quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A ex-mãe arrependida



A EX-MÃE ARREPENDIDA


Nesse relato da minha saga em terras de Rondônia, vou alterar um pouco os dados relativos aos envolvidos. Mesmo com a política, por mim adotada, de não citar nomes nesses “causos”, as pessoas envolvidas nesses acontecimentos têm o direito de permanecer incógnitas.

Aliás, mesmo com essas alterações, um pequeno círculo dos moradores mais antigos de Guajará-Mirim vai identificar os envolvidos, caso tenha acesso a este blog.

Os fatos ocorreram há mais de vinte e oito anos (especifico: 1985), e são bastante estranhos, o que leva as pessoas de “cabeça mais aberta” a pensar que muito do que está ao nosso redor é completamente ignorado pela grande maioria das pessoas.

Nós tínhamos, minha esposa e eu, grande amizade com um casal morador de Guajará-Mirim, sendo que eles eram os felizes pais de um casal de filhos, o menino com seis anos e a menina com dois anos de idade.

Eles ainda são nossos grandes amigos, e temos a honra de sermos chamados pelos filhos deles de “tio” e 'tia”, coisa que envaidece quem assim é tratado.

O casal morava num grande sobrado de alvenaria, construção muito antiga, mas bastante confortável. Era muito comum frequentarmos as casas um do outro, típica atitude em cidades pequenas.

Um pouco depois de nossos amigos terem decidido deixar Guajará-Mirim, pois iriam residir na capital, Porto Velho, coisas estranhas começaram a acontecer durante a noite naquela casa.

Quando faltavam trinta dias para a efetiva mudança, os acontecimentos estranhos entraram num crescendo, e isso tudo nos era narrado pelo casal amigo.

Segundo eles, as portas no pavimento superior do sobrado batiam, abrindo e fechando sem que se observasse qualquer corrente de vento.

Em seguida, houve uma evolução para pior: à noite, quando todos dormiam, o menino começou a ir até o quarto de seus pais, chamando-os, com medo:

  • Mamãe, papai, tem uma mulher loira lá no nosso quarto, e ela fica em pé perto do berço da maninha.

Segundo o menino, essa mulher loura ficava em pé, aos pés do berço da irmãzinha dele, olhando para ela. Sempre que isso ocorria, os pais iam até o quarto das crianças, mas nada viam. Isso ocorreu repetidas vezes.

Essas coisas fantasmagóricas – digamos assim – nos eram contadas pelos nossos amigos mas não nos preocupavam, pois podiam ser fruto da imaginação daquele menino de seis aninhos.

Como parte do processo de despedida de nossos amigos que iriam mudar para outra cidade, nós passamos a frequentar com mais assiduidade a casa deles. Foi numa dessas visitas que os insólitos acontecimentos entraram num novo patamar e envolveram a mim a a minha esposa.

Devo esclarecer que minha esposa tinha dons comprovados de mediunidade na área da psicografia, e eu já a vira “receber” - se assim posso dizer – mensagens de pessoas já falecidas. Desde que mudáramos para Rondônia ela não mais praticou a sua mediunidade, até por falta de ambiente para isso.

Um dia, chegamos na casa de nossos amigos no início da noite e fomos recebidos na parte inferior do sobrado, numa saleta com um barzinho, desses residenciais.

Quando eu e o meu amigo nos preparávamos para “molhar as palavras”, notei algo errado. Minha esposa estava bem esquisita, tipo sonolenta e aparentando estar passando mal.

Como eu já conhecia aquilo, pedi ao casal que desligasse a luz e que dessem à minha esposa lápis e papel.

Não deu outra. O lápis, naquele ambiente parcamente iluminado, começou a deslizar rapidamente pelo papel. Terminado o “trabalho”, pudemos verificar que se tratava, efetivamente, de uma mensagem psicografada.

O espírito de uma mulher nos dizia, na mensagem, que não queria assustar ninguém, mas que precisava de ajuda.

Superado o evento, continuamos normalmente com nossa visita (e nem poderia ser o contrário), deixando a mensagem com o casal.

Não é que nossa amiga tomou a si a tarefa de investigar aquilo tudo e ver se poderia ajudar aquela mulher que implorava ajuda?

Dia seguinte, ela procurou o grupo espírita da cidade e levou-lhe a mensagem recebida. Lá, ela foi muito bem acolhida e o grupo marcou uma sessão especial para, digamos assim, investigar o assunto.

Instalada a sessão, um dos médiuns incorporou o espírito da mulher, o qual confirmou que estava efetivamente na casa, presa de uma desgraça do passado. Ela deu, inclusive, o seu nome.

O espírito disse ainda que era de uma mulher, falecida aos 24 anos de idade, cuja morte deu-se pelo fato de ela ter cometido aborto contra o feto de uma menina que estava em seu ventre. O aborto deu errado e morreram ambas, mãe e filha.

O fantasma explicou que o motivo de sua angústia, e a causa de sua circulação pelo sobrado batendo portas, bem como de sua vigília junto ao berço da filha do casal, era a mudança próxima para outra cidade. Foi dito pelo médium que a sucessão de eventos mais recentes era fruto da que seria a última oportunidade de o fantasma da mulher pedir ajuda.

Velar pela filha do casal a ajudava a amenizar seu remorso por ter causado a morte de sua própria filha.

Com parte do mistério resolvida, nossa amiga resolveu ir mais fundo na questão.

Dirigiu-se ao cemitério de Guajará-Mirim e, consultando os registros, descobriu onde estavam o túmulo e a lápide da infeliz mulher, ex-futura mamãe.

Estava tudo lá. O nome, falecida aos 24 anos de idade, no ano de 1943. Já haviam se passado 42 anos de sua morte.

Na foto da lápide, podia-se ver que tratava-se de uma mulher loura.

Com todos esses dados em mãos, ficou mais fácil saber de outros detalhes relativos à fantasma. Ela tinha, quando fez o aborto que causou sua própria morte, mais três outros filhos. Um desses três filhos havia construído o sobrado, onde passara a morar após ter casado.

Quando esse filho casado teve uma filha, a fantasma passou a “velar” essa menina. Enfim, a fantasma teria ficado “presa” à residência por longos anos.

Esclarecidas as coisas estranhas que ocorriam no sobrado, que, convenhamos, são bastante extraordinárias, ainda um último fato veio à lume.

Vizinhos mais antigos do sobrado disseram que, às vezes, viam uma mulher loura na varanda e nas janelas do sobrado, mas pensavam que era uma moradora.

Esses são os fatos que eu soube na ocasião, e que resolvi contar agora. Nossos amigos mudaram-se para Porto Velho um mês depois, sem que qualquer outra atividade sobrenatural acontecesse no sobrado.


Um comentário:

  1. Que história,Impressionante. Conheço bem a mediunidade da Zilda, de fato recebi uma mensagem psicografada em um momento muito difícil e foi comprovada..

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