quarta-feira, 10 de novembro de 2021

    A SABEDORIA POPULAR LIBANESA NA CURA DE DOENÇA E                 ESPORTE DE SUCESSO RELATIVO



Este blog foi criado para contar causos do meu passado como Promotor e Procurador de Justiça, mas, às vezes, o presente se mistura ao passado, e por isso quero contar esses acontecimentos, que considero relevantes.


Em outubro deste ano de 2021, com toda a humanidade passando por este pavoroso flagelo que é a pandemia do Corona virus, e colocando, até agora, a ciência de joelhos, todos tivemos que fazer mudanças muito grandes em nosso viver.


Eu e minha esposa passamos o tempo, desde março de 2020, em um Condomínio na cidade de Santo Inácio, no Paraná, distante 90 quilômetros da cidade em que resido, Maringá.


Tudo mudou, desde a convivência com familiares via Whatsapp até os treinos físicos através da vídeo-aula, passando pelas compras em supermercado pela Internet.


Somente em setembro de 2021, em raras oportunidades, passamos a fazer alguns treinos físicos presencialmente na Clínica Alexandre Passos, (que recomendo) tutoriados, eu e minha esposa, pela ótima profissional Érica (que também recomendo, menos para os que são preguiçosos na hora de fazer exercícios de força).


Em algumas dessas aulas, com todo mundo usando as irritantes máscaras, eu fazia meus treinos junto com outro cidadão, a quem eu cumprimentava com o distanciamento social imposto pela pandemia.


Num certo dia, esse outro cidadão estava treinando sem a máscara e eu, após olhar atentamente, perguntei-lhe:


  • Você não é o Fares?


Ele respondeu afirmativamente, e então dei-me conta de que era um contemporâneo da Faculdade de Direito da UEM (Universidade Estadual de Maringá). O tempo evidentemente passou para nós dois, estando eu com 69 anos de idade e o Fares com 70 anos.


O Fares é brasileiro naturalizado, pois nasceu no Líbano.


Esse encontro com um velho conhecido já era extraordinário, mas logo veio-me à mente um outro fato ainda mais extraordinário.


Nos tempos da faculdade, certo dia acordei com uma dor fortíssima no meio do polegar da mão direita. Tratava-se evidentemente de uma inflamação que tinha o jeito de um tumor. Procurei socorro num hospital.


No hospital o médico injetou-me uma injeção dolorosíssima chamada benzetacil, que era usada para qualquer tipo de inflamação e até doenças venéreas. Era o bombril da medicina.


O medicamento resolvia provisoriamente o problema, mas logo a inflamação voltava e eu acordava com a dor no polegar e voltava para o hospital. Disseram-me que era um evento físico chamado panarício.


Eu estava desesperado com o problema sem solução. Num certo dia, encontrei o Fares e ele convidou-me a visitá-lo em sua casa, tendo eu aceito o convite.


Estamos lá, sentados em cadeiras no quintal, quando apareceu o pai do Fares, de nome Jamil.


O seu Jamil, vendo o meu polegar inchado, perguntou-me se eu machucara o dedo, e eu contei-lhe do meu sofrimento (não sei o que era mais sofrido, o dedo doendo ou a injeção de benzetacil).


Para minha surpresa, o seu Jamil levantou-se da cadeira e disse-me para esperar um pouco pois ele ia resolver o meu problema.


Depois de alguns minutos ele voltou com umas folhas na mão, que disse serem de um tomateiro e uma lata de azeite de oliva. Ele, então, esmagou as fotos do tomateiro, pingou sobre elas um pouco do azeite e colocou sobre o meu dedo doente.


A seguir, ele pegou um rolo de gazes e a enrolou sobre aquele “curativo” feito de folhas de tomateiro e azeite de oliva. Disse-me para repetir o “curativo” nos próximos dois ou três dias e esquecer do problema.


Eu não sei o que aconteceu, mas sempre louvarei a sabedoria daquele senhor libanês!


Nunca mais o dedo inchado e doendo, nunca mais a injeção de benzetacil...


Gratidão ao seu Jamil e ao seu filho Fares, razão de eu contar essa historia aqui.


Passemos ao causo ligado ao esporte.


Naquele final dos anos 1970, estando você matriculado numa Universidade, era obrigatório inscrever-se, além das matérias do curso de Direito, também em aulas de Educação Física.


Como eu já praticara o judô na infância, inscrevi-me numa aula desse esporte. Em razão disso, quando houve um campeonato entre Universidades do Paraná, eu fui inscrito, voluntariamente, nessa competição.


Salvo falha de memória, os jogos aconteceram na cidade de Ponta Grossa.


Assim, de repente vejo-me sentado no campeonato de judô esperando ser chamado para lutar. Como quase todos ali, eu usava a faixa branca, embora já tivesse alcançado a faixa verde quanto pratiquei regularmente o esporte.


Chamaram o meu nome, e eu fui para o tatame. Chamaram outro nome e lá veio um sujeito que também portava a faixa branca.


O juiz deu o comando para iniciar a luta.


Para minha surpresa, o meu oponente, parecendo ter baixado nele o espírito do famoso lutador chinês Bruce Lee, agarrou o meu quimono e começou a soltar gritos (que eu chamaria de asiáticos...) e começou a tentar fazer com que eu girasse.


Parecia que ele ia praticar o arremesso de martelo à distância, sendo eu o martelo! Logo saquei que, diferentemente de mim, ele não tinha qualquer técnica do judô.


Numa dessas rodadas martelísticas, eu simplesmente calcei os pés dele (golpe que no judô tem o nome de deashibarai e pronto! Ele estatelou-se com estrondo no tatame.


Ippon para mim, que ganhei a luta. O problema foi a fase seguinte.


Quando me chamaram para a segunda luta, meu oponente era um japonês baixinho, mas portando uma reluzente faixa preta!


Evidentemente, deixei o faixa preta me jogar ao chão sem oferecer resistência para evitar me machucar, perdendo rapidamente a luta que tornou relativa a minha vitória anterior.


Preciso dizer que voltei sem medalhas??



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