quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O novo versus o moderno

O NOVO VERSUS O MODERNO



Hoje, o seu telefone celular aciona o despertador e, ao acordar, você verifica se está chovendo, como está a temperatura lá fora, confere as mensagens dos amigos e pode, até, telefonar. Tudo isso antes de sair da cama.

Tem uns tais de aplicativos nos celulares, cuja amplidão ainda não tenho nem uma vaga ideia, mas que são simplesmente maravilhosos. Você pode chamar um táxi (ou Uber), pedir um lanche, ver sua conta no banco, etc.

Eu sou do tempo em que este tipo de modernidades era simplesmente aventado nuns gibis como o do Flash Gordon (os mais jovens pesquisem no Google, tanto a expressão gibis quanto o Flash Gordon). Conversar com um amigo com imagens em tempo real no celular? Naquela época, quando eu era mais jovem, isso era coisa da imaginação, nunca aconteceria.

Pois está acontecendo. Nos meus augúrios para o futuro, já não descarto nada, nenhuma novidade tecnológica. Sabem aquele raio que desmaterializa uma pessoa num local e o materializa num outro, num instantinho?

Esse tipo de raio é a minha esperança para o futuro. Já pensou se você quisesse visitar um amigo num outro estado, num outro país? O sujeito aperta o botão no teletransportador e zap, você já está lá.

É lógico que uma máquina dessas teria que ter um antivírus poderoso... E se algo dá errado e você é teletransportado para dentro do banheiro do seu amigo, naquele exato momento em que ele está fazendo o número dois??

Ou, pior, se no momento do raio zap existe perto de você uma minhoca, uma barata, ou coisa parecida?

Você poderia ser transformado num honhoca, num horata...

A única possibilidade que não traria surpresas seria se dentro do teletransportador, junto com você, estivesse uma ratazana: você seria transformado um político brasileiro.

Pensemos no seguinte problema: você deseja ir para uma praia paradisíaca numa ilha do oceano Pacífico, entra na máquina do zap e ele lhe manda para a Coreia do Norte, no momento em que o maluquinho do Kim Jon-Un está disparando mais um dos seus mísseis?

Mas eu quero é falar dos tempos em que uma ligação telefônica tinha que ser solicitada pela manhã e, depois de passar por diversas telefonistas, era completada no final da tarde.

Sucesso? Não, se a pessoa com quem você queria falar tivesse saído:

  • Ah, o fulano saiu um momentinho. Você pode ligar daqui a dez minutos?
Isso, convenhamos, era o paraíso para devedores relapsos, para telefonemas do pai de sua noiva... bem as situações favoráveis ao recebedor da ligação são inúmeras.

Diante de tudo o que se faz hoje com um celular na mão, tipo ver sua conta no banco, pagar contas, mandar baboseiras pelo Whatsapp e muito mais, fico preocupado com algumas previsões futurísticas.

Dia desses li um sujeito que afirmou que, em dez anos (portanto, lá por 2027) o celular será coisa do passado, ninguém mais terá um deles.

Se a previsão é boa para quem detesta ter que se desviar, quando anda nas calçadas das cidades, dos idiotas que andam falando e digitando no celular, não dá nem para ter ideia do que virá no lugar dele, o tal de smartphone.

Que formato terá? Será feito de matéria? Um chip no seu cérebro? Uma parte de sua roupa?

Não dá para, sequer, imaginar. Mas se alguém, nos anos 70 ou 80 do século passado, nos falasse do celular, acreditaríamos?

Minha única esperança, nessas dúvidas todas, é que, usufruindo das maravilhosas tecnologias em 2027, alguém leia meu blog e, ao deparar com este texto, suspire, com enfado:

  • Que idiota!!




domingo, 25 de junho de 2017

A foto nunca vista

A FOTO NUNCA VISTA



Para os tempos modernos, as fotografias que tirávamos no passado parecem coisa de outro mundo, coisas que hoje parecem muito difíceis de fazer.

Para as máquinas fotográficas de anos atrás, você precisava ter o filme, cujo tamanho variava. Eles podiam ser para doze, vinte e quatro e trinta e seis fotografias. Podiam, também, ser em preto e branco ou coloridas.

Você era obrigado a clicar para “tirar” as fotos e somente iria saber se haviam ficado boas quando todas as fotos do filme eram utilizadas e enviadas para um laboratório para serem “reveladas”.

Somente então você iria saber que você tinha “cortado” a cabeça de sua tia, se sua irmã tinha saído de olhos fechados, etc.

Olhando para trás, vemos que era uma verdadeira ginástica o ato de fotografar. Hoje, sequer precisamos de uma máquina fotográfica, pois fazemos fotos usando tablets, celulares e, até, máquinas fotográficas...

Pois o “causo” que eu vou contar deu-se nos tempos ainda heroicos da fotografia, pois aconteceu em 1983.

Eu, recém-empossado como Promotor de Justiça, cheguei à cidade de Guajará-Mirim, onde ajudaria o titular daquela Comarca a fazer alguns júris. Meu colega chamava-se, também, Osmar, dado importante no desfecho deste “causo”.

Naquele finalzinho da ditadura militar, a grana era escassa e, para economizar, hospedei-me na casa do outro Promotor de Justiça.

Também no intuito de economizar o parco dinheirinho, pedi licença à dona da casa, esposa do outro Osmar, para usar o seu tanque de lavar roupas. Eu pretendia, e realmente o fiz (para espanto daqueles que me acham, com razão, uma nulidade nas artes domésticas), lavar as minhas cuecas, pelo menos elas...

Uma tarde qualquer eu peguei as ditas cujas (as cuecas) e, brioso como o exército alemão invadindo a Rússia, dirigi-me ao tanque de lavar roupas e comecei a praticar o branqueamento cuecal.

Meu colega, o dono da casa, tinhoso como todo Promotor de Justiça (concordarão com isso todos os alcançados hoje pelas investigações da Lava Jato), ao notar minha atividade laboral, sorrateiramente pegou sua máquina fotográfica e ...

… fotografou minha higienização das roupas íntimas, para usar uma linguagem mais adequada ao histórico cultural deste blog.

Aquele gesto de traição suprema dos princípios gerais estatuídos na Declaração Universal dos Direitos dos Homens, fruto maior da Revolução Francesa de 1789, eu considero até hoje um ato tresloucado daquele amigo que, se não se chamasse também Osmar, estaria inscrito nos anais da Infâmia.

Mas os tempos antigos tinham suas vantagens. Eu explico.

Alguns dias depois, estava eu no Fórum trabalhando sozinho (meu colega e homônimo estava na casa dele, palco do fato criminoso aqui relatado). Chegou um funcionário do Fórum e disse-me que alguém estava na porta procurando pelo “doutor Osmar”.

Logo pensei:

  • Não é comigo, pois aqui na cidade ninguém me conhece, deve estar procurando pelo meu colega.

Mas o destino trama contra os criminosos. O funcionário acrescentou que era o sujeito do “Foto”, que era o lugar onde se mandava “revelar” as fotos.

Meu cérebro não-menos-criminoso logo ligou as fotos com a foto que me flagrara lavando as cuecas.

Imediatamente mandei o sujeito entrar e o atendi. Expliquei que eu entregaria as fotos ao “Doutor Osmar” verdadeiro e que pagaria o custo da “revelação”.

Crime perfeito! Fotos entregues à vítima!

Logo localizei a foto que me mostrava em plena atividade na lavanderia (como hoje se chama o tanque de lavar roupas).

Para completa extirpação das provas, verifiquei os “negativos” do filme e, com uma tesoura, cortei o pedaço que poderia ser usado em outra revelação e para divulgação dos meus pendores lavatoriais.

Em minha defesa, acho que o tal de Pôncio Pilatos, que lavou apenas as mãos, é acusado de crime maior, não é?

Este “causo” vai servir para o meu bom amigo, o também Osmar, descobrir como “desapareceu” aquela foto, algo que sempre o assombrou.

Devo esclarecer que tive como parceiro, como co-autor, neste contra crime, o melhor amigo e o baita Juizaço Cássio, hoje fazendo das suas em outro plano, para onde iremos todos nós.

Finalizo dizendo que o que é antigo nem sempre é somente velho, pois enfeita a memória daqueles que viveram e revivem o que lhes aconteceu de bom.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

O tempo passa, mas...

O TEMPO PASSA, MAS...


Contrariando minha política de jamais citar nomes neste blog, vou fazer isso (contrariá-la) porque o objetivo destes escritos é preservar a memória dos primeiros anos do Ministério Público de Rondônia.

E quem os viveu não pode esquecer o nome de Getúlio Nicolau Santore. Eu encontrei essa figuraça na sua primeira comarca, Colorado do Oeste (sul de Rondônia), quando estava eu a caminho da minha primeira comarca, Cerejeiras.

A viagem, saindo de Vilhena numa viatura da Polícia Federal, não foi porque eu estava preso – sina inapelável de muitos de nossos luminares da política -, e sim por uma deferência do Delegado da PF daquela cidade.

A opção, viajar de ônibus, era uma incerteza total, dado o estado barrento dos 120 quilômetros que separam as duas cidades. Assim, como o Delegado e os agentes da Polícia Federal tinham que cumprir algumas diligências em Cerejeiras, ofereceram-me carona numa camionete Chevrolet adequada para estradas de terra em tempos de chuva.

Isso ficou evidente quando a camionete da PF cedeu à natureza: atolou em meio ao barro e ficamos cercados por enormes poças d'água.

Por sorte, logo apareceu um jipe Toyota de um banco (lembram-se do Bamerindus?) que nos tirou, facilmente, do atoleiro, provando que a tecnologia automobilística dos japoneses era superior à nossa até mesmo no inverno amazônico.

Depois de 80 quilômetros, chegamos a Colorado do Oeste. Fomos direto ao Fórum, onde procurei o Promotor de Justiça Getúlio Nicolau Santore (que eu não conhecia). Apresentei-me.

Ele, olhar desconfiado, mandou-me sentar e disse que somente sairíamos em direção a Cerejeiras após o almoço, que seria em sua casa.

Para meu espanto, disse-me para ficar longe do bar de sua casa, pois havia ouvido calúnias (verdadeiras, diga-se) sobre a minha intimidade com o uísque.

Diante do meu pasmo, avisou-me que já fora informado de minha expertise por um outro Promotor de Justiça que merece ter sua história contada, o Luiz Eduardo Custódio, que era o titular da comarca de Vilhena.

Logo fomos para a casa do Getúlio, pois, embora saindo de Vilhena às sete horas da manhã, levamos quase cinco horas para vencer os primeiros 80 quilômetros de trilha, pois outro nome não se podia dar às estradas de então.

Na casa dele, pude conhecer outra figura maravilhosa, a sua esposa Ana que, embora nunca tivesse me visto, pelo simples fato de ser colega de trabalho do marido, tratou-me com uma atenção e carinhos que só podiam ser encontrados na Rondônia de antanho (1983).

Getúlio, para nosso almoço, foi ao freezer e tirou um pedaço de costela de boi congelada. Eu, com meus botões, pensei esse almoço vai sair é nunca!.

Nunca entendi como ele fez aquilo, mas pouco mais de meia hora depois Getúlio e Ana serviram um belo almoço, com uma mais bela ainda costela assada.

Depois dessa recepção, e já trabalhando na comarca de Cerejeiras, iniciei uma longa amizade com Getúlio e Ana.

Como Cerejeiras somente tinha energia elétrica das 17:00 horas à meia-noite e apenas um posto telefônico com filas homéricas (não sei o que têm a ver com filas o grego Homero e a Ilíada...), quando dava tempo e o barro permitia, eu os visitava em Colorado do Oeste para filar boia e curtir um pouco a civilização moderna, com luz nas 24 horas do dia e telefone à disposição.

Getúlio, Ana e Luiz Custódio não estão mais entre nós, mas suas vidas e trabalho em Rondônia deixaram marcas nas vidas dos que os conheceram.

Fica aqui minha singela homenagem.



sábado, 10 de junho de 2017

A Boca Maldita!

A BOCA MALDITA!


Dizem que tudo tem um início. Há quem pense que o início da história do Mundo aconteceu quando, depois de criar a terra, os rios, os mares, os animais e um amontado de coisas mais (algumas das quais não vale a pena lembrar, como a criação dos pernilongos, baratas e ratos...), Deus teria posto Adão e Eva no Éden.

Mas os arquelogistas, que fuçam tudo que está enterrado na terra e no passado, dizem – e provam! - que antes de dar início à humanidade Deus teria brincado um pouco, criando alguns tipos esquisitos de animais (protótipos de políticos brasileiros?), ferozes e vorazes, que nós hoje chamamos de dinossauros.

Pelo jeito, Deus não gostou desses animaizinhos, pois deu uma pedrada na Terra (ou seria uma meteorada?) e acabou com eles todos. Provalmente, junto com os dinossauros, foram criados os pernilongos e baratas.

Assim, se uma pedrada celestial não acabou com eles, isso explica a ineficiência perdulária dos atuais inseticidas...

Falando em perdulário, GetúlioVargas criou, em 1932, um tal de TSE (Tribunal Sujeito a Especulações), o que marca o início do fim.

Mas eu quero falar é de outra coisa.

Nos anos 1985, 1986, o Ministério Público de Rondônia era uma Instituição jovem, levada avante por jovens, tanto na idade quanto na carreira de Promotores de Justiça.

Naquela época, anterior ao atual status constitucional que o Ministério Público tem hoje, tudo era luta, tudo era novidade, tudo era troca de experiências.

Nossa sede era num precário prédio situdo na avenida principal de Porto Velho onde, no térreo, num longo corredor, ficavam os gabinetes dos Promotores, lado a lado.

Assim, na movimentação de chegada e saída do trabalho, bem como nas saídas para audiências judiciais, todos nos víamos constantemente, diferentemente de hoje, quando cada um fica só em seu ambiente de trabalho.

Nesse encontro diário, nós fazíamos o que todo jovem faz, ou seja, conversávamos sobre o trabalho, família, adversidades e felicidades da vida e, até, mal uns dos outros.

A personalidade de cada Promotor de Justiça, nesses encontros e conversas, ficava evidenciada para os demais, fato que colocava o necessário “tempero” nas amizades entre nós.

Essa intimidade gerava o conhecimento mútuo das qualidades, dos defeitos e esquisitices de cada qual.

Sabíamos, então, quase tudo da vida e das ações dos colegas de trabalho e de luta.

Esse conhecimento gera, não raro, entre amigos, “gozações” e “zoações” que se eternizam no tempo e na memória deles, cimentando para sempre as amizades forjadas nos tempos difíceis.

Ali, nessas conversas, nasceram, entre outros, apelidos como Doutor Cataploft e Doutor Urtigão, bem como outros que não cabe agora citar.

Assim, cada ajuntamento de Promotores de Justiça naquele corredor do prédio antigo acabou, por sua vez, ganhando um apelido: Boca Maldita.

A Boca Maldita funcionava diariamente, e o que se falava ficava registrado, não tendo a validade etérea que têm algumas provas em processos eleitorais de tribunais ainda mais etéreos.

Como toda coisa viva (sim, a Boca Maldita pode ser chamada de coisa, pois, se ente vivo não era, era muito dinâmica.

Por isso, ela ganhou variações em seu nome, como por exemplo pantano (assim mesmo, sem o acento circunflexo da palavra original, pântano).

Mas essas reminiscências dos velhos tempos de lutas em Rondônia tem uma única finalidade, ou seja, afirmar que a AMPRO (Associação do Ministério Público de Rondônia), hoje uma entidade de classe que brilha País afora, teve na Boca Maldita uma força agregadora que viajou no tempo até os dias de agora.

Esse era um registro histórico que, apesar da minha falta de talento na arte de escrever, eu precisava fazer.




sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Brasil por água abaixo

O BRASIL POR ÁGUA ABAIXO



Estamos vendo o Brasil, chamado antigamente pelos ingênuos de País do Futuro, ser transformado, por todas as correntes políticas (direita, esquerda e centro, mas pode me chamar de muro), em País do Faturo.

Quando adolescente, eu já ouvia críticas ao modo brasileiro de ser dizendo que, se a Máfia italiana (ou também da Sicília ou da Calábria) viesse para o Brasil, seria logo transformada em bagunça, rapidamente avacalhada pelos nossos ladrões totalmente amorais.

Parece uma bobagem falar sobre “ladrões amorais”, mas os nossos ladrões não respeitam nem os outros ladrões...

A bandidagem comum (traficantes, ladrões, assassinos, etc) parece ter perdido todos os limites da violência, matando indiscriminadamente as vítimas (os carneiros que, com seu suado trabalho, ganham o que deles será roubado), os policiais (sinal de perda do medo do Estado) e os bandidos de facções rivais.

Assim, a bala que sai da arma de um bandido “animado” pelo uso de drogas, nesses confrontos pelo controle de áreas das cidades (cercadinhos para os carneiros que serão tosquiados e os viciados que lhes compram as drogas), nada tem de perdida: será “achada” por um transeunte qualquer, seja um trabalhador, seja uma criança a caminho da escola.

O sentimento que se alastra em nosso País, e isso eu constato nas conversas com diversas pessoas, é o da vontade de sair do Brasil em definitivo. O brasileiro, que “não desiste nunca”, desistiu de ser cidadão da sua terra natal.

Para onde fugir dessa situação? O único modo de “consertarmos” o Brasil seria através de atuação de autoridades dignas, responsáveis, decentes.

Essa matéria-prima existe, mas não consegue infiltrar-se nos meios dominantes, seja na Política (só se elegem os que são acordes com a imoralidade reinante), seja no Judiciário (só chegam aos altos cargos, com raríssimas exceções, aqueles que bajulam o Poder.

O maior exemplo disso está no nosso Supremo Tribunal Federal. Aqueles que dele almejam ser Ministros, tem que passar por humilhantes rapapés e visitas aos gabinetes dos que estão no Poder, sem levar em consideração a estatura moral dos visitados.

Pode-se negar esse fato (e os “impolutos” negarão), mas todos sabemos que é a nossa triste realidade.

Escrevo esse texto, neste particular, sob a influência da humilhante experiência dos brasileiros a que nos sujeita nesses dias o Tribunal Superior Eleitoral, quando do julgamento da roubada eleição da dupla Dilma-Temer.

Onde enxergar-se a saída desse túnel desprovido de luz em que estamos se, na propaganda eleitoral gratuita (que a legislação aprovada pelos “impolutos” nos impõe) vemos que os supostos partidos de oposição chamam os cidadãos brasileiros para suas hostes dizendo que, neles, a chance de eleger com poucos votos é maior??

E o tal de futuro? Isso, para mim, fica absolutamente claro que não existe quando vejo que uma manifestação no centro de Maringá, promovida por membros da Universidade local, que deveria expor ao povo sua insatisfação com os rumos da Educação no País, e limitam-se a gritar slogans como “Fora Fulano, fora governador”.

Gostaria muito de poder dizer que esse descalabro brasileiro seria culpa de um determinado partido político, de um líder nacional, mas não posso.

Os religiosos costumam fiar-se em Deus e na salvação geral. Mas fazem isso filiados a igrejas que, não raro, exploram economicamente os fieis, dando ensejo à eleição de partidários seus (ungidos divinamente?), que se somam à bandalheira imperante.

A lama é geral.

Pobre Brasil.




domingo, 15 de janeiro de 2017

Vítimas? Safados, isso sim...


VÍTIMAS? SAFADOS, ISSO SIM...


Nesta semana, aconteceu conosco um evento que, para além da curiosidade, faz plena prova da (má) natureza humana.

Minha querida (querida é pouco, mas vou deixar barato porque se trata do blog) Zilda, após chegar em casa depois de fazer compras no supermercado, veio contar-me uma coisa que ela achara interessante e que acabara de acontecer com ela.

Ela contou-me que, logo na saída do nosso prédio, foi abordada por um jovem, que lhe perguntava sobre onde ficava uma loja estabelecida na mesma avenida onde moramos.

Como a tal loja não existe, ela lhe disse que não sabia onde ficava e nem a conhecia. Aí o rapaz prosseguiu, dizendo que tinha que entregar uma “coisa” na tal loja, demonstrando muita preocupação por não saber como cumprir a tarefa que recebera.

O rapaz, muito bonzinho (na avaliação dela), explicou que tratava-se de um bilhete de loteria, e que alguém da loja o ajudaria a receber o valor, já que ele não poderia fazê-lo, por ser menor de idade.

  • Isca lançada (pensei eu com meus botões).

Nesse momento, sai alguém de um cartório de notas situado no local e, muito gentil (sempre segundo ela), tenta ajudar. Apresenta-se como corretor de imóveis, e está bem vestido.

O corretor, ao ser informado do problema pelo rapaz que está com o bilhete, dispõe-se a ajudar (bom samaritano às avessas) e, pegando o bilhete, liga do seu celular para a Caixa Econômica Federal.

Sua conversa com o funcionário da Caixa Econômica Federal, pelo que minha esposa e o rapaz ouvem, confirma que o bilhete é realmente premiado!!

O valor, pasmem!, é de vulto, ou seja, há um prêmio de um milhão, trezentos e oitenta mil reais (acho que daria para comprar o elevador do tríplex do Lula em Guarujá...)!

O rapaz do bilhete mostra-se desesperado com o fato de que não poderá receber o valor na Caixa.

O “corretor”, mostrando sua enorme preocupação com os seres humanos que com ele compartilham a humanidade, dirige-se à minha esposa e brada:

  • Temos que ajudá-lo!

Minha cara consorte (aliás, seria bem cara se houvesse caído na lábia dos dois vagabundos), mostrou-lhes com quantos paus se faz uma canoa que, pelas proporções de sua atitude, está mais para navio.

Disse aos dois que simplesmente não tinha tempo (ela ia ao supermercado, lembram?) e largou-os sozinhos para receberem o valor na Caixa.

O surpreendente nisso tudo é que, ao contar-me o ocorrido, ela não tinha noção alguma de que tentaram fazê-la cair no famoso conto do bilhete.

Em outras palavras, ela acreditou no que ambos os criminosos disseram. Só não caiu no golpe porque ela, de natureza, não é afetada de modo algum pela cobiça, pela intenção de levar vantagem (menos quando ela quer ganhar alguma discussão comigo, mas isso é outra historia.

Conto esse causo para dizer que essas vítimas (?) que volta e meia aparecem nos jornais (dia desses foi uma professora) lamentando-se pela perda de valores vultosos, não são vítimas coisa nenhuma.

São apenas cobiçosos que tentaram obter vantagem frente à (pretensa) inocência de outras pessoas.

Os dois vigaristas devem estar coçando as cabeças até agora.

Com alguma dificuldade de aceitação por parte dela, expliquei à minha esposa que se tratavam de bandidos e que era um golpe muito antigo, que ainda faz vítimas...

Este causo não é para falar da inocência da minha esposa, mas, sim, da (péssima) natureza humana.

domingo, 30 de outubro de 2016

Vacilo ou mancada?

VACILO OU MANCADA? O LEITOR DECIDE



Um dos melhores comediantes que já vi e ouvi foi o José Vasconcelos, um humorista daqueles que nos faz rir sem dizer qualquer piada. O José Vasconcelos tinha um dito famoso. Ele dizia que o “brasileiro é o único sujeito no mundo que sabe que vai dar mancada...e dá!”.

A minha brasilidade não está só estampada nas bandeiras nacionais que ostento em meu apartamento e em minha casa de campo. Ela fica patente nas várias mancadas – vacilos? - que já dei em minha vida, das quais vou contar duas para, num ato de expiação, falar mal de mim mesmo.

A primeira deu-se em Porto Velho. Faleceu um querido amigo meu, o Nenê e, depois de comparecermos ao enterro, veio o costumeiro convite para a missa de sétimo dia.

Pergunto-me sempre a razão de tal ofício religioso da Igreja Católica chamar-se missa de sétimo dia. Será que os dogmas religiosos procuram certificar-se de que, após sete dias de morto o “missado”, ele não vai ressuscitar e estragar a missa celebrada em sua homenagem?

A resposta eu deixo para os teólogos, vez que as religiões em geral não são o meu forte (se é que há alguma coisa forte em mim).

Acompanhado de minha querida consorte (pelo que eu próprio sei de mim mesmo, ela é uma com-azar...), fui à igreja homenagear, pela última vez, o amigo de vários anos.

Lá dentro encontrei um casal de amigos chegados, que sentaram-se na fileira de bancos exatamente atrás da minha. Eu os cumprimentei e logo iniciaram-se os trabalhos diassetimais (o blog, para honrar a cultura brasileira, cria neologismos).

Lá na frente o padre celebrava a missa, com as homenagens de praxe ao falecido. Eu, por não ser católico, não sei bem qual é o organograma burocrático das missas em geral e costumo observar calado o senta-levanta e as recitações em resposta ao que o padre fala.

Por que eu fico observando? Para não dar mancada, vacilo, bobeira ou outro nome para aquilo que você faz errado e chama a atenção sobre si.
Lá para as tantas, todos os presentes à missa (missantes ou missivistas?) levantaram-se e começaram a cumprimentar-se.

O meu amigo que estava atrás de mim bateu em meu ombro e deu-me a mão, bem como sua esposa. Aí é sacanagem. Toda a minha cautela foi para o espaço sideral.

Eu perguntei a eles, na bucha:

  • Já vão?

Levei uma forte cutucada da Zilda, me alertando para o fato de que aquele cumprimento não era uma despedida do meu amigo, e sim uma parte (ignota pra mim) dos rituais da missa.

Segundo fiquei sabendo mais tarde, as pessoas que estão na missa desejam a Paz do Senhor às pessoas que estão próximas a você.

Mas as pessoas podem perfeitamente ir embora e estar na Paz do Senhor, não podem?

Minha segunda mancada foi pior, muito pior!

Deu-se que, estando em férias, viajamos de Porto Velho para Curitiba, onde os filhos estudavam.

Na primeira noite livre, eu quis ir a um daqueles bares bacanas da capital paranaense para tomar um chopinho, junto com os filhos.

Antes de sair para o boteco, fizemos um “apronto” enquanto esperávamos meu filho Gerson chegar, pois ele havia ido buscar a sua namorada. Comigo estavam também meu outro filho Zé Luiz e meu sobrinho Rafael.

Quando o Gerson chega, ele nos apresenta à sua namorada, que tinha uma especificidade física: ela não tinha uma das mãos.

Eu estava indo bem, até porque não quis trocar um aperto de mãos com a tal namorada...

Após, tomamos um táxi e chegamos a uma choperia muito ajeitada, típica das de Curitiba.

O garçom veio e nos trouxe os chopps e o papo iniciou. Em minha defesa, digo que o papo com os filhos, o sobrinho e a jovem é naturalmente difícil, vez que eles estão na flor da idade e eu estava no início das minhas férias, com a cabeça ainda “girando” no ritmo dos processos judiciais.

Resolvi, então, animar aquela mesa. Mas nesse exato momento, um dos meus dois neurônios (pode-se chamá-lo de neuronhos, vez que eu estava no segundo chopp), saiu para fazer alguma coisa e eu, pegando alguns palitos de fósforo, dei a minha José Vasconcelada (pode chamar de mancada que ela atende):

  • Vamos jogar palitinhos?

Seria a mesma coisa que chamar para jogar futebol um tetraplégico!

O jogo acabou acontecendo, com as dificuldades que vocês podem imaginar.

Como eu sou um tipo de sujeito daqueles que pode ser caracterizado como o cara do carção verde (como diz um querido amigo), aprendi a lição. Nunca peço para jogar palitinhos antes de ver se não há algum deficiente físico dentre os presentes.