses, conversando com um amigo, contei-lhe um fato, ocorrido no passado já longínquo, e que eu já havia relatado para vários outros amigos, em conversas informais.

Meu nível de inteligência é, para dizer pouco, bastante limitado. Digamos que, se o mundo dependesse da minha genialidade (!) ou criatividade, não teríamos hoje os celulares e as torrenciais mensagens de Whatsapp.

Estaríamos hoje, com certeza, trocando mensagens via rufar de tambores, como faziam os índios norteamericanos nos filmes de faroeste.

Mas, a despeito do excesso de falta de inteligência (vamos de oxímoro?), lembrei-me de contar sobre esse fato aqui no Blog, o local adequado para isso. Como eu disse, eu demoro, mas acabo fazendo o certo...

Mas vamos lá. Só há dois personagens neste causo, e um deles é o meu pai, que mostrou-me, de uma maneira incrível – quase insólita -, como age um homem que trata seus filhos de uma maneira que só causa admiração.

No início dos anos 1970, eu acabara de completar 18 anos de idade quando um dia meu pai me chama para ir junto com ele a uma agência Volkwagen de Maringá. Disse ele:

  • Quero que você me ajude a escolher a cor e os acessórios, pois vou comprar um Fusca 1500.

Concordei na hora, pois jovem gosta de dar palpite nas coisas que os mais velhos fazem (não somos todos muito espertos nessa faixa etária?).

Fomos a uma agência hoje inexistente, a Dama, para que o velho Araujo fizesse a sua compra assessorado pelo melhor especialista existente (eu).

Logo de cara, vi que meu pai não ia fazer o de costume; dar o fusca velho como parte do pagamento do carro novo.

Uma centelha de esperança começou a nascer em mim, pois cruzou minha mente o pensamento de que talvez, somente talvez, o fusca usado fosse passado para mim.

Assim, escolhida a cor (verde, não havia muitas opções, como hoje), meu pai foi consultando-me sobre o som (acho que era um rádio, pois na época um toca-fitas era coisa para multimilionário...), os tapetes, o enfeite no parachoque, etc.
Tudo acertado, voltamos para casa, tendo combinado voltar para pegar o carro novo depois de instalados os acessórios.

Nesse tempo todo, eu ali, firme, sendo consumido pela esperança de colocar minhas garras num fusca. Naqueles tempos, um jovem, na faixa dos dezoito anos, ter um carro era tudo, era o máximo.

O velho, parecendo que queria ver-me derreter na dúvida, nada falou a respeito da destinação do fusquinha velho. Mas a esperança...

Quando retornamos à agência para retirar o carrão (sim o Fusca 1500 era um carrão!), minha expectativa era total, mas fiquei quieto, igualzinho a cachorro de rua defronte à máquina de assar frangos.

Meu pai pegou as chaves do carro novo e chamou-me para sairmos da agência. Já na calçada, ele estendeu-me as chaves do carro zerinho e disse-me:

  • Pega o teu carro.

Enquanto eu caía para dentro do meu próprio espanto, ele explicou-me, como se fosse a coisa mais normal deste mundo, que o carro dele estava muito bom, e que ele queria continuar com o fusca usado.

Eu resolvi contar esse causo no blog por dois motivos.

O primeiro deles é para demonstrar, bem de leve, só mostrando uma pontinha do homem generoso que era o José de Araujo (sem acento no u, exigia ele), com total desapego a bens materiais e totalmente dedicado ao bem estar dos filhos.

O segundo motivo, devo confessar, é um motivo egoísta. Ao contar esse causo, eu mostro aos meus próprios filhos que, por mais que eu me esforce, jamais conseguirei ser um pai para eles à altura do que o meu pai foi para mim.

Pai, você tem uma estátua, em sua homenagem, dentro do meu cérebro.

domingo, 2 de setembro de 2018

Voando acima das preocupações


VOANDO ACIMA DAS PREOCUPAÇÕES



Um causo interessante aconteceu comigo no ano de 1985, quando perdi e ganhei de novo a minha família. Vou explicar.

Naqueles tempos bicudos, éramos poucos os Juízes e Promotores no novel (na época) Estado de Rondônia. Por isso, tínhamos que atender diferentes comarcas, às vezes bem distantes, para mover a máquina da Justiça.

Assim, mesmo sendo Promotor de Justiça em Guajará-Mirim, eu era responsável pela comarca de Costa Marques, um lugarzinho inscrustrado no meio da selva amazônica, às margens do rio Guaporé e situado na fronteira com a Bolívia.

Costa Marques era acessível apenas por avião ou barco. O barco era uma dificuldade para executar, pois seriam muitas horas sentado num barco a motor e debaixo do sol inclemente (esse adjetivo dá para usar também para a navegação fluvial, e não apenas para referir-se aos nossos algozes capitalistas, hehehe).

Dessa forma, para atender as coisas do Judiciário de Costa Marques, eu e o meu querido amigo Sebastião, o Juiz, tínhamos que passar uma semana por mês naquela cidade. O detalhe, devido ao acesso difícil, era que o Governo do Estado mandava um avião de Porto Velho, que nos pegava em Guajará-Mirim e nos deixava pela semana inteira trabalhando naquele lugar inóspito.

Mesmo nos dias de hoje é difícil chegar em Costa Marques. Há estrada para lá, agora, mas continua difícil de transitar nela, devido ao barro e ao poeirão, que adentra mesmo dentro das malas fechadas (pobre roupas).

Pois então... passamos a semana trabalhando na cidadezinha (há alguns causos meus centrados na cidade) e, passada uma semana, veio o avião do governo nos buscar para devolver-nos à Pérola do Mamoré (Guajará).

Naquela mesma semana, a minha família, que ainda estivera na comarca anterior (Cerejeiras), estava vindo juntar-se a mim na nova moradia. Eles estavam vindo com o meu carro, um moderníssimo (?) fusca azul, conduzido por outro amigo querido - o Orisvaldo, oficial de Justiça.

Sebastião sabia disso. Quando embarcamos no avião, ele viu que o piloto tinha trazido consigo o jornal daquele dia, editado na capital, Porto Velho.

Abrindo o jornal, ele viu a notícia de que um carro Volkswagen (fusca) havia se acidentado na estrada, e que havia mortos. Ele, preocupado, escondeu o jornal de mim e pediu, discretamente, ao piloto que se informasse, via rádio, se já haviam identificado as vítimas. O piloto, após acionar o rádio, disse que ainda não.

Na sequência, ele pediu ao piloto para, via rádio, verificar se minha família havia chegado na cidade de Guajará-Mirim. Eu não sei qual foi a razão do erro, mas a informação recebida foi de eles haviam, efetivamente, chegado da viagem.

Aliviado, Sebastiãõ contou-me sobre o que vira no jornal e das suas diligência via rádio, para então informar-me que Zilda e as crianças haviam chegado bem.

S.Q.N.!

Após desembarcarmos da aeronave, ao chegar na casa onde eu estava hospedado e onde ficariam minha esposa e filhos, por gentileza do meu querido e saudoso amigo Cássio, constatamos que eles não haviam chegado da viagem.

Climão de desespero! Telefonemas para Porto Velho, tentando saber notícias, mas nada havia de específico. Ninguém sabia quem eram as vítimas do acidente automobilístico.

Então, lá por volta das 17:00 horas, o dia já caminhando para o fim, recebemos um telefonema a cobrar.

Vocês podem imaginar a tensão por que eu passava ao aceitar a ligação...

Mas, ufa!, era o Orisvaldo, o amigo que conduzia o meu carro. O carro estava “pifado” na estrada, a BR-429, rodovia que liga Porto Velho a Guajará-Mirim. Eles estavam distantes da cidade uns 60 quilômetros.

Apavorados com a alta incidência de malária na região, e sabendo que os carapanãs iriam atacar com gosto a minha pobre família presa num carro à beira da estrada, Càssio gritou para mim:

  • Vamos! Vamos buscá-los agora!

Cássio era assim, amigo e resoluto para resolver as coisas. Partimos imediatamente e, naquela estrada de terra, muito esburacada e cheia de areiões, conseguimos encontrá-los.

Alívio! Mas ainda havia um problema: o carro pifado. Verificamos que a bateria simplesmente tinha zerado a carga. A eletricidade do carro era suficiente para funcionar o motor mas, se ligasse os faróis, o motor morria.

A solução, vinda da criatividade nos momentos difíceis, veio: eu segui pilotando o fusca sozinho e o Cássio, conduzindo minha família, veio dirigindo o seu carro ao lado do meu, de modo que seus farois iluminassem o meu caminho.
Foi difícil, mas a trajetória, com os dois veículos seguindo lado a lado na rodovia, deu certo, até porque, na época, o trânsito era diminuto na região.

Este causo, além de retratar uma pouco da dificuldade entrentada por nós na Rondônia de então, serve, sobretudo, para homenagear dois magistrados amigos, o Sebastião e o Cássio.

São amizades que nem o tempo, nem a distância, e muito menos a morte, cortarão seus laços.



domingo, 19 de agosto de 2018

Sujeitinho ignorante...


SUJEITINHO IGNORANTE...



Mesmo este sendo um blog para falar dos meus tempos de Promotor de Justiça na, na época, selvagem e esplendorosa terra de Rondônia, vou contar um causo, lá ocorrido, que, de certa maneira, liga-se com a minha vida anterior, jovem ainda, nas terras paranaenses.

Para ganhar a vida no início dos anos 1970 eu tive que “carregar pasta”, que era como se descrevia a atividade do vendedor viajante.

Não por meus méritos e sim devido ao fato de eu ser filho de um dos maiores vendedores de autopeças que o Paraná já conheceu, acabei sendo contratado por uma firma que vendia para as lojas de autopeças do interior do Paraná.

Meus conhecimentos do ramo automotivo eram tão grandes que alguns dos meus clientes, quando faziam o pedido de uma determinada peça, mostravam a dita cuja para mim, de modo que eu ficasse sabendo do que se tratava.

Assim, o sujeito pegava uma “coisa” na prateleira e me dizia “isto é uma bobina”, ou “isto é o rolamento da embreagem”.

Mas eu fui aprendendo (tinha que aprender, pois a profissão rendia um bom salário, que nada mais era que comissão sobre o total vendido), e qualquer dia desses conto alguma das minhas aventuras pelo noroeste do Paraná, que incluem a extirpação de uma penosa do âmbito de vigilância do seu proprietário.

O dinheiro auferido com minha curta carreira de vendedor viajante possibilitou-me cursar a universidade (a gloriosa UEM – Universidade Estadual de Maringá), onde me graduei em Direito.

Logo depois da formatura, passei no concurso e fui ser Promotor de Justiça lá em Rondônia.

Fui designado para atuar na cidade de Cerejeiras, local bastante remoto e precário que já rendeu alguns causos para este blog. Hoje é uma belíssima cidade.

Um dia qualquer aparece lá na Promotoria um sujeito querendo falar comigo. Como sempre atendi a todos que procuravam o Ministério Público, recebi aquele homem, que tinha o semblante preocupado.

Ele sentou-se em uma cadeira defronte à minha mesa, sacou alguns papeis de sua pasta (olha a “pasta” aí de novo...) e, colocando-os em cima da mesa, disse:

  • Doutor, eu quero providências, pois estes donos de autopeças compraram da minha firma, não pagaram e não querem pagar.

Pois não é que o sujeitinho achava que o Promotor de Justiça tinha que “botar os sujeitos na linha” e mandar que eles pagassem as compras feitas?

Segurando o riso, tive que explicar ao maganão-vendedor que minha função não era aquela e, sem contar-lhe que eu também tinha passado por aquele tipo de trabalho, disse que cabia a ele verificar a idoneidade do comprador para, só então, fazer a venda.

Ele deve estar, até hoje, xingando aquele funcionário público vagabundo que não quis atendê-lo.

Mas foi embora dando tratos à bola (para os não iniciados em gíria, significa pensar) em como faria para receber suas duplicatas (homem chamam isso de boleto) sem ameaçar os devedores com a cadeia...

Esse acontecimento entrou para o rol de maus causos porque ligou, na experiência de vida, minhas duas atividades profissionais.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Mais direto, impossível...

MAIS DIRETO, IMPOSSÍVEL...


Quando asssistimos a filmes norteamericanos de julgamento, vemos que o advogado do “mocinho” (ou “mocinha”), depois de usar argumentos brilhantes para defender seu constituinte (só em filme: raramente alguém encontra, na vida real, argumentações tão certeiras e brilhantes), fitando demoradamente os jurados, exclama: I rest my case! Significa alguma coisa como está tudo dito!.

É, certamente, um gran finale, a exemplo do EUREKA!, que teria sido dito pelo matemático grego Arquimedes de Siracusa (287-212 a.C), quando descobriu como resolver um dilema apresentado pelo Rei Hierão,

O rei queria saber (deve ser bom ser rei. Basta querer, não é Lula?) o volume de ouro de sua coroa.

Segundo a internet, “o problema complicado era como medir o volume da coroa sem a derreter. Arquimedes descobriu a solução quando entrou numa banheira com água e observou que o nível da água subia quando ele entrava. Concluiu então que para medir o volume da coroa bastava mergulhar a coroa em água e calcular o volume de água deslocado, que deveria ser equivalente. Conta-se que ele saiu nu, correndo pelas ruas e gritando eufórico:“Eureka!Eureka!” (Achei! Achei!)."O Princípio de Arquimedes" foi como ficou conhecida a descoberta do grande cientista grego”.

Esse introito é para contar um evento em que despontou a criatividade e a lógica da minha neta Joana, onde ela demonstra a percuciência e inteligência típicas do sexo feminino.

A ocasião era o aniversário da minha esposa Zilda. Nós fomos, acompanhados da Joana e seus pais, a um restaurante de Maringá para comemorar o aniversário.

Breve digressão para perguntar por quê as mulheres comemoram os seus aniversários, mas acham ruim quando a nova idade comemorada é mencionada. Eu não sei!

Enquanto esperávamos os garçons servirem o jantar, Joana pediu à sua mãe para usar o celular. Como toda mãe, minha filha negou o pedido.

Joana, matreira que só, não partiu para o simplificado amuo (a famosa “cara amarrada”). Ficou sentada em sua cadeira e, aparentemente (atenção, homens, prestem atenção no “aparentemente”), esqueceu o assunto.

Algum tempo depois, ela levantou-se e aproximou-se da cadeira onde estava sentada sua mãe.

Chamando a atenção maternal, ela apontou uma mesa à nossa direita, outra à esquerda e, finalmente, uma outra atrás da nossa mesa.

  • Se você olhar, mamãe, verá que nessas mesas tem crianças mexendo no celular...
Foi o “I rest my case”, o “Eureka” impositivo, demonstrando que seu pleito junto à mãe tinha razão de ser, e que não era despropositado.

No futuro, se ela tornar-se advogada, vou querer contratá-la. Afnal, ela é linda, é minha neta e... é muito esperta!



sábado, 26 de maio de 2018

Notícias do Brasil


NOTÍCIAS DO BRASIL


Já que, para minha surpresa, o Blog tem leitores em outros países – alguns longínquos – vou tentar atualizá-los sobre os dias que correm nestas terras tupiniquins.

Já que usei a expressão tupiniquins, devo esclarecer que alguns costumam referir-se ao nosso Brasil-velho-de-guerra como sendo a terra dos índios Tupiniquins (que antes já foram chamados de Topinaquis, Tupinaquis e Tupinanquis).

Essas tribos indígenas existiram (e ainda existem) num lugar chamado Espírito Santo. Na verdade, eles habitavam a região entre a Bahia e o tal do Espírito Santo.

Mas poucas pessoas conhecem ou ouviram falar sobre os índios tupiniquins, bem como muito pouca gente conhece – ou ouviu falar – sobre o Espírito Santo, um estado brasileiro que muita gente nem sabe onde fica.

Meus conhecimentos a respeito desse estado limitam-se ao que aprendi na Escola Primária: Estado do Espírito Santo, capital Vitória. Estranho? Não!

Eu nunca conheci alguém que tivesse dito que era nascido no Espírito Santo, ou tinha vindo de viagem do Espírito Santo...fala-se mais desse nome nas igrejas.

Procurem no mapa. Esse Estado fica “lá para cima” dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e “lá para baixo” dos Estados do Nordeste.

Os tupiniquins tratavam a terra como uma posse comunal, pois qualquer grupo familiar poderia cultivar onde bem entendesse, sem demarcações. Como se vê, os comunistas, que se acham os inovadores sociais, tinham antecessores bem antes do “descobrimento” e posteriores “ensinamentos” sociais e religiosos.

Os tupiniquins também mimetizavam – sem saber – o organograma social da Europa, pois havia clara divisão entre os que caçavam, os que caçavam e os que plantavam e faziam farinha. Será que havia os que que “trancavam” as trilhas e queimavam folhas verdes para fazer fumaça, como forma de fazer protestos?

Talvez – quem sabe! - se os europeus, notadamente os portugueses, não tivessem “descoberto” e “civilizado” o Brasil, nós seríamos hoje um país mais organizado, mais eficiente e menos bagunçado, onde não apenas os ladrões do dinheiro público sejam altamente organizados.

Mas eu quero mesmo é dar notícias do Brasil de hoje.

Nossa evolução como povo dá-se rapidamente, mas com a marcha-à-ré engatada. Nosso governo atual gasta dinheiro para anunciar que fez-nos retroceder 20 anos em dois!

Nossa incapacidade política explode como uma festa carnavalesca! Depois de elegermos o Lula da Silva como o Presidente que nos faria entrar no Paraíso, com rios de mel jorrando de dinheiros públicos criados pela mera “vontade política” dos gênios do Partido dos Trabalhadores (PT) e de Lula da Silva, caímos nessa enorme crise econômica, com milhões de desempregados.

Hoje o nosso “paraíso” tem pessoas que, mais involuídas que os demais (que burros esses “demais”...), clamam por um golpe militar, crentes de que a mera movimentação de tanques de guerra e soldados portando fuzis cheios de tiros resolverão nossos problemas econômicos e nos farão entrar no exclusivo clube dos países de primeiro mundo.

Também temos pessoas que pensam (o verbo pensar, aqui, é usado com licença poética) que para o Brasil melhorar bastaria copiarmos o modelo político altamente desenvolvido de gigantes como a extinta União das Repúlicas Socialistas Soviéticas – URSS, Cuba, Coreia do Norte ou a cereja do bolo, a Venezuela.

Particularizando condutas, temos brasileiros que, solidários com os caminhoneiros em greve que paralisam a Nação, deixando secos de combustível os carros, caminhões e aviões, levam-lhes café quente, pão e mortadela, aproveitando para passar no posto de gasolina e levar para casa um galão com gasolina (não pode faltar para mim, os outros que se cuidem...).

O Brasil de hoje, acreditem, é uma enorme e organizada bagunça. Se os políticos podem roubar, roubam, porque sempre haverá um ministro-juiz para dar-lhes liberdade.

Se o sujeito quer ouvir música bem alto durante a noite e na madrugada, pode, pois ninguém o perturbará.

As leis de trânsito (?), são coisas para os bobalhões, e a maioria dos nossos motoristas não fazem a menor ideia de que existem sinalizadores (setas) nos seus carros, avisando que vão mudar de direção, ou mesmo limites de velocidade, e que passam por cima de tudo e de todos...

Pagar impostos? Para quê? Deixa para lá que sempre vem um vereador ou deputado criando projeto de lei para anistiar os coitadinhos endividados com os impostos extorsivos (mas pagos pelos honestos) ...

Se os eleitores evoluíssem (para a frente, é claro), poderíamos mudar as coisas neste Brasil tão anti-tupiniquim. Mas como saber se os votos seriam realmente computados pelas brasileiríssimas urnas eletrônicas?

Terminada a eleição, em apuração secretíssima, divulgam-se os resultados e você só pode aceitar, pois não há qualquer modo de contestar os resultados.

Sem falar que, para você exercitar o direito obrigatório do voto, você tem que, vezes sem conta, comparecer aos cartórios da jabuticabal Justiça Eleitoral para cumprir alguma exigência criada por um gênio judicial em seu gabinete com ar refrigerado.

Vejam que a tal da Justiça Eleitoral resolveu fazer o cadastramento biométrico de todos os eleitores do Brasil, um portento da tecnologia onde você comparece, em dias de eleições, à sua sessão e é identificado apenas pelas suas impressões digitais.

Milhões de brasileiros foram incomodados, tendo que deixar seu trabalho para se recadastrarem, milhões de reais foram gastos e … pffff.

Eu, por exemplo, pobre mortal premiado com o direito obrigatório, em todas as vezes em que fui votar, não fui identificado pelas ranhuras do dedo, tendo que apresentar documento de identidade provando que eu sou eu...

Finalizo dizendo que, pelas ruas do Brasil, é enorme a quantidade de pessoas que, se pudessem, iriam embora daqui, deixando a classe política (aqui traduzida como pessoas que não querem trabalhar) para roubar e viajar de jatinhos da Força Aérea Brasileira – FAB, o quanto quisessem..

É desânimo?

É!




domingo, 29 de abril de 2018

Politicamente correto? Não, mas...


POLITICAMENTE CORRETO? NÃO, MAS...



É um mistério, pelo menos para mim, como se encadeiam as circunstâncias que acabam por definir a vida das pessoas, como elas chegam a determinado ponto que acaba por definir suas vidas.

Isso pode ser traduzido no dito popular que se refere às voltas que o mundo dá. Um exemplo muito claro do que digo aqui é o caso do Mike Tyson, o espetacular pugilista que, nos anos 1980, espantou o mundo com a violência dos seus golpes.

Mike Tyson disparava potentes socos, que levavam à lona e ao nocaute seus adversários no ringue ainda nos minutos iniciais das lutas em que ele punha em disputa seu título de campeão mundial dos pesos pesados.

Esse extraordinário lutador veio de uma infância difícil, abandonado pelo pai aos dois anos de idade, passou pela delinquência criminal e uma internação em reformatório. Foi no reformatório que descobriu-se seu talento para o boxe, o que definiu seu futuro (pelo menos o mais próximo), ficando para a história como um campeão mundial invencível e cheio de dinheiro.

É bem verdade que ele colocou tudo a perder, envolvendo-se numa acusação de crime de estupro que o colocou numa penitenciária e dissolveu seu sucesso, bem como a muita grana que conseguira.

Essa introdução é feita para reforçar o que eu disse antes sobre as circunstâncias que moldam o nosso futuro.

Foi assim comigo. As circunstâncias pessoais, familiares e econômicas levaram-me a exercer, por algum tempo, a profissão de vendedor-viajante de auto-peças. Eu viajava pelo noroeste do Estado do Paraná, a serviço da ótima (e hoje extinta) Hermes Macedo S/A, vendendo peças de reposição para automóveis.

Minha clientela eram as lojas de Auto Peças, cujos donos (alguns deles, pelo menos) eram verdadeiras “peças” (serviço cultural: peças, no sentido de figuras extravagantes, engraçadas, cheias de manhas), sobre as quais pretendo um dia, no futuro, contar aqui no Blog.

Enquanto fui viajante-vendedor, tinha que, a cada quinze dias, comparecer a reuniões estratégicas na cidade de Londrina, próxima a Maringá (na época, 120 kms; hoje, 80 kms).

Para economizar, eu me juntava a outros vendedores-viajantes e íamos todos num carro só para as reuniões de trabalho.

Se a clientela tinha muitas peças, os vendedores constituiam uma fauna ainda mais especial, a maioria deles engraçadíssimos, o que tornava as viagens quinzenais uma verdadeira terapia, com muitas risadas.

O causo de hoje vai falar sobre o Nestor, um figuraça que ficou guardado na minha memória (o que justifica contar sobre ele no Blog), dotado de um humor ferino, mordaz mesmo.

Viajávamos de Fusca (por um bom tempo o único carro possível para a classe média trabalhadora do Brasil, na Economia fechada dos anos 1970), comigo na direção e com o Nestor sentado ao meu lado, na “carona”.

Quando estávamos atravessando uma cidadezinha (dentre as várias entre Maringá e Londrina), o Nestor vê um sujeito fortíssimo, parrudo mesmo, pedalando uma bicicleta.

Ele não se segurou, e debruçando-se sobre a janela do Fusca, soltou:

  • E aí, negão?!?! Roubou a bicicleta e está levando, hein??

Como o sujeito tivesse ficado indignado com a ofensa, começando a gritar ameaças, o Nestor começou a gargalhar, feliz com a própria “sacanagem”, dizendo que o Negão ficara muito bravo.

Pelo retrovisor, eu o avisei de que o Negão parecia furioso e pedalava, também furiosamente, a sua bicicleta, tentando nos alcançar.

Nestor, como estávamos de carro, não demonstrou preocupação. Contudo, duas quadras adiante, havia um sinaleiro (semáforo) e, quando chegamos ao cruzamento, ele estava fechado.

Cumpridor das leis de trânsito, parei o veículo (é ótimo chamar o Fusca de veículo...) e, olhando outra vez pelo retrovisor, avisei ao Nestor que o sujeito, com todo o jeito de enfurecido, ainda vinha pedalando, tentando nos alcançar.

Como eu já disse, o Negão era bem forte e o Nestor, olhando para trás, sentiu o perigo da situação. Começou, então a gritar, apavorado:

  • Fura o sinal, Osmar!! Fura o sinal, Osmar!!! Vai, vai, vai!!

Fiquei entre a cruz e a espada, monitorando a futura abertura do sinal para verde e o Negão injustamente ofendido, que se aproximava como se fosse uma locomotiva, daquelas tipo Maria Fumaça.

O sinal abriu!!

Como também podia “sobrar” para mim, dada a fúria do Negão, arranquei com toda a velocidade possível e logo deixamos para trás a ameaça justa e iminente.

Nestor demorou a se recuperar da “gracinha” mal calculada, mas seguiu com sua vida de figuraça.

A moral deste causo? Evidente: não mexa em quem está quieto pedalando.

Esse período, o de ganhar a vida como vendedor-viajante, possibilitou-me continuar os estudos, ingressar na Faculdade de Direito e, finalmente, tornar-me Promotor de Justiça, o que veio a definir minha trajetória pela vida.

Neste tempos de politicamente incorreto que hoje vivemos, explico o título da postagem e o próprio ocorrido. Naqueles dias, brincávamos sem policiamento sobre a cor das pessoas, sua orientação sexual, etc.

Não havia, em meu entender (e não estou sozinho neste entendimento), nenhuma maldade nisso. Ou não, como diria Caetano Veloso...