BRASIL
INGRATO
Nós,
os brasileiros, somos ingratos!
As
nossas vidas estavam tão boas, sob os cuidados do Partido dos
Trabalhadores – PT -, e mesmo assim nós fomos às ruas para
protestar e pedir a saída de nossa querida Presidenta. Aquela pessoa
que tão bem e maravilhosamente competenta cuidava de nossas vidas e
de nosso futuro, agora está encostada no Palácio da Alvorada, sem
comida e sem aviões.
Louvemos
a iniciativa de uma ex-atriz que lançou uma campanha na internet
para arrecadar alimentos, evitando, assim, que ela, famélica,
engrolasse ainda mais a sua língua, naquele seu linguajar estranho,
parecido com o português.
Temos
que parar de vibrar, como se fosse um gol da ex-seleção brasileira
de futebol (lembram-se de quando tínhamos uma?), a cada prisão de
um político corrupto!
Temos
que entender que eles roubam para um fim elevado, maior, que é o
nosso bem. Temos que entender que, se esses políticos desviam para o
próprio bolso um pouco do dinheiro roubado para nos trazer o bem,
isso também tem justificativa.
Eles
trabalham tanto, têm tantas reuniões secretas, viajam tanto para a
Suiça – a trabalho! -, que têm direito ao lazer no sítio, no
triplex, nas suas lanchas maravilhosas, nos seus carrões...
Devemos
admirar esses nossos líderes que, tão dedicados ao nosso bem-estar,
acabam levando seus filhos para a vida política, num sacrifício
supremo, que parece demonstrar cientificamente que os genes, ou o
DNA, direcionam pessoas para a vida política.
Acho
que está na hora de nos reciclarmos, expulsar a ingratidão de
nossos corações.
Devemos
nos unir e passar a exigir do Congresso Nacional que promova mudanças
na legislação!
Devemos
exigir a extinção do Poder Judiciário!
Devemos
exigir a extinção do Ministério Público!
Devemos
exigir a restrição da atuação das Polícias apenas para prender
ladrões de galinha e separar briga de bêbados!
Precisamos
de leis que acabem com esse negócio de eleição a cada dois anos!
Devemos devotar nossos esforços para que tenhamos apenas um partido
político.
Esse
partido político teria uma função ingrata, que seria a de
escolher, dentre seus integrantes, quem nos representaria, falaria
por nós, quem determinaria o que é certo ou errado e, enfim, nos
dispensasse de pensar, que isso é muito trabalhoso.
Esse
partido teria tanto trabalho para alcançarmos o bem-estar que
deveria ter um nome ligado a essa missão, alguma coisa como “Partido
do Trabalho”.
Alcançada
essa hegemonia, não existiriam mais os “eles”, apenas “nós”.
Precisaríamos,
quando muito, repetir refrões ensinados por nossos líderes. Querem
coisa melhor que isso? Não ter que pensar sobre cada assunto de sua
vida?
Por
exemplo, se devêssemos ser contra as enchentes do período chuvoso,
nossos líderes dariam a trilha sonora, algo como “Não vai ter
enchente!”.
Escolas
ruins de doer? Bastaria colocar comerciais televisivos com uma
musiquinha feita por um marqueteiro e tudo estaria resolvido.
Hospitais
em situação que pede uma urgente internação deles próprios?
Bastaria uma musiquinha do tipo “Saúde lá, lá, lá”.
Os
bandidos que hoje infernizam a vida em nossas cidades parariam de
cometer crimes, pois não teriam que se preocupar com a Polícia, sua
ex-adversária, agora destinada apenas a proteger galinheiros e
evitar brigas da pessoas alcoolizadas.
Mas
tudo isso é utopia. O Brasil tem poucas chances de alcançar a
felicidade suprema, como a conquistada pela Coreia do Norte, cuja
liderança, pela influência dos genes e do DNA, está a cargo do
neto, que sucedeu o pai, que sucedera o avô.
Talvez
vocês pensem que eu sou um pessimista com o futuro do Brasil, que
não tenho ideias para solucionar nossos problemas...
Bem,
eu tenho uma apenas.
Acho
que o Governo deveria criar um programa com o nome Bolsa Exterior,
cujas verbas financiariam os brasileiros para que passassem
temporadas fora do País, vendo as leis serem cumpridas, conhecendo
políticos que não são ladrões, sendo respeitado...
Será
que tenho chance de tornar-me político, com essa plafaforma de
trabalho e com esse meu projeto?
Pobre
Brasil...