sexta-feira, 17 de julho de 2015

Precaução e caldo de galinha...

PRECAUÇÃO E CALDO DE GALINHA...




Esse “causo” aconteceu já na primeira década do século XXI, em Guajará-Mirim, a chamada Pérola do Mamoré.

Fui passar um final de semana com meu velho amigo e compadre Valdir, e sua linda Ida, naquela Guajará-Mirim – cidade que conquistou meu coração para sempre – para “desengatar” o cérebro dos processos judiciais.

Ocorre que em Guajará-Mirim há um lugar que eu chamo de Paraíso, uma chácara com uma casa aconchegante, árvores frutíferas e um maravilhoso igarapé (é o nosso riacho ou córguinho no sul do País) de águas geladas, bem apropriadas ao calor que faz em Rondônia.

Os proprietários do lugar são o Pedro e a Iracy, irmã de Ida. Pedro e Iracy, como diz o Valdir, são aqueles parentes esquisitos, inusuais, porque todos gostam de tê-los por perto.

Eu digo isso porque, quando ainda morava em Rondônia, meus parentes de Maringá diziam que eu era o melhor parente deles. Motivo: morava longe!

Mais que parentes, Valdir, Ida, Pedro e Iracy formam um núcleo de parmigos (mistura de parentes com amigos), e andam quase sempre juntos. Todos eles têm um defeito sério, que é o de gostar da minha companhia. São poucos neste mundo...

Neste final de semana em questão, nós, no sábado à tarde, fomos para a chácara para passar o dia e pernoitar, eis que havia notícias fundadas de que um dos carneiros da criação de Pedro apresentava sintomas de depressão e tinha tendências suicidas.

Infelizmente o prognóstico ruim confirmou-se, e o carneiro efetivamente morreu. Este blog não oculta as más notícias, e a verdade tem que ser dita, duela a quien duela...

Na tarde de sábado por lá apareceu também um conhecido dos donos da chácara, um jovem, de seus 30 anos, bastante amistoso e conversador, e passou a acompanhar-nos na cervejinha que tomávamos no velório do carneiro.

O rapaz era conhecido como “Barretão”, o que já dá uma ideia de suas proporções físicas.

Depois do jantar, Valdir e Pedro armaram suas redes na varanda da casa, onde preferiam dormir e eu sentei-me numa cadeira confortável para iniciarmos a sessão de conversa tão usual quando se está na roça. O rapaz pediu licença e, como trouxera uma pequena barraca, armou-a no quintal nos fundos da casa.
Eu tratava com intimidade um uísque 12 anos, e Valdir e Pedro degustavam umas cervejas, acompanhados do nosso visitante.

Como sou o mais falante, comecei a contar alguns dos causos que conto aqui no blog, a maioria ligada a acontecimentos pretensamente sobrenaturais, ou fantasmagóricos, alguns deles contados nesta publicação.

Acho que, com a escuridão que nos rodeava, esse era o assunto mais adequado. A conversa fluiu até tarde da noite, quando o sono (ou serão o uísque e a cerveja?) chamou a todos para o descanso noturno.

Antes que apagássemos as luzes, o nosso convidado rapidamente foi até o fundo do quintal e desmontou sua barraca.

Pensamos: “Será que ele vai embora a estas horas da noite?” .

A dúvida não durou muito tempo, pois o rapaz remontou sua barraca exatamente entre as redes de Valdir e Pedro.

Ele fez isso devagar e cuidadosamente. Mas, vendo que o olhávamos, estranhando seu ato, ele justificou-se:

  • Eu não tenho medo de fantasmas!”.

E, apontando seu dedo indicador para mim, completou:

  • Mas, com essas histórias que ele contou, é melhor não facilitar! Com essas coisas não se brinca...”

Devo acrescentar que, durante a noite, nada aconteceu de extraordinário para justificar a cautela do jovem, mas aprendemos com ele que, em se tratando de fantasmagorias, não é bom deixar as coisas ao acaso.