segunda-feira, 24 de março de 2014

Expulsando os intrusos: vitória fantasmagórica

EXPULSANDO OS INTRUSOS: VITÓRIA FANTASMAGÓRICA



Nesse “causo”, eu vou abordar um acontecimento que eu próprio não vivenciei, mas que me foi contado por um dos principais envolvidos. Os acontecimentos tiveram seu palco na cidade de Rolim de Moura, lá em Rondônia.

Na época dos fatos aqui narrados, eu era Corregedor-Geral do Ministério Público e, por força da função, viajava por todo o Estado de Rondônia visitando as Promotorias de Justiça. Numa dessas viagens, tive conhecimento dos fatos que agora vou narrar.

Um Promotor de Justiça, depois de ser designado para exercer suas funções na cidade de Rolim de Moura, logo tomou a providência primeira: procurar uma casa para instalar sua família.

É sabido que, nas pequenas cidades, as dificuldades para se encontrar um bom imóvel para comprar ou alugar são imensas, dada a exiguidade das opções.

Mas, contrariando essa regra de mercado, o Promotor logo encontrou uma casa que parecia ótima. Construída em alvenaria, com bons aposentos, churrasqueira e – cereja do bolo – uma bela piscina.

Arrematando tudo isso, o aluguel era bem modesto em termos de valor. Parecia que o Promotor tinha tido um rasgo de sorte, coisa que os fatos futuros iriam desmentir de forma cabal.

Mudança feita, família instalada na nova casa, o Promotor decidiu que poderia se dedicar ao trabalho na nova Promotoria de Justiça para a qual fora promovido.

Mas... coisas estranhas começaram a acontecer.

Vou contar apenas alguns desses acontecimentos, até porque tenho que recorrer à memória, vez que deles tive conhecimento há já algum tempo.

O Promotor, à noite, em sua residência, confortavelmente instalado na poltrona da sala para assistir o noticiário televisivo, notou que seu filho, de parca idade, olhava fixamente para um dos cantos da sala.

Em seguida, demonstrando medo de alguma coisa, o menino correu para o colo do pai. Como crianças de pouca idade têm percepções que nós adultos não temos (ou vemos), o pai julgou que aquilo era fruto da imaginação do filho.

Às vezes, altas horas da noite, com todos já dormindo, a família ouvia alguém bater fortemente na porta de entrada, chamando o Promotor pelo seu nome. Pensando que tratava-se de alguém clamando por sua ajuda, o Promotor abria a porta e nada ouvia ou encontrava.

Um dia, no meio da tarde, a empregada doméstica tirava um cochilo, já que as coisas estavam calmas e a família estava toda fora de casa. Ela foi acordada, de repente, por uma forte batida em sua janela, acompanhada de um grito: “Acorda, que seu patrão está chegando!”

O pior é que, logo depois disso, o Promotor realmente chegou em casa, mais cedo do que o costume.

Embora estranhasse essas coisas inexplicáveis à luz da razão, a família seguiu sua vida, até porque nada de mais expressivo havia ocorrido até então.

Mas, inesperadamente, deu-se um episódio que – digamos assim - “acelerou” os acontecimentos.

Chegou na casa do Promotor, em visita, um parente próximo e que era dotado de dons espirituais, ou mediúnicos.

Em conversas, foram a ele narrados os eventos estranhos da casa e este ficou de investigar. Já tarde da noite, o casal foi deitar-se, deixando o parente com a empregada da casa, que iria aprontar o aposento destinado a ele, “fazendo a cama” e fornecendo-lhe toalhas e outros itens necessários.

Logo depois de se deitar, o casal foi chamado, às pressas, pela empregada:

  • Por favor, venham depressa ver, pois seu parente está muito estranho.

O Promotor, sua esposa e a empregada dirigiram-se, então, ao quarto onde estava o hóspede. Quando lá chegaram, este estava sentado na cama, com um olhar esquisito e falando (ou seria engrolando?) palavras incompreensíveis.

Logo depois, as gavetas de um armário próximo à cama começaram a abrirem-se e fecharem-se violentamente, com forte estrondo.

Em seguida, as coisas acalmaram-se. Mas aquilo foi a chamada “gota d'água” para a família.

Todos fizeram as malas rapidamente, saindo da casa. Foram para um hotel da cidade, pois ficara evidente que havia algo errado com a casa.

No dia seguinte, pela manhã (mas com o sol já bem alto, para não facilitar) o Promotor foi sozinho até a casa para retirar documentos e outras coisas indispensáveis. Nada aconteceu.

Após acomodar a família numa outra casa emprestada, o Promotor dedicou-se a procurar outro imóvel para alugar.

Encontrada a nova casa, o Promotor contratou o aluguel da que seria a futura residência da sua família. Em seguida, contratou uma transportadora local para fazer a mudança dos móveis.

Quando já estavam no processo de arrumação dos móveis na nova casa, o transportador foi até a Promotoria de Justiça para receber pelos seus serviços.

O Promotor fez o pagamento devido, mas o sujeito disse para ele, com um ar misterioso, que sabia o motivo pelo qual ele havia mudado de casa.

  • Como assim, o senhor sabe porque eu mudei daquela casa?

A resposta que ele recebeu parece resumir, com exatidão, os eventos inexplicáveis narrados neste “causo”:

  • Doutor, quando nós já havíamos retirado todos os seus móveis, eu fiz uma última vistoria pela casa e, depois que eu fechei com chave a porta de entrada, eu ouvi uma gritaria assombrosa dentro da casa, junto com o que pareciam muitas mãos batendo de contentamento nas paredes de dentro da casa.

O caso deste “causo” é uma comprovação de que, neste mundo, há muitas coisas que as religiões, e mesmo a ciência, não conseguem explicar. Existem, certamente, coisas que nossos sentidos não percebem.

Mas que elas estão lá, isso estão...

Encerrando o “causo”, até quando acompanhei a casa não mais foi alugada. Quem teria a coragem?