sábado, 26 de maio de 2018

Notícias do Brasil


NOTÍCIAS DO BRASIL


Já que, para minha surpresa, o Blog tem leitores em outros países – alguns longínquos – vou tentar atualizá-los sobre os dias que correm nestas terras tupiniquins.

Já que usei a expressão tupiniquins, devo esclarecer que alguns costumam referir-se ao nosso Brasil-velho-de-guerra como sendo a terra dos índios Tupiniquins (que antes já foram chamados de Topinaquis, Tupinaquis e Tupinanquis).

Essas tribos indígenas existiram (e ainda existem) num lugar chamado Espírito Santo. Na verdade, eles habitavam a região entre a Bahia e o tal do Espírito Santo.

Mas poucas pessoas conhecem ou ouviram falar sobre os índios tupiniquins, bem como muito pouca gente conhece – ou ouviu falar – sobre o Espírito Santo, um estado brasileiro que muita gente nem sabe onde fica.

Meus conhecimentos a respeito desse estado limitam-se ao que aprendi na Escola Primária: Estado do Espírito Santo, capital Vitória. Estranho? Não!

Eu nunca conheci alguém que tivesse dito que era nascido no Espírito Santo, ou tinha vindo de viagem do Espírito Santo...fala-se mais desse nome nas igrejas.

Procurem no mapa. Esse Estado fica “lá para cima” dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e “lá para baixo” dos Estados do Nordeste.

Os tupiniquins tratavam a terra como uma posse comunal, pois qualquer grupo familiar poderia cultivar onde bem entendesse, sem demarcações. Como se vê, os comunistas, que se acham os inovadores sociais, tinham antecessores bem antes do “descobrimento” e posteriores “ensinamentos” sociais e religiosos.

Os tupiniquins também mimetizavam – sem saber – o organograma social da Europa, pois havia clara divisão entre os que caçavam, os que caçavam e os que plantavam e faziam farinha. Será que havia os que que “trancavam” as trilhas e queimavam folhas verdes para fazer fumaça, como forma de fazer protestos?

Talvez – quem sabe! - se os europeus, notadamente os portugueses, não tivessem “descoberto” e “civilizado” o Brasil, nós seríamos hoje um país mais organizado, mais eficiente e menos bagunçado, onde não apenas os ladrões do dinheiro público sejam altamente organizados.

Mas eu quero mesmo é dar notícias do Brasil de hoje.

Nossa evolução como povo dá-se rapidamente, mas com a marcha-à-ré engatada. Nosso governo atual gasta dinheiro para anunciar que fez-nos retroceder 20 anos em dois!

Nossa incapacidade política explode como uma festa carnavalesca! Depois de elegermos o Lula da Silva como o Presidente que nos faria entrar no Paraíso, com rios de mel jorrando de dinheiros públicos criados pela mera “vontade política” dos gênios do Partido dos Trabalhadores (PT) e de Lula da Silva, caímos nessa enorme crise econômica, com milhões de desempregados.

Hoje o nosso “paraíso” tem pessoas que, mais involuídas que os demais (que burros esses “demais”...), clamam por um golpe militar, crentes de que a mera movimentação de tanques de guerra e soldados portando fuzis cheios de tiros resolverão nossos problemas econômicos e nos farão entrar no exclusivo clube dos países de primeiro mundo.

Também temos pessoas que pensam (o verbo pensar, aqui, é usado com licença poética) que para o Brasil melhorar bastaria copiarmos o modelo político altamente desenvolvido de gigantes como a extinta União das Repúlicas Socialistas Soviéticas – URSS, Cuba, Coreia do Norte ou a cereja do bolo, a Venezuela.

Particularizando condutas, temos brasileiros que, solidários com os caminhoneiros em greve que paralisam a Nação, deixando secos de combustível os carros, caminhões e aviões, levam-lhes café quente, pão e mortadela, aproveitando para passar no posto de gasolina e levar para casa um galão com gasolina (não pode faltar para mim, os outros que se cuidem...).

O Brasil de hoje, acreditem, é uma enorme e organizada bagunça. Se os políticos podem roubar, roubam, porque sempre haverá um ministro-juiz para dar-lhes liberdade.

Se o sujeito quer ouvir música bem alto durante a noite e na madrugada, pode, pois ninguém o perturbará.

As leis de trânsito (?), são coisas para os bobalhões, e a maioria dos nossos motoristas não fazem a menor ideia de que existem sinalizadores (setas) nos seus carros, avisando que vão mudar de direção, ou mesmo limites de velocidade, e que passam por cima de tudo e de todos...

Pagar impostos? Para quê? Deixa para lá que sempre vem um vereador ou deputado criando projeto de lei para anistiar os coitadinhos endividados com os impostos extorsivos (mas pagos pelos honestos) ...

Se os eleitores evoluíssem (para a frente, é claro), poderíamos mudar as coisas neste Brasil tão anti-tupiniquim. Mas como saber se os votos seriam realmente computados pelas brasileiríssimas urnas eletrônicas?

Terminada a eleição, em apuração secretíssima, divulgam-se os resultados e você só pode aceitar, pois não há qualquer modo de contestar os resultados.

Sem falar que, para você exercitar o direito obrigatório do voto, você tem que, vezes sem conta, comparecer aos cartórios da jabuticabal Justiça Eleitoral para cumprir alguma exigência criada por um gênio judicial em seu gabinete com ar refrigerado.

Vejam que a tal da Justiça Eleitoral resolveu fazer o cadastramento biométrico de todos os eleitores do Brasil, um portento da tecnologia onde você comparece, em dias de eleições, à sua sessão e é identificado apenas pelas suas impressões digitais.

Milhões de brasileiros foram incomodados, tendo que deixar seu trabalho para se recadastrarem, milhões de reais foram gastos e … pffff.

Eu, por exemplo, pobre mortal premiado com o direito obrigatório, em todas as vezes em que fui votar, não fui identificado pelas ranhuras do dedo, tendo que apresentar documento de identidade provando que eu sou eu...

Finalizo dizendo que, pelas ruas do Brasil, é enorme a quantidade de pessoas que, se pudessem, iriam embora daqui, deixando a classe política (aqui traduzida como pessoas que não querem trabalhar) para roubar e viajar de jatinhos da Força Aérea Brasileira – FAB, o quanto quisessem..

É desânimo?

É!




domingo, 29 de abril de 2018

Politicamente correto? Não, mas...


POLITICAMENTE CORRETO? NÃO, MAS...



É um mistério, pelo menos para mim, como se encadeiam as circunstâncias que acabam por definir a vida das pessoas, como elas chegam a determinado ponto que acaba por definir suas vidas.

Isso pode ser traduzido no dito popular que se refere às voltas que o mundo dá. Um exemplo muito claro do que digo aqui é o caso do Mike Tyson, o espetacular pugilista que, nos anos 1980, espantou o mundo com a violência dos seus golpes.

Mike Tyson disparava potentes socos, que levavam à lona e ao nocaute seus adversários no ringue ainda nos minutos iniciais das lutas em que ele punha em disputa seu título de campeão mundial dos pesos pesados.

Esse extraordinário lutador veio de uma infância difícil, abandonado pelo pai aos dois anos de idade, passou pela delinquência criminal e uma internação em reformatório. Foi no reformatório que descobriu-se seu talento para o boxe, o que definiu seu futuro (pelo menos o mais próximo), ficando para a história como um campeão mundial invencível e cheio de dinheiro.

É bem verdade que ele colocou tudo a perder, envolvendo-se numa acusação de crime de estupro que o colocou numa penitenciária e dissolveu seu sucesso, bem como a muita grana que conseguira.

Essa introdução é feita para reforçar o que eu disse antes sobre as circunstâncias que moldam o nosso futuro.

Foi assim comigo. As circunstâncias pessoais, familiares e econômicas levaram-me a exercer, por algum tempo, a profissão de vendedor-viajante de auto-peças. Eu viajava pelo noroeste do Estado do Paraná, a serviço da ótima (e hoje extinta) Hermes Macedo S/A, vendendo peças de reposição para automóveis.

Minha clientela eram as lojas de Auto Peças, cujos donos (alguns deles, pelo menos) eram verdadeiras “peças” (serviço cultural: peças, no sentido de figuras extravagantes, engraçadas, cheias de manhas), sobre as quais pretendo um dia, no futuro, contar aqui no Blog.

Enquanto fui viajante-vendedor, tinha que, a cada quinze dias, comparecer a reuniões estratégicas na cidade de Londrina, próxima a Maringá (na época, 120 kms; hoje, 80 kms).

Para economizar, eu me juntava a outros vendedores-viajantes e íamos todos num carro só para as reuniões de trabalho.

Se a clientela tinha muitas peças, os vendedores constituiam uma fauna ainda mais especial, a maioria deles engraçadíssimos, o que tornava as viagens quinzenais uma verdadeira terapia, com muitas risadas.

O causo de hoje vai falar sobre o Nestor, um figuraça que ficou guardado na minha memória (o que justifica contar sobre ele no Blog), dotado de um humor ferino, mordaz mesmo.

Viajávamos de Fusca (por um bom tempo o único carro possível para a classe média trabalhadora do Brasil, na Economia fechada dos anos 1970), comigo na direção e com o Nestor sentado ao meu lado, na “carona”.

Quando estávamos atravessando uma cidadezinha (dentre as várias entre Maringá e Londrina), o Nestor vê um sujeito fortíssimo, parrudo mesmo, pedalando uma bicicleta.

Ele não se segurou, e debruçando-se sobre a janela do Fusca, soltou:

  • E aí, negão?!?! Roubou a bicicleta e está levando, hein??

Como o sujeito tivesse ficado indignado com a ofensa, começando a gritar ameaças, o Nestor começou a gargalhar, feliz com a própria “sacanagem”, dizendo que o Negão ficara muito bravo.

Pelo retrovisor, eu o avisei de que o Negão parecia furioso e pedalava, também furiosamente, a sua bicicleta, tentando nos alcançar.

Nestor, como estávamos de carro, não demonstrou preocupação. Contudo, duas quadras adiante, havia um sinaleiro (semáforo) e, quando chegamos ao cruzamento, ele estava fechado.

Cumpridor das leis de trânsito, parei o veículo (é ótimo chamar o Fusca de veículo...) e, olhando outra vez pelo retrovisor, avisei ao Nestor que o sujeito, com todo o jeito de enfurecido, ainda vinha pedalando, tentando nos alcançar.

Como eu já disse, o Negão era bem forte e o Nestor, olhando para trás, sentiu o perigo da situação. Começou, então a gritar, apavorado:

  • Fura o sinal, Osmar!! Fura o sinal, Osmar!!! Vai, vai, vai!!

Fiquei entre a cruz e a espada, monitorando a futura abertura do sinal para verde e o Negão injustamente ofendido, que se aproximava como se fosse uma locomotiva, daquelas tipo Maria Fumaça.

O sinal abriu!!

Como também podia “sobrar” para mim, dada a fúria do Negão, arranquei com toda a velocidade possível e logo deixamos para trás a ameaça justa e iminente.

Nestor demorou a se recuperar da “gracinha” mal calculada, mas seguiu com sua vida de figuraça.

A moral deste causo? Evidente: não mexa em quem está quieto pedalando.

Esse período, o de ganhar a vida como vendedor-viajante, possibilitou-me continuar os estudos, ingressar na Faculdade de Direito e, finalmente, tornar-me Promotor de Justiça, o que veio a definir minha trajetória pela vida.

Neste tempos de politicamente incorreto que hoje vivemos, explico o título da postagem e o próprio ocorrido. Naqueles dias, brincávamos sem policiamento sobre a cor das pessoas, sua orientação sexual, etc.

Não havia, em meu entender (e não estou sozinho neste entendimento), nenhuma maldade nisso. Ou não, como diria Caetano Veloso...

sábado, 28 de abril de 2018

O quase matador do ex-matador


O QUASE MATADOR DO EX-MATADOR


O sujeito chegou, de carona, naquela cidadezinha do interior de Rondônia. Poeira infernal na estrada para ali chegar. Ele pensava que aquele pó, entrando nas narinas e nos olhos, e acabando de emporcalhar suas roupas, teria um fim dentro da urbe.

Nada disso. As ruas poeirentas e pouco movimentadas davam-lhe uma ideia do cafundó em que ele se metera.

O desânimo logo passou quando ele pensou na boa grana que iria receber para fazer “um serviço” naquela cidadezinha. Quase que automaticamente, ao pensar no “trabalho” que o esperava, ele levou a mão à cintura, onde estava bem dissimulado um revólver calibre 38.

Sua arma não era uma qualquer. Ele era profissional da morte, da “morte matada”, como se dizia em sua terra natal.

Seu Rossi, calibre 38, de seis tiros no tambor, apesar de bem antigo, herdado de seu avô, que também exercera a atividade de matador, era bem conservado, sendo limpo e lubrificado todos os dias.

A arma tinha ainda uma caraterística especial: na parte final do cabo do revólver, abaixo de onde fica o punho, estava fixada a figura de um santo.

Por quê o santo?

Como o matador era profissional das antigas, ao fechar o contrato para matar a vítima com o mandante do assassínio, ele “jurava” o futuro defunto mostrando o santo no cabo do revólver. Assim, como ele mesmo dizia, “pegava réiva” da vítima e dava ao contratante a certeza de que seu desafeto iria morrer.

Depois de se instalar numa hospedaria pulguenta, ele saiu para procurar saber onde poderia encontrar o futuro morto e planejar como iria executar o assassinato.

Pergunta ali, pergunta acolá, ele saiu pela cidadezinha. Todos a quem abordou, depois de ouvir o nome de quem ele procurava, o olhavam de forma estranha e diziam não conhecer o sujeito.

Após circular pela cidade – e aumentar um pouco mais o nível de poeira que sujava suas roupas -, ele decidiu retornar à hospedaria para um descanso, embora já preocupado com o fato de não ter sabido onde encontrar o “alvo” do seu contrato.

Tomou um banho e teve que colocar as mesmas roupas sujas de poeira, pois esse negócio de troca de roupa é coisa para gente chique. Ele não. Era matador, e dos bons...

Ao lado da hospedaria havia um boteco, sujo e malcheiroso, mas tinha o que ele queria, ou seja, uma boa pinguinha. O matador decidiu, então, ficar um pouco na bodega, tomando uma “branquinha” e aproveitando para “assuntar” sobre quem era a sua futura vítima.

Já bem tarde da noite, o barzinho iluminado fracamente pela chama tremeluzente de uma lamparina, apareceu por lá um típico “pé inchado” que, convidado a “tomar uma”, sentou-se com o matador na mesinha cheia de moscas.

O “pé inchado” é aquele sujeito que passa o dia inteiro no bar tomando pinga em cima de pinga (e é essa a razão do pé inchado) e falando mal do governo, qualquer governo, que “não faz merda nenhuma”.

Com os olhos já meio esgazeados pela imensa quantidade de pinga ingerida, o “pé inchado”, ao ouvir o matador perguntar sobre quem era a pessoa que ele deveria matar, fez um olhar assustado e perguntou:

  • O que você quer com esse sujeito? Deus me livre! Esse cara é pirigoso dimais da conta, sô... Cuidado com ele, se você tiver negócios com o cara. Ele tem fama de brabo e já matou vários desafetos aqui na região.

O matador, com o sentido prático dos profissionais do “ramo”, logo pensou que havia cobrado barato demais para fazer desviver o desinfeliz. Mas o “pé inchado” continuou falando sobre o sujeito, a quem comparou com o demônio. Ele acrescentou:

  • Ouvi dizer que ele está tiririca da vida, pois lhe contaram que seu inimigo, num causo de terras, contratou um pistoleiro para matar ele. Eu soube até que o pistoleiro já andou pela cidade perguntando sobre onde ele mora...

Tendo visto que o trabalho seria mais difícil do que pensara, e que sua chegada na cidade já era fato sabido, o matador, por sua vez também com a cabeça cheia de pinga, resolveu ir dormir para aclarar as ideias.

No dia seguinte, ao acordar, abriu a porta do seu quarto e, para sua surpresa, encontrou uma vela acesa defronte, ali colocada pelo piedoso dono da hospedaria.

Que enrascada, ele pensou. A “empreita” era para lá de ruim. Depois de muito pensar, o matador resolveu “desjurar” a vítima, e que o santo e o mandante o perdoassem.

Mas como bater em retirada? Se o sujeito era tão perigoso como parecia, certamente, ao sair da cidade, a vítima acabaria sendo ele, morto pelo ex-futuro morto.

Um tanto de covardia já se insinuava no espírito do nosso matador, mas ele descartou a ideia de pedir proteção à Polícia, já que o ridículo dessa situação era flagrante.

Após dar trabalho ao cérebro atormentado pelas dores de cabeça causadas pela ressaca da cachaça de péssima qualidade, ele achou ter encontrado uma saída brilhante: daria um jeito de ser preso.

Logo passou à ação. Retornou ao bar e parou em frente do dono, que estava no balcão, segurando uma pano imundo para espantar as moscas que giravam, insanas, pelo local.

Depois de um olhar provocativo para o dono do bar, o matador disse a ele:

  • Não gostei do formato do seu nariz! Deixe-me consertá-lo!
Dito isso, enfiou um forte soco na cara do dono do bar, espatifando o nariz dele, de resto já avermelhado e detonado pelo consumo excessivo de bebida alcoólica.

Como o assustado dono do bar nada fizesse, não entendendo a razão daquela agressão. Nosso matador tomou a iniciativa:

  • Quebrei o seu nariz! Você tem que chamar a Polícia...
Que Polícia, que nada. O dono do bar entrou para os fundos do seu “estabelecimento” e chamou a sua mulher que, furiosa, avançou contra o matador, brandindo uma mortífera vassoura.
Nosso heroi correu, é lógico.

Frustrado o brilhante plano que o colocaria protegido numa cela da cadeia local, restou ao matador partir para um plano alternativo e ainda não imaginado.

Logo seus olhos assustados viram, na mesma rua, uma igrejinha, com alguns fieis na frente. Taí – pensou – é me pendurando na religião que eu saio dessa. Entrou correndo no templo e já foi gritando:

  • Eu quero a salvação, eu quero a salvação! (forçoso é dizer que ele não mentia para os paroquianos, pois ele queria mesmo salvar-se).
Como a igreja parecia ecumênica, não sei dizer se quem a comandava era um pastor ou um padre, mas essa pessoa logo acorreu para receber aquele que clamava pela salvação.

O sujeito mandou o matador sentar-se num dos bancos da igreja e prometeu logo voltar para tratar da salvação do recém-chegado. Enquanto ele estva, trêmulo, sentado lá, logo sentou-se ao seu lado o “pé inchado” da véspera.

Este, como que querendo continuar a conversa da noite anterior, apontou para o chefe da igreja e falou:

  • Lembra daquele sujeito ruim de quem lhe falei ontem? É ele! O pessoal daqui comenta que ele consegue expulsar os demônios que grudam nas pessoas porque ele é tão brabo, tão ruim, que até os demônios têm medo dele...
Nosso matador não viu outro jeito senão tornar-se assessor da igreja, limpando a poeira (muita) do templo e passando a sacolinha na hora das doações.

Passou a ser contada na cidadezinha a história de que teria sido o nosso agora ex-matador que, fazendo promessa a um santo, cuja figura que ele tirara de algum lugar, quem conseguira afastar, para sempre, o matador contratado para matar um morador dali...



domingo, 22 de abril de 2018

A fazenda e o long play


A FAZENDA E O LONG-PLAY



Neste causo vou contar sobre como, e com que dificuldades, foi adquirida a hoje Fazenda Carajás, uma propriedade rural localizada no município de Pimenteiras, que fica no Sul do Estado de Rondônia.

Nos anos 1970 e 1980, a ideia generalizada era a de que uma pessoa “bem de vida” seria um fazendeiro. Tem fazenda? Está rico, dizia-se.

Não era – e ainda não é – bem assim. Mas vamos seguir. Logo depois que eu fui para o novo Estado de Rondônia, ao assumir o cargo de Promotor de Justiça, meu irmão mais novo, o Paulo, seguiu atrás.

Como ele é formado em agronomia, ele foi para lá munido de pipetas e outros instrumentos estrambólicos destinados a verificar a qualidade da terra.

Logo achou terra de boa qualidade e compramos, os três rebentos da família Araujo, um lote de terras, pontapé inicial rumo ao nosso destino de futuros ricos fazendeiros.

Foi uma dificuldade enorme pagar esse investimento inicial dos “pré-fazendeiros”, e nós tivemos que raspar os cofres em busca de dinheiro (inexistente, diga-se) para pagar a compra. Também em razão disso, somente com muito bom humor pudemos “aguentar” os calhambeques que passamos a utilizar como carros.

Tivemos até problemas de memória: sair para comer uma pizza, esqueça; ir ao boteco tomar umas cervejas, esqueça.

O fato é que vencemos a “dureza” inicial e esse primeiro lote rural abriu caminho para que, anos depois, comprássemos uma área maior. Nessa compra, demos, como parte do pagamento, o lote rural que já tinhamos e ainda um jipe que era de minha propriedade.

Esse jipe era fabricado pela empresa Gurgel e parecia “pau para toda obra”, mas a verdade é que tinha um motor diesel fraquíssimo, além de mecânica de duvidosa qualidade. Era o jipe Carajás.

Esse jipe acabou sendo apelidado, pelos entendidos em automóveis, de hemorróidas. A razão desse apelido seria que, segundo diziam as más línguas, quem tinha o jipe hemorróidas, digo, Carajás, tinha vergonha de dizer que tinha...

Por causa desse jipe é que veio a inspiração para o nome da fazenda: Fazenda Carajás.

Essa aquisição da fazenda deu-se nos anos 1990 e até hoje integra o patrimônio da família Araujo (“integra o patrimônio” é uma forma romântica de referir-se a ela, pois nunca vimos um tostão de lucro por produzido ali).

Então, aquela ideia sobre a “riqueza” dos fazendeiros era mesmo uma falácia. Tecnicamente, sou fazendeiro... grana que é bom...

Mas vamos ao causo propriamente dito. Há um rio maravillhoso que corta as terras da fazenda, o rio Santa Cruz. É um rio típico da amazônia, de águas límpidas e muito piscoso. Antes que alguém comece a dar tratos à bola tentando imaginar como é um rio que “pisca”, esclareço que o termo significa que lá há muitos peixes.

Devido aos seus conhecimentos agronômicos, quem passa mais tempo na Fazenda Carajás é o mano Paulo.

Pois aconteceu que, no anoitecer de um belo dia, ele juntou suas tralhas de pesca e aboletou-se às margens do rio Santa Cruz para tentar pescar o jantar.

Já bem escuro, ocorreu algo assustador, fantasmagórico mesmo. Primeiramente, era um som quase inaudível, mas que se repetia de tempo em tempo.

O Paulo apurou os ouvidos e ficou imóvel, escutando.

Estupefato, ele verificou que, da margem do rio, logo abaixo de onde ele estava, ouvia-se uma voz humana, que cantava:

  • Maringá, Maringá, depois que tu partiste...

A seguir, o som parava, para logo depois voltar:

  • Maringá, Maringá, depois que tu partiste...

Meu irmão não é covarde, mas besta também não é e, por isso, largou a pescaria e afastou-se do rio, conformado em comer apenas arroz com feijão.

No dia seguinte, pela manhã, chamou alguns amigos das redondezas, inclusive um especializado em “rezas” (vai que é um espírito vagante...), e foram investigar aquela cantoria inusitada.

Logo acharam a resposta para o acontecido. Boiando nas águas do rio havia um pedaço de um long play (os antigos discos de música, também chamados de vinil).

A cada vez que as águas da correnteza se movimentavam, o pedaço de long play se movia para debaixo de um galho de limoeiro. Quando isso acontecia, o espinho do limoeiro fazia as vezes de agulha de toca disco e, atritando-se com o pedaço de disco, pegava exatamente aquele trecho Maringá, Maringá, depois que tu partiste.

Impressionante, não? O blog informa que a canção, cuja letra segue abaixo, foi obra do médico e compositor Joubert de Carvalho.

Foi solicitado a Joubert de Carvalho uma música que retratasse o drama das secas nas cidades paraibanas de Ingá, Pombal e Areia.

A letra da bela música fala de uma moça chamada Maria, da cidade de Ingá. Partindo-se de Maria do Ingá chegou-se rapidamente à corruptela Maringá, que deu nome à cidade natal do autor do blog e sua moradia atual.

Abaixo, a letra da música:

Foi numa leva que a cabocla Maringá
Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar
E junto dela veio alguém que suplicou
Pra que nunca se esquecesse de um caboclo que ficou
Maringá, Maringá
Depois que tu partiste
Tudo aqui ficou tão triste
Que eu garrei a imaginar
Maringá, Maringá
Para haver felicidade
É preciso que a saudade
Vá bater noutro lugar
Maringá, Maringá
Volta aqui pro meu sertão
Pra de novo o coração
De um caboclo assossegar
Antigamente uma alegria sem igual

Dominava aquela gente da cidade de Pombal
Mas veio a seca, toda água foi embora
Só restando então a mágoa
Do caboclo quando chora


segunda-feira, 9 de abril de 2018

PODIA TER DADO TUDO ERRADO, MAS...


PODIA TER DADO TUDO ERRADO, MAS...


Nestes dias em que se discutem os crimes imputados ao ex-presidente Lula da Silva, há os que defendem (a meu ver cegamente, ofuscados pela idolatria...) que não há provas de que Lula aproveitou-se do fato de ser Presidente da República para encher seus cofres e, por extensão, aumentar o seu patrimônio.

Há outros que, diante das evidências que o padrão de vida ostentado por Lula e sua família (padrão alto, com evidências de enriquecimento suspeito por parte de seus filhos), bem como diante das provas apresentadas pelo Ministério Público perante o Poder Judiciário, entendem que, efetivamente aquele político – dito de esquerda – acrescentou às suas posses, advindos de “presentes” dados por empreiteiras de obras públicas, “desinteressadamente”, um apartamento de cobertura na praia, um outro apartamento vizinho ao seu, um sítio espetacular de lazer na cidade de Atibaia-SP e alguns milhões de reais em sua conta bancária.

Nesse momento, discute-se se Lula já pode ser encarcerado, até porque a Justiça, em demorados julgamentos, considerou-o culpado. Isso num primeiro processo criminal! Outros estão em andamento...

Qual é a razão desse intróito, desses prolegômenos, ou, para os que detestam dicionários, desse “cerca Lourenço”?

O motivo é que eu, num passado já remoto, quase pude ser “condenado” diante de evidências que me colocariam numa situação extremamente difícil. Vamos aos fatos.

No já distante ano de 1982 eu, advogado recém-formado, resolvi candidatar-me ao cargo de Promotor de Justiça no também recém-criado Estado de Rondônia.

As provas de conhecimentos jurídicos foram aplicadas na capital brasileira, Brasília, dada a inexistente infra-estrutura na capital de Rondônia, Porto Velho, bem como a dificuldade para se chegar lá, ou seja, quase que exclusivamente por via aérea.

Tratando de viajar para Brasília para participar das provas, cuidei de levar todos os Códigos de legislação (Direito Civil, Penal, Processo Civil, Processo Penal, etc, etc.) Esses Códigos não poderiam ser do tipo comentado, ou seja, aqueles que contém anotações jurisprudenciais sobre cada artigo de lei.

Naqueles tempos de “dureza” (pode me chamar de bolsos vazios), tive que emprestar alguns desses Códigos de amigos da área do Direito.

Fui para Brasília, todo animado e esperançoso, porque tinha (e tenho ainda) muita admiração pela carreira de Promotor de Justiça do Ministério Público.

Na entrada do salão onde eram aplicadas as provas ficavam postadas as pessoas encarregadas de fiscalizar a lisura da aplicação das provas (atividade que também é conhecida como impeditiva da prática da “cola”), as quais examinavam os objetos – e os Códigos de Leis! - trazidos pelos candidatos.

Tudo tranquilo, e eu “passei” na fiscalização. Fiz as provas todas, que duraram três dias, e acabei por passar no concurso.

Essa aprovação no concurso para Promotor de Justiça definiu o futuro da minha vida – e de minha família -, pois passei por lá trinta anos, na carreira do Ministério Público de Rondônia, sendo considerado ums dos pioneiros na instalação do novíssimo Estado brasileiro.

Anos depois, ao trabalhar em casa, tive que consultar os velhos Códigos de Leis que tinha em minha estante residencial, vez que os Códigos de Leis atualizados ficavam no meu gabinete de trabalho.

Pois bem! Para minha surpresa, ao manusear o Código de Processo Penal, estranhei o seu encadernamento e pus-me a examiná-lo.

O amigo que me emprestou aquele Código (e que não o quis de volta) possuía uma “moderna” máquina de escrever, antecessora longínqua dos nossos computadores de hoje, máquina esta que reproduzia com exatidão as letras da impressão original daquele livro de Leis.

Descobri, então, que o meu amigo comparecia às provas na faculdade, enquanto cursava Direito, munido de engenhosa e bem oculta “cola”...

Assim, em vez de o “Código” conter os artigos de lei, continha em seu interior definições teóricas da matéria denominada Direito Processual Penal. Algo assim:

Artigo 540 – A tese relativa à responsabilidade penal objetiva está estabelecida nos seguintes termos e dispositivos: blá blá blá...

Esclareço, para os não-versados, que o tal artigo 540 dizia coisa completamente diferente, coisa de letra fria da lei.

Um examinador mais atento poderia ter descoberto a “cola” no tal Código, o que causaria minha vexaminosa desclassificação no concurso e cortaria, pela raiz, o futuro que vim a ter no esplêndido Estado de Rondônia.

Esse “fato” (entre aspas porque não cconteceu) até hoje faz-me pensar nas armadilhas e desvios do destino, quando um acontecimento menor gera consequências terríveis na vida das pessoas.

Eu sei que sou inocente – até porque desconhecia e não utilizei a “cola” -, mas as pessoas terão direito de não acreditar em mim. Minha consciência está e sempre esteve tranquila, e prova disso é que conto esse evento dentre os meus “causos”.

Voltando ao Lula da Silva, e falando sobre o imponderável, talvez se ele não tivesse ficado embevecido com as mordomias do poder, com os elogios moldurados por sorrisos gentis, com o luxo proporcionado por empreiteiros “desinteressados”, repito, talvez ele não estivesse tendo a sua história pessoal sendo destroçada por acusações de corrupção, lavagem de dinheiro, favorecimento ilegal aos apaniguados.

Talvez...


domingo, 8 de abril de 2018

O Brasil tem mesmo essa sina?


O BRASIL TEM MESMO ESSA SINA?



Ouvi, quando ainda era adolescente, que a Máfia, e os mafiosos, não vinham para o Brasil se estabelecer porque sabiam como era o nosso país. A criação criminosa dos italianos (e sicilianos) não resistiria à esculhambação que nos governa desde sempre.

A omertà, a lei do silêncio imposta aos que ingressavam nas hostes mafiosas, seria, no Brasil, sujeita ao famoso “jeitinho brasileiro”. Nos tempos de hoje, os segredos da Máfia logo estariam expostos no Facebook, no Twiter, Instagram e até no Whatsapp...

Bom, se até mesmo os brasileiros diziam isso, bem fizeram os mafiosos italianos de não corromperem (?) as leis seculares da Máfia, a Cosa Nostra, vindo tentar se estabelecer em terras tupiniquins.

Acho que o fato de as esquerdas internacionais, comunistas à frente, não terem observado nosso pais acuradamente, bem como o modo brasileiro de ser, foi a causa do grande erro que elas cometeram.

Todos os indicadores prenunciavam que uma esquerda brasileira teria logo transformado o comunismo, o socialismo, o cubanismo e outros ismos numa geleca incongruente que marcharia para fazer exatamente o contrário do que aquelas ideologias pregam.

Assim, a democracia seria uma coisa que impossibilitaria a exposição das ideias, quaisquer ideias, que contrariassem, mininamente, a noção socialista de igualdade, de distribuição (?) das riquezas e igualdade de oportunidades para todos.

O maior exemplo mundial dessa forma de pensar e governar teve seu início em 1917, na Rússia. Embora os russos não sejam tão relaxados (nos dois sentidos da palavra) quanto os brasileiros, mesmo assim a doutrina comunista não entregou o que prometeu.

Assim, enquanto o povo esperava nas filas para comprar alimentos de prateleiras vazias, os ocupantes do Kremlin gozavam as delícias do poder, com alimentos e bebidas à vontade, podendo descansar em suas famosas Dachas (nome russo para fazenda, casa de campo ou mansão).

Canalhas (para não dizer xingamento mais forte) como Lênin e Stalin reinavam sobre um povo amedrontado pela polícia política: suas palavras eram leis, incontrastáveis.

Os comunistas russos tratavam seus inimigos exatamente como os detestados (por eles e pelo resto do mundo) nazistas: mimetizaram os campos de concentração, criando os odientos gulags.

Não podia dar certo e não deu. Se na Rússia, com sua seriedade e alto grau de maldade, não deu certo, como iria dar certo aqui no Brasil?

Mas foi tentado. O Partido dos Trabalhadores (PT) teve a maior chance de implementar em “terra brasilis” a Justiça Social. Conquistaram o poder e, aparentemente, governavam com o apoio do Congresso Nacional. Estávamos, enfim, rumo ao Brasil potência mundial!

Só que não.

Os deputados e senadores do Congresso Nacional que apoiavam o projeto petista de Brasil faziam isso motivados pelo chamado vil metal.

Mesmo os expoentes do Partido não se contentaram com o exercício do poder, e trataram de embolsar dinheiro para fazer um belo patrimônio (em imóveis no Brasil e em dólares no exterior) e curtir uma vida à larga, de luxos. Justificavam-se, perante suas consciências, dizendo que o país melhorara e que – vejam só! - os pobres já podiam viajar de avião.

Daí para copiar os russos nas coisas ruins foi um passo pequeno, ou seja, passaram a ter casas de campo luxuosas e, até para ir à praia, davam um jeito de ir e voltar de jatinhos particulares.

Os russos e seu regime maléfico caíram por causa dos seus pressupostos econômicos e pela ignorância arrogante dos seus incultos (embora endeusados) líderes. Os brasileiros, com seu regime maléfico e podre, caíram por sua ganância.

Roubaram escandalosamente, talvez prevendo a fatal queda futura e tentando garantir sua sobrevivência após o término do seu reinado.

Trocando em miúdos: as esquerdas (se assim se pode chamá-las, devido ao seu primitivismo) não tomaram a precaução que a Cosa Nostra tomou, ou seja, a de evitar o Brasil.

E, parodiando Geraldo Vandré, para não dizerem que não falei das hostes da Direita, também ela é uma gosma parecida com o que sai de nosso órgão excretor. A diferença é que as nossas elites (?) da Direita são as responsáveis pela esculhambação generalizada que impera em nossa Pátria.

Nenhum país chega à desigualdade vigente entre nós, às leis cumpridas apenas se isso for conveniente, aos nossos juízes politizados e, finalmente, ao povo ignorante e incivilizado cuidadosamente produzido por escolas ruins e desinteresse generalizado pela Educação, sem um trabalho longo e percuciente.

Nosso futuro? Acho que o futuro, por ora, não nos promete nada de bom, dada a quantidade de jovens que, cegos pela falta de leitura e instrução, endeusam verdadeiros sacripantas que merecem não menos que a prisão.

Aos brasileiros que conseguem ver as coisas como elas são, está restando o verdadeiro êxodo daqueles que, querendo trabalhar, vão de mala e cuia para outros países.


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Nominação em conformidade com a fé

NOMINAÇÃO EM CONFORMIDADE COM A FÉ



Já faz algum tempo que não publico nada neste blog, e deve-se isto à preguiça atávica do ramo humano ao qual eu pertenço, seja qual ele for.

Deve-se também ao fato de que o cérebro humano não armazena memórias em ordem alfabética, como fazem os computadores.

Decorre disso que acabo por me lembrar de alguns fatos acontecidos na minha carreira de Promotor de Justiça quando, ao conversar com alguém, comento sobre um fato curioso e, voilà!, as sinopses cerebrais (se é que eu tenho isso...) me trazem à memória um processo judicial que espelhava esse tipo de coisa estranha.

Como é de sabença geral, há pais que, por falta de estudos regulares na escola, ou mesmo por espirito-porquismo puro e simples, dão aos seus filhos recém-nascidos nomes que os exporão ao ridículo durante sua vida.

Todo orgulhoso da paternidade, o pai dirige-se ao cartório para registrar o nascimento de seu filho e, quando o registrador pergunta o nome que o rebento terá, lá vai um Agrícola Beterraba Areia, Antônio Morrendo das Dores, Felicidade do Lar Brasileiro ou mesmo Fraternidade Nova York Rocha.

Imagine você no consultório de um médico e a secretaria fazendo o seu cadastro, quando você tem que dar todos os seus dados (endereço, telefone, etc), com todos os outros pacientes ouvindo, você ter que falar que se chama Jaspion Brasileiro Dantas...

A legislação brasileira tem artigos de lei que proporcionam ao nominado (ou seria vítima?) a possibilidade de ingressar em Juízo pedindo a mudança do nome vexaminoso.

Esse intróito todo foi para contar sobre uma ação judicial em que trabalhei. Uma mulher ingressou com uma ação pedindo para mudar o seu nome.

O nome dela era absolutamente normal, Maria Aparecida, não me recordo qual era o sobrenome.

Tanto o Promotor quanto o Juiz estranharam o pedido, já que o nome não diferia de tantos outros Brasil afora.

A justificativa apresentada pela mulher é bem representativa da simplicidade e inocência de grande maioria do povo brasileiro.

Ela justificou o pedido dizendo que, quando ela nasceu, seus pais eram católicos. Daí o Maria Aparecida.

Ela, então, concluiu seu raciocínio dizendo que, como agora ela era protestante, ou evangélica, seu nome não poderia fazer remissão a Maria, a virgem que concebeu Jesus.

Acrescentou, ainda, que ainda mais a chateava no nome dela era o fato de ser uma Maria Aparecida (em um lugar qualquer!), ora vejam!!

Termino o causo dizendo que ela não levou, ou seja, teve seu pedido indeferido.

Fica, finalmente, a especulação: será que ela, alegando motivos judiciais transitados em julgado, acabou retornando à fé católica ou desafiou o Poder Judiciário continuando evangélica?