PREVISÃO
CERTEIRA, MAS...
Vou contar aqui um
acontecimento do início do século passado, quando, em 1904, um
almirante inglês, Sir John Fisher, chamado a assessorar o soberano
da Inglaterra, Edward VII, num imbroglio internacional,
afirmou que o rei não precisava se preocupar, pois o assunto seria
resolvido, chegando a apontar, num mapa, o local exato.
Nestes
nossos tempos, em que, mesmo com pesquisas eleitorais realizadas por
vários institutos e repetidas vezes, não conseguimos nem saber o
que acontecerá nas eleições presidenciais deste ano, essa previsão
certeira do almirante chama a atenção.
Deu-se
que o Czar russo, imperador da Rússia, buscando privilegiar os
interesses comerciais do seu país, começou a se movimentar na
direção das florestas do Yalu, na Coreia.
Ocorre
que a Coreia era um país que vivia debaixo da influência do Japão,
que não queria nenhuma potência europeia se intrometendo nas áreas
de dominação nipônica.
Assim,
em fevereiro de 1904, a esquadra japonesa, sem nenhuma declaração
formal de guerra, afundou três navios russos em Port Arhur, na
Manchúria, região da Ásia que fica bem próxima do Japão.
Como
se nota, esse parece ser um costume dos japoneses, já que fizeram
exatamente o mesmo em 1941, quando arrasaram Pearl Harbor, iniciando
a guerra contra os EUA sem qualquer aviso.
Dois
dias depois que os navios russos foram a pique, a guerra Japão X
Rússia foi declarada. Naqueles tempos, essas brigas entre países
deixavam a Europa numa tensão danada, porque os diversos países
queriam evitar um conflito de grandes proporções.
A
Inglaterra permaneceu neutra, mas o rei Edward VII foi informado, por
seus especialistas, que a guerra devia terminar com a derrota do
Japão.
E
aí é que entra em cena o Almirante John Fisher. Falando ao rei
sobre o desenrolar da guerra, apontou no mapa mundi o local exato
onde a marinha japonesa seria aniquilada.
Embora
o Reino Unido estivesse neutro, a guerra russo-japonesa logo levou a
Rússia e a Inglaterra a um grave conflito. Os russos, tendo sido
derrotados nas batalhas em terra, tentaram obter o domínio das
águas, para isso transferindo sua esquadra de navios para os mares
da China, passando pelo canal de Suez.
Numa
certa noite de outubro de 1904, no porto inglês de Hull, aportaram
navios pesqueiros ingleses seriamente desmantelados, cheios de mortos
e feridos.
Esses
barcos de pesca tinham encontrado a esquadra russa no escuro e,
depois de focarem seus holofotes neles, os russos mandaram balas e
granadas.
Com
a notícia, a ira dos ingleses contra a Rússia foi enorme. Os
jornais, a opinião pública e até alguns políticos exigiam a
guerra contra os russos. O rei Edward VII, entretanto, foi sábio e
paciente.
Cobrou
explicações do Czar russo e este disse que havia sido tudo um
terrível engano. Tendo aceitado a intermediação internacional, a
Inglaterra viu a futura luta acabar com um pedido de desculpas da
Rússia, acompanhadas essas de enorme indenização em dinheiro às
vítimas dos barcos pesqueiros.
A
esquadra russa seguiu seu roteiro em direção às águas japonesas. Falemos agora sobre a previsão certeira do título.
A
esquadra russa foi exterminada exatamente no local em que o
Almirante, Fisher, predissera que a Marinha do Japão iria à breca,
perdendo a guerra...
A
Marinha japonesa armou uma arapuca naquele local e, quando os navios
de guerra russos chegaram, acabaram com eles, ganhando a guerra.
O
“especialista” Fisher, como se viu, previu o fim da guerra e o
local onde ele ocorreria, mas errou feio quanto a quem seria o
vencedor.
A
História nos ensina muitas lições. Pena que não aprendemos quase
nada. No Brasil esse fato se confirma nos períodos eleitorais,
quando deixamos elegerem-se velhos e antigos ladrões do dinheiro
público.








