A
EX-MÃE ARREPENDIDA
Nesse relato da minha saga em
terras de Rondônia, vou alterar um pouco os dados relativos aos
envolvidos. Mesmo com a política, por mim adotada, de não citar
nomes nesses “causos”, as pessoas envolvidas nesses
acontecimentos têm o direito de permanecer incógnitas.
Aliás, mesmo com essas
alterações, um pequeno círculo dos moradores mais antigos de
Guajará-Mirim vai identificar os envolvidos, caso tenha acesso a
este blog.
Os fatos ocorreram há mais de
vinte e oito anos (especifico: 1985), e são bastante estranhos, o
que leva as pessoas de “cabeça mais aberta” a pensar que muito
do que está ao nosso redor é completamente ignorado pela grande
maioria das pessoas.
Nós tínhamos, minha esposa e
eu, grande amizade com um casal morador de Guajará-Mirim, sendo que
eles eram os felizes pais de um casal de filhos, o menino com seis
anos e a menina com dois anos de idade.
Eles ainda são nossos grandes
amigos, e temos a honra de sermos chamados pelos filhos deles de
“tio” e 'tia”, coisa que envaidece quem assim é tratado.
O casal morava num grande
sobrado de alvenaria, construção muito antiga, mas bastante
confortável. Era muito comum frequentarmos as casas um do outro,
típica atitude em cidades pequenas.
Um pouco depois de nossos
amigos terem decidido deixar Guajará-Mirim, pois iriam residir na
capital, Porto Velho, coisas estranhas começaram a acontecer durante
a noite naquela casa.
Quando faltavam trinta dias
para a efetiva mudança, os acontecimentos estranhos entraram num
crescendo, e isso tudo nos era narrado pelo casal amigo.
Segundo eles, as portas no
pavimento superior do sobrado batiam, abrindo e fechando sem que
se observasse qualquer corrente de vento.
Em seguida, houve uma evolução
para pior: à noite, quando todos dormiam, o menino começou a ir até
o quarto de seus pais, chamando-os, com medo:
- Mamãe, papai, tem uma mulher loira lá no nosso quarto, e ela fica em pé perto do berço da maninha.
Segundo o menino, essa mulher
loura ficava em pé, aos pés do berço da irmãzinha dele, olhando
para ela. Sempre que isso ocorria, os pais iam até o quarto das
crianças, mas nada viam. Isso ocorreu repetidas vezes.
Essas coisas fantasmagóricas –
digamos assim – nos eram contadas pelos nossos amigos mas não nos
preocupavam, pois podiam ser fruto da imaginação daquele menino de
seis aninhos.
Como parte do processo de
despedida de nossos amigos que iriam mudar para outra cidade, nós
passamos a frequentar com mais assiduidade a casa deles. Foi numa
dessas visitas que os insólitos acontecimentos entraram num novo
patamar e envolveram a mim a a minha esposa.
Devo esclarecer que minha
esposa tinha dons comprovados de mediunidade na área da psicografia,
e eu já a vira “receber” - se assim posso dizer – mensagens de
pessoas já falecidas. Desde que mudáramos para Rondônia ela não
mais praticou a sua mediunidade, até por falta de ambiente para
isso.
Um dia, chegamos na casa de
nossos amigos no início da noite e fomos recebidos na parte inferior
do sobrado, numa saleta com um barzinho, desses residenciais.
Quando eu e o meu amigo nos
preparávamos para “molhar as palavras”, notei algo errado. Minha
esposa estava bem esquisita, tipo sonolenta e aparentando estar
passando mal.
Como eu já conhecia aquilo,
pedi ao casal que desligasse a luz e que dessem à minha esposa lápis
e papel.
Não deu outra. O lápis,
naquele ambiente parcamente iluminado, começou a deslizar
rapidamente pelo papel. Terminado o “trabalho”, pudemos verificar
que se tratava, efetivamente, de uma mensagem psicografada.
O espírito de uma mulher nos
dizia, na mensagem, que não queria assustar ninguém, mas que
precisava de ajuda.
Superado o evento, continuamos
normalmente com nossa visita (e nem poderia ser o contrário),
deixando a mensagem com o casal.
Não é que nossa amiga tomou a
si a tarefa de investigar aquilo tudo e ver se poderia ajudar aquela
mulher que implorava ajuda?
Dia seguinte, ela procurou o
grupo espírita da cidade e levou-lhe a mensagem recebida. Lá, ela
foi muito bem acolhida e o grupo marcou uma sessão especial para,
digamos assim, investigar o assunto.
Instalada a sessão, um dos
médiuns incorporou o espírito da mulher, o qual confirmou que
estava efetivamente na casa, presa de uma desgraça do passado. Ela
deu, inclusive, o seu nome.
O espírito disse ainda que era
de uma mulher, falecida aos 24 anos de idade, cuja morte deu-se pelo
fato de ela ter cometido aborto contra o feto de uma menina que
estava em seu ventre. O aborto deu errado e morreram ambas, mãe e
filha.
O fantasma explicou que o
motivo de sua angústia, e a causa de sua circulação pelo sobrado
batendo portas, bem como de sua vigília junto ao berço da filha do
casal, era a mudança próxima para outra cidade. Foi dito pelo
médium que a sucessão de eventos mais recentes era fruto da que
seria a última oportunidade de o fantasma da mulher pedir ajuda.
Velar pela filha do casal a
ajudava a amenizar seu remorso por ter causado a morte de sua própria
filha.
Com parte do mistério
resolvida, nossa amiga resolveu ir mais fundo na questão.
Dirigiu-se ao cemitério de
Guajará-Mirim e, consultando os registros, descobriu onde estavam o
túmulo e a lápide da infeliz mulher, ex-futura mamãe.
Estava tudo lá. O nome,
falecida aos 24 anos de idade, no ano de 1943. Já haviam se passado
42 anos de sua morte.
Na foto da lápide, podia-se
ver que tratava-se de uma mulher loura.
Com todos esses dados em mãos,
ficou mais fácil saber de outros detalhes relativos à fantasma. Ela
tinha, quando fez o aborto que causou sua própria morte, mais três
outros filhos. Um desses três filhos havia construído o sobrado,
onde passara a morar após ter casado.
Quando esse filho casado teve
uma filha, a fantasma passou a “velar” essa menina. Enfim, a
fantasma teria ficado “presa” à residência por longos anos.
Esclarecidas as coisas
estranhas que ocorriam no sobrado, que, convenhamos, são bastante
extraordinárias, ainda um último fato veio à lume.
Vizinhos mais antigos do
sobrado disseram que, às vezes, viam uma mulher loura na varanda e
nas janelas do sobrado, mas pensavam que era uma moradora.
Esses são os fatos que eu
soube na ocasião, e que resolvi contar agora. Nossos amigos
mudaram-se para Porto Velho um mês depois, sem que qualquer outra
atividade sobrenatural acontecesse no sobrado.
Que história,Impressionante. Conheço bem a mediunidade da Zilda, de fato recebi uma mensagem psicografada em um momento muito difícil e foi comprovada..
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