domingo, 15 de janeiro de 2017

Vítimas? Safados, isso sim...


VÍTIMAS? SAFADOS, ISSO SIM...


Nesta semana, aconteceu conosco um evento que, para além da curiosidade, faz plena prova da (má) natureza humana.

Minha querida (querida é pouco, mas vou deixar barato porque se trata do blog) Zilda, após chegar em casa depois de fazer compras no supermercado, veio contar-me uma coisa que ela achara interessante e que acabara de acontecer com ela.

Ela contou-me que, logo na saída do nosso prédio, foi abordada por um jovem, que lhe perguntava sobre onde ficava uma loja estabelecida na mesma avenida onde moramos.

Como a tal loja não existe, ela lhe disse que não sabia onde ficava e nem a conhecia. Aí o rapaz prosseguiu, dizendo que tinha que entregar uma “coisa” na tal loja, demonstrando muita preocupação por não saber como cumprir a tarefa que recebera.

O rapaz, muito bonzinho (na avaliação dela), explicou que tratava-se de um bilhete de loteria, e que alguém da loja o ajudaria a receber o valor, já que ele não poderia fazê-lo, por ser menor de idade.

  • Isca lançada (pensei eu com meus botões).

Nesse momento, sai alguém de um cartório de notas situado no local e, muito gentil (sempre segundo ela), tenta ajudar. Apresenta-se como corretor de imóveis, e está bem vestido.

O corretor, ao ser informado do problema pelo rapaz que está com o bilhete, dispõe-se a ajudar (bom samaritano às avessas) e, pegando o bilhete, liga do seu celular para a Caixa Econômica Federal.

Sua conversa com o funcionário da Caixa Econômica Federal, pelo que minha esposa e o rapaz ouvem, confirma que o bilhete é realmente premiado!!

O valor, pasmem!, é de vulto, ou seja, há um prêmio de um milhão, trezentos e oitenta mil reais (acho que daria para comprar o elevador do tríplex do Lula em Guarujá...)!

O rapaz do bilhete mostra-se desesperado com o fato de que não poderá receber o valor na Caixa.

O “corretor”, mostrando sua enorme preocupação com os seres humanos que com ele compartilham a humanidade, dirige-se à minha esposa e brada:

  • Temos que ajudá-lo!

Minha cara consorte (aliás, seria bem cara se houvesse caído na lábia dos dois vagabundos), mostrou-lhes com quantos paus se faz uma canoa que, pelas proporções de sua atitude, está mais para navio.

Disse aos dois que simplesmente não tinha tempo (ela ia ao supermercado, lembram?) e largou-os sozinhos para receberem o valor na Caixa.

O surpreendente nisso tudo é que, ao contar-me o ocorrido, ela não tinha noção alguma de que tentaram fazê-la cair no famoso conto do bilhete.

Em outras palavras, ela acreditou no que ambos os criminosos disseram. Só não caiu no golpe porque ela, de natureza, não é afetada de modo algum pela cobiça, pela intenção de levar vantagem (menos quando ela quer ganhar alguma discussão comigo, mas isso é outra historia.

Conto esse causo para dizer que essas vítimas (?) que volta e meia aparecem nos jornais (dia desses foi uma professora) lamentando-se pela perda de valores vultosos, não são vítimas coisa nenhuma.

São apenas cobiçosos que tentaram obter vantagem frente à (pretensa) inocência de outras pessoas.

Os dois vigaristas devem estar coçando as cabeças até agora.

Com alguma dificuldade de aceitação por parte dela, expliquei à minha esposa que se tratavam de bandidos e que era um golpe muito antigo, que ainda faz vítimas...

Este causo não é para falar da inocência da minha esposa, mas, sim, da (péssima) natureza humana.