domingo, 26 de junho de 2016

Brasil Ingrato

BRASIL INGRATO


Nós, os brasileiros, somos ingratos!

As nossas vidas estavam tão boas, sob os cuidados do Partido dos Trabalhadores – PT -, e mesmo assim nós fomos às ruas para protestar e pedir a saída de nossa querida Presidenta. Aquela pessoa que tão bem e maravilhosamente competenta cuidava de nossas vidas e de nosso futuro, agora está encostada no Palácio da Alvorada, sem comida e sem aviões.

Louvemos a iniciativa de uma ex-atriz que lançou uma campanha na internet para arrecadar alimentos, evitando, assim, que ela, famélica, engrolasse ainda mais a sua língua, naquele seu linguajar estranho, parecido com o português.

Temos que parar de vibrar, como se fosse um gol da ex-seleção brasileira de futebol (lembram-se de quando tínhamos uma?), a cada prisão de um político corrupto!

Temos que entender que eles roubam para um fim elevado, maior, que é o nosso bem. Temos que entender que, se esses políticos desviam para o próprio bolso um pouco do dinheiro roubado para nos trazer o bem, isso também tem justificativa.

Eles trabalham tanto, têm tantas reuniões secretas, viajam tanto para a Suiça – a trabalho! -, que têm direito ao lazer no sítio, no triplex, nas suas lanchas maravilhosas, nos seus carrões...

Devemos admirar esses nossos líderes que, tão dedicados ao nosso bem-estar, acabam levando seus filhos para a vida política, num sacrifício supremo, que parece demonstrar cientificamente que os genes, ou o DNA, direcionam pessoas para a vida política.

Acho que está na hora de nos reciclarmos, expulsar a ingratidão de nossos corações.

Devemos nos unir e passar a exigir do Congresso Nacional que promova mudanças na legislação!

Devemos exigir a extinção do Poder Judiciário!

Devemos exigir a extinção do Ministério Público!

Devemos exigir a restrição da atuação das Polícias apenas para prender ladrões de galinha e separar briga de bêbados!

Precisamos de leis que acabem com esse negócio de eleição a cada dois anos! Devemos devotar nossos esforços para que tenhamos apenas um partido político.

Esse partido político teria uma função ingrata, que seria a de escolher, dentre seus integrantes, quem nos representaria, falaria por nós, quem determinaria o que é certo ou errado e, enfim, nos dispensasse de pensar, que isso é muito trabalhoso.

Esse partido teria tanto trabalho para alcançarmos o bem-estar que deveria ter um nome ligado a essa missão, alguma coisa como “Partido do Trabalho”.

Alcançada essa hegemonia, não existiriam mais os “eles”, apenas “nós”.
Precisaríamos, quando muito, repetir refrões ensinados por nossos líderes. Querem coisa melhor que isso? Não ter que pensar sobre cada assunto de sua vida?

Por exemplo, se devêssemos ser contra as enchentes do período chuvoso, nossos líderes dariam a trilha sonora, algo como “Não vai ter enchente!”.

Escolas ruins de doer? Bastaria colocar comerciais televisivos com uma musiquinha feita por um marqueteiro e tudo estaria resolvido.

Hospitais em situação que pede uma urgente internação deles próprios? Bastaria uma musiquinha do tipo “Saúde lá, lá, lá”.

Os bandidos que hoje infernizam a vida em nossas cidades parariam de cometer crimes, pois não teriam que se preocupar com a Polícia, sua ex-adversária, agora destinada apenas a proteger galinheiros e evitar brigas da pessoas alcoolizadas.

Mas tudo isso é utopia. O Brasil tem poucas chances de alcançar a felicidade suprema, como a conquistada pela Coreia do Norte, cuja liderança, pela influência dos genes e do DNA, está a cargo do neto, que sucedeu o pai, que sucedera o avô.

Talvez vocês pensem que eu sou um pessimista com o futuro do Brasil, que não tenho ideias para solucionar nossos problemas...

Bem, eu tenho uma apenas.
Acho que o Governo deveria criar um programa com o nome Bolsa Exterior, cujas verbas financiariam os brasileiros para que passassem temporadas fora do País, vendo as leis serem cumpridas, conhecendo políticos que não são ladrões, sendo respeitado...

Será que tenho chance de tornar-me político, com essa plafaforma de trabalho e com esse meu projeto?

Pobre Brasil...

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Encontros casuais e amalucados

ENCONTROS CASUAIS E AMALUCADOS



Gosto muito de comparecer aos meus compromissos, aqui na cidade de Maringá-PR, quando as distâncias são razoáveis, caminhando. Dessa forma pedestre, adiciono mais uma atividade física às minhas caminhadas matinais e posso curtir a minha bela cidade natal, a chamada “Cidade Canção”.

Esse prazer é bastante aumentado por ter morado, antes da aposentadoria e retorno às origens, na cidade de Porto Velho, capital da minha querida Rondônia. A capital rondoniense, lastimo informá-los, está andrajosa, acabada, aos trapos.

Já foi uma cidade muito boa mas, depois de oito (!) longuíssimos anos de uma administração petista (será que se pode chamar de administração o que o PT fez com cidades, estados e o próprio Brasil?), as ruas são esburacadas, o trânsito é caótico e, para dizer pouco, o conjunto da urbe não agrada.

Mas o assunto deste “causo” não é este. Eu quero falar, agora, da fauna humana exótica que, quando se olha bem de perto, é estranha para os padrões médios.

Meus dois encontros casuais aconteceram com mulheres. Não, não acione o “pau-de-macarrão”, querida esposa. Vou narrá-los.

Andava eu pela Avenida Brasil, próximo ao centro de Maringá, quando ouvi alguém que parecia conversar comigo. Mesmo incrédulo dessa hipótese, olhei para o lado e confirmei. Uma mulher falava comigo.

  • Você mora em Maringá? - perguntou ela, olhando para mim. Eu respondi que sim.
Com a resposta afirmativa, ela emendou:

  • Tem alguma agência do Bradesco nesta região? Ou só tem no centro da cidade?

Como, a exemplo dos outros mortais comuns, eu não sabia a resposta, dado que os 'Trabucos” do Bradesco não me perguntam onde devem instalar agências do seu banco, enrolei.

Respondi que achava que o Bradesco só tinha agência no centro, próximo ao lugar onde estávamos. Assim, enquanto caminhávamos juntos, ela firme do meu lado, começou a dar explicações para sua busca:

  • É que eu tenho conta no Bradesco e no Itaú. Mas, a cada mês, eu deposito cento e cinquenta reais para gastar num desses bancos, e peço ao meu ex-marido para esconder o cartão do outro banco, senão eu gasto tudo...

  • Acontece que eu sou bipolar, e se eu ficar com os cartões dos dois bancos, eu gasto demais... meu médico diz que eu sou completamente doida...

  • Olha, eu vou entrar nessa loja aqui em frente e vou gastar. Depois eu vou no banco Bradesco, está bem?

Dito isso, ela virou bruscamente e mudou de direção, enquanto eu, seu confidente temporário, rumei para o comum da minha vida.

O segundo encontro casual ocorreu no dia seguinte. Eu caminhava por uma rua em direção à minha tortura semanal com meu fisioterapeuta (tortura aplicada tanto com alongamentos doloridos quanto com piadas infames...), quando, atravessando um sinal de trânsito aberto, este se fechou bem no meio das pistas.

Notei que, a meu lado, caminhava uma jovem mãe empurrando o carrinho com seu bebê.

Vi que ela, ao parar quando o sinal se fechou para nós, deixou boa parte da dianteira do carrinho de bebê – junto com o dito bebê! - avançada sobre a rua, muito perto dos carros que iriam arrancar novamente depois da parada semafórica.

Preocupado, eu lhe disse:

  • Minha senhora, puxe esse carrinho um pouco para trás, é perigoso.

Ela olhou para mim, puxou levemente o carrinho para trás e, vendo alguma coisa desajustada na parte de baixo do bebemóvel, deu-me o seu guardachuvas para segurar enquanto consertava a suspensão do veículo.

Eu ainda estava preocupado com a pequena distância que separava o carrinho de bebê das rodas dos carros quando ela arrematou:

  • É, esses carro é tudo louco, né?

Acho que o filho dela, se e quando crescer, sobrevivendo aos passeios com a mamãe, vai concordar comigo que não são apenas “os carro” que são “tudo louco”, né??