quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fantasma querendo Justiça!

Esse “causo” é do balacobaco. Em meados de 1984 eu era Promotor de Justiça na cidade de Cerejeiras, sul de Rondônia. Eu estava prestes a fazer quatro júris, relativos a crimes bárbaros e violentos, ocorridos na região.

Um pouco antes do início dos júris, meus pais chegam do Paraná, acompanhando minha esposa e filhos, que passariam a morar em terras rondonianas.

Depois de eu fazer o primeiro júri, na manhã seguinte, minha mãe reclamou que tinha tido dificuldades para dormir à noite. A razão, segundo ela, era que, quando apagava a vela em seu quarto de dormir, aparecia um fantasma.

Faço um parêntese para explicar a presença da vela. Em Cerejeiras a energia elétrica era fornecida somente das 17:00 horas até as 23:00 horas. Isso é típico do sofrimento imposto aos pioneiros.

Segundo minha querida mãezinha, o fantasma que lhe aparecia era um homem, todo ensanguentado, que lhe implorava para dar-lhe (ao fantasma) um machado, pois ele precisava se vingar. Minha mãe acrescentou que, após a aparição, ela acendeu novamente a vela, fez uma prece e voltou a deitar-se a a apagar a vela.

Mas o fantasma não desistiu e, a cada vez que minha mãe apagava a vela, o sujeito reaparecia, clamando por vingança.

Eu disse a ela que não poderia fazer nada, até porque fantasmas não estão obrigados a cumprir nossas lei e muito menos o Código Penal (que crime seria? Perturbação do sossego alheio?).

Registre-se que, se o fantasma tivesse mexido comigo, o resultado seria completamente diferente: quando ele fosse aparecer pela segunda vez, não me acharia mais no quarto, e sim em algum lugar a vários quilômetros de distância.

Naquela tarde, saí para fazer um outro júri e, ao final, como de costume, eu trouxe o processo relativo ao júri do dia seguinte para estudá-lo melhor e poder apresentar o caso aos jurados.

Então, na manhã do outro dia, lá estava eu, sentado à uma mesa, com o processo aberto e fazendo anotações.

Tratava-se de um crime em que foram mortos pai e filho, no centro da cidade, sendo que o pai recebeu dezenas de tiros, tudo motivado por briga relativa a posse de terras.

Então, quando eu cheguei na parte do processo onde estavam as fotos das vítimas, nos lugares onde estas haviam caído mortas, aconteceu uma coisa que até hoje considero sem explicação razoável!

Minha mãe passou por trás de onde eu estava sentado e, ao ver as fotos do pai assassinado, gritou: “Era esse o homem que apareceu ontem à noite!”.

O mundo está cheio de coisas estranhas e sem explicação e esta é uma delas, a exemplo de uma outra: nas jogadas estratégicas do truco, meu irmão imediatamente mais novo sempre aparece com um zape e um sete de copas. Como diria William Shakespeare, “existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

4 comentários:

  1. Infelizmente, participei deste episódio e, felizmente, não tive conhecimento dos fatos na ocasião .

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  2. Um aparece com o Sapé ou sete copas é o mais novo? Explica aí Dr. Osmar. Abraço esses causos traz recordação da nossa Cerejeiras.

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  3. Essa do sapê e do sete copas sou testemunha ocular, muitas vezes derrotado?

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  4. Conheço alguém que sempre sai com o casal maior também. Inexplicável! E ainda bem que nunca topei com um fantasma! Abração, facãozeiro!

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