ENCONTROS
DE TRABALHO = ATOS FALHOS
Depois de umas férias do ato
de escrever no blog, resolvi contar dois causos acontecidos em
encontros de trabalho realizados pelo Ministério Público de
Rondônia, do qual fui – orgulhosamente! - membro por trinta anos.
Vamos lá. Ao primeiro deles
dou o nome de Hino.
Estávamos na cidade de
Cacoal. No dia da abertura dos trabalhos, como era então, e ainda
hoje, o costume, entoaríamos o Hino Nacional.
Todos reunidos na sala onde
aconteceria o encontro, o presidente da nossa Associação de
Promotores e Procuradores, que vou identificar apenas como Rubinho,
ficou sabendo que não havia, na pequena Cacoal daquela época, um
dispositivo para reproduzir, mecanicamente, o hino pátrio.
Um dos Promotores de Justiça
daquela comarca, que vou identificar apenas como Isaías, disse ao
Rubinho que não tinha problema, não, e que ele “puxaria” o coro
de abertura “hinal” (será que existe o vocábulo? Certamente
não...) do começo dos trabalhos.
Todos ficaram em posição,
de pé, respeitosos para com o Hino Nacional, bons patriotas que
éramos (e somos).
Isaías posiciona-se diante
de todos, bate palmas e avisa que cantaríamos, à capela, o hino, e
que ele daria início à cantoria.
E lá vai ele, vozeirão
empostado:
“Salve lindo pendão
da esperança, salve o símbolo augusto da paz...”
Rubinho,
desesperado com a entrada, fora de hora, do hino à bandeira,
tentava, agitando as mãos num acenar típico de quem quer “apagar”
alguma coisa, e dizia entre dentes, para Isaías:
“Cala
a boca! Cala a boca!”
Constatando
que realmente praticara um “ato falho”, Isaías calou-se,
sepultando prematuramente o hino à bandeira.
Em
seguida, Rubinho chamou a si a responsabilidade e, corretamente,
iniciou o popular “ouvirundu”, mas
já era tarde para mim e outros colegas Promotores.
Enquanto
aqueles mais estóicos (ou mais sérios do que eu...) entoavam
enérgicos o Hino Nacional, eu só consegui fazer silêncio,
valentemente segurando a vontade de rir. Mas quem olhou para mim
naquele momento inesquecível certamente viu meus ombros sacudirem
como se estivesse tendo um acesso malárico...
Ao
segundo causo darei o nome de radiocomunicador.
A
cidade era Ji-Paraná. O Procurador-Geral de Justiça era um gaúcho
mais tradicional do que embalagem de “Maizena”,
chegado a fazer as coisas de um jeito “meio” militar.
O
chefe de gabinete, Amadeu, providenciou os preparativos para o
encontro de trabalho do Ministério Público de Rondônia.
Entre
essas providências, por insistência do Procurador-Geral, estava o
de que eles comunicar-se-iam, durante o encontro, por meio de um
radiocomunicador, acho que chamado de walkie talkie
(bem militar, convenhamos...).
Após
a abertura formal do encontro, desfeita a cerimônia, todos os
presentes encontraram-se num salão contíguo. O cenário é típico:
todos misturados, todos conversando, enfim, o zunzunzum
costumeiro.
Amadeu
tratava o Procurador-Geral por chefe. Então,
o Chefe resolveu pedir
a Amadeu para tratar de alguma coisa qualquer. Começou a chamá-lo
pelo walkie talkie:
“Atento, Amadeu,
atento Amadeu, responda!”
Amadeu,
por seu turno, respondia, pressuroso:
“Amadeu
na escuta, Chefe, onde o senhor está?”
O
que Amadeu e o Chefe
não
viam era o que todos víamos: naquele diálogo insólito por rádio,
estavam os dois de costas um para o outro.
É
claro que somente os avisamos do fato depois de muito rir da
situação...