PROEZA
ETÍLICA
Logo que cheguei a Rondônia,
mais precisamente para ser Promotor na cidade de Costa Marques, ouvi
falar muito de uma cerveja boliviana, que seria muito boa e mais
forte em percentual de álcool.
Tratava-se da Cerveza
Paceña, nome dado à cerveja
que é fabricada na cidade de La Paz, capital da Bolívia.
A
Paceña tem teor
alcoólico (11,6%) maior que as cervejas brasileiras. O que a
distingue é o fato de ela ser fabricada em altitude de 3.600
metros acima do nível do mar, utilizando a puríssima água da
Cordilheira dos Andes.
Quando
fui ser Promotor em Guajará-Mirim, logo perguntei sobre a Paceña,
de tanto que dela ouvira falar.
Entre
os oficiais de Justiça de Guajará-Mirim havia o Durán, brasileiro
apesar do nome. Foi ele quem disse-me um dia que ele e outros colegas
da mesma função dele iriam cruzar a fronteira comigo, adentrando na
Bolívia e na cidade de Guayaramerin,
para “apresentar-me” a bebida.
Assim,
numa bela manhã de sábado, Durán e outros dois oficiais de Justiça
passaram em minha casa e convidaram-me para conhecer a tal cerveja
boliviana. Sedento (trocadilho mesmo) de cultura, aceitei o convite e
para lá fomos.
Já
instalados na mesa de um bar lá na Bolívia, Durán e seus colegas
pediram logo ao atendente que trouxesse três Paceñas.
Enquanto
bebíamos a cerveja e conversávamos, notei que Durán e os outros
dois trocavam olhares entre si. Como eu os conhecia havia pouco
tempo, fiz que não notei nada.
A
explicação para a troca de olhares veio logo. Quando “secamos”
as três garrafas servidas, Durán perguntou-me, com um ar malicioso,
se eu gostaria que eles pedissem mais cervejas.
Entendi,
então, que eles esperavam que, com as três cervejas bebidas, com
seu teor alcoólico mais forte, eu estivesse borracho
– usemos a língua local -, ou pelo menos um pouco bêbado.
Acho
que eles pensavam que iriam ter que me levar, aos trancos barrancos,
de volta para o Brasil. Mas a cara deles foi de espanto com essa minha
resposta:
- Sim, é claro, Durán, vamos pedir mais três Paceñas, que essa cerveja é boa demais. Mas gostaria que você, que fala bem o castelhano, perguntasse ao dono do bar se ele não teria aí uma pinguinha, que é costume da minha terra tomar uma cachacinha antes da cerveja, que é para “limpar as turbinas”.
Pasmo
total, e uma certa frustração, foi o que eu vi nas caras dos meus
colegas de turismo alcoólico internacional.
Eles
pediram as outras Paceñas
para
bebermos. Infelizmente para mim, o bar não tinha a danada da
pinguinha.
Durán,
agora confessando que esperavam ver-me “baleado” pela Cerveza
Paceña,
disse para os seus colegas:
-
Viram com quem nós fomos mexer? O homem é forte! Doutor, sorte que
o bar não tem a pinguinha, porque se tivesse o senhor é quem teria
que levar a gente de volta.
Fiquei
sabendo que o Promotor de Justiça que me antecedera na comarca de
Guajará-Mirim era abstêmio, e que só bebia refrigerantes e sucos.
Foi essa a razão do convite e da expectativa baldada, pois queriam
ver como o novo Promotor da comarca saía dessa aventura.
Certamente
este “causo” seria melhor para minha imagem se eu tivesse
surpreendido as pessoas com o meu conhecimento das coisas do Direito,
mas fica registrada aqui minha proeza etílica.
ResponderExcluir_ Aqui é pé vermelho !
é nóis !