NÃO
ME SEGURA, QUE EU SEGURO VOCÊ...
Certo dia estamos eu e minha
esposa na sede campestre da Associação dos Promotores e
Procuradores do Ministério Público de Rondônia, curtindo um final
de semana.
Essa sede campestre é um lugar
paradisíaco às margens da represa da Usina de Samuel, que fica a
uns 45 quilômetros de Porto Velho.
Logo depois do almoço, chegou
por lá um colega Promotor, que viajava a caminho de sua comarca no
interior do Estado, pretendendo fazer uma pequena parada e tomar uma
água gelada.
Colegas que éramos,
conversamos um pouco e ele despediu-se, retornando ao seu carro, uma
camionete, para continuar sua viagem.
Passado algum tempo, vimos que
a camionete do Promotor vinha de retorno, e fomos logo em sua
direção, pensando que havia ocorrido algum problema. Estávamos
certos, e como!
Esse colega Promotor, homem
curioso e apreciador da natureza, dirigia pela estradinha de macadame
que liga a sede campestre à BR-364, estrada que corta o Estado de
Rondônia, para continuar sua viagem de retorno.
De repente, ele avista, na
margem da estradinha, uma cobra jiboia. Não deu outra: parou o seu
veículo e foi ver de perto a cobra, pois a jiboia não é venenosa.
Esse tipo de cobra mata suas
vítimas (melhor seria dizer seu alimento) pela constrição do
corpo, que paralisa a circulação sanguínea até a morte. Seu agir
é igual ao da famosa sucuri, ou anaconda.
Experiente, o Promotor, agindo
rapidamente, conseguiu pegar a cobra com uma das mãos, logo abaixo
da cabeça, o que impedia a jiboia de mordê-lo.
Como este blog também é
cultura, esclareço que a jiboia tem os dentes curvados para dentro.
Se ela crava os dentes em alguém, não há como sair da situação,
a menos que se abra bem a boca do ofídio e se puxe o membro mordido
na direção correta.
Presa a jiboia, o Promotor não
contava com a reação dela. Ela enrolou-se fortemente ao longo do
seu braço e começou a apertar!
Ele bem que tentou, com a outra
mão, desenrolar a cobra do seu braço, mas a bichinha era muito
forte.
Assim, ele teve que,
cuidadosamente, retornar à sua camionete, deixando para fora da
janela o braço com a cobra enrolada e, com um braço só, dar
partida e fazer a difícil manobra de retorno. Lembremo-nos de que
era uma estradinha de macadame, estreita, o que dificulta fazer o
retorno com o carro.
Mas ele conseguiu. Quando
chegou novamente à campestre, logo vimos o braço para fora do
carro, com uma baita jiboia nele enrolada, e entendemos a situação
do colega.
É claro que nós o ajudamos a
livrar-se da jiboia que, quanto mais irritada ficava com a situação
(ela não estava quietinha na estrada?), mais apertava o braço do
Promotor.
Depois de dar muita risada com
a desventura do “domador de cobras”, nós a colocamos de novo, a
salvo, na mata.
O Promotor voltou em paz à sua
comarca, com mais uma história para contar a seus filhos.
Mas que homem louco (pra ser comedida). Que ele pensava ou queria com este feito? Estava querendo um pet de estimação?será que alguém perguntou?
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