O
TEMPO PASSA, MAS...
Contrariando
minha política de jamais citar nomes neste blog, vou fazer isso
(contrariá-la) porque o objetivo destes escritos é preservar a
memória dos primeiros anos do Ministério Público de Rondônia.
E
quem os viveu não pode esquecer o nome de Getúlio Nicolau Santore.
Eu encontrei essa figuraça na sua primeira comarca, Colorado do
Oeste (sul de Rondônia), quando estava eu a caminho da minha
primeira comarca, Cerejeiras.
A
viagem, saindo de Vilhena numa viatura da Polícia Federal, não foi
porque eu estava preso – sina inapelável de muitos de nossos
luminares da política -, e sim por uma deferência do Delegado da PF
daquela cidade.
A
opção, viajar de ônibus, era uma incerteza total, dado o estado
barrento dos 120 quilômetros que separam as duas cidades. Assim,
como o Delegado e os agentes da Polícia Federal tinham que cumprir
algumas diligências em Cerejeiras, ofereceram-me carona numa
camionete Chevrolet adequada para estradas de terra em tempos de
chuva.
Isso
ficou evidente quando a camionete da PF cedeu à natureza: atolou em
meio ao barro e ficamos cercados por enormes poças d'água.
Por
sorte, logo apareceu um jipe Toyota de um banco (lembram-se do
Bamerindus?) que nos tirou,
facilmente, do atoleiro, provando que a tecnologia automobilística
dos japoneses era superior à nossa até mesmo no inverno amazônico.
Depois
de 80 quilômetros, chegamos a Colorado do Oeste. Fomos direto ao
Fórum, onde procurei o Promotor de Justiça Getúlio Nicolau Santore
(que eu não conhecia). Apresentei-me.
Ele,
olhar desconfiado, mandou-me sentar e disse que somente sairíamos em
direção a Cerejeiras após o almoço, que seria em sua casa.
Para
meu espanto, disse-me para ficar longe do bar de sua casa, pois havia
ouvido calúnias (verdadeiras, diga-se) sobre a minha intimidade com
o uísque.
Diante
do meu pasmo, avisou-me que já fora informado de minha expertise
por um outro Promotor de Justiça que merece ter sua história
contada, o Luiz Eduardo Custódio, que era o titular da comarca de
Vilhena.
Logo
fomos para a casa do Getúlio, pois, embora saindo de Vilhena às
sete horas da manhã, levamos quase cinco horas para vencer os
primeiros 80 quilômetros de trilha,
pois outro nome não se podia dar às estradas de então.
Na
casa dele, pude conhecer outra figura maravilhosa, a sua esposa Ana
que, embora nunca tivesse me visto, pelo simples fato de ser colega
de trabalho do marido, tratou-me com uma atenção e carinhos que só
podiam ser encontrados na Rondônia de antanho (1983).
Getúlio,
para nosso almoço, foi ao freezer e tirou um pedaço de costela de
boi congelada. Eu, com meus botões, pensei esse almoço
vai sair é nunca!.
Nunca
entendi como ele fez aquilo, mas pouco mais de meia hora depois
Getúlio e Ana serviram um belo almoço, com uma mais bela ainda
costela assada.
Depois
dessa recepção, e já trabalhando na comarca de Cerejeiras, iniciei
uma longa amizade com Getúlio e Ana.
Como
Cerejeiras somente tinha energia elétrica das 17:00 horas à
meia-noite e apenas um posto telefônico com filas homéricas (não
sei o que têm a ver com filas o grego Homero e a Ilíada...), quando
dava tempo e o barro permitia, eu os visitava em Colorado do Oeste
para filar boia e
curtir um pouco a civilização moderna, com luz nas 24 horas do dia
e telefone à disposição.
Getúlio,
Ana e Luiz Custódio não estão mais entre nós, mas suas vidas e
trabalho em Rondônia deixaram marcas nas vidas dos que os
conheceram.
Fica
aqui minha singela homenagem.
Boa tarde, meu nome e Luiz Eduardo de Sant'Ana Custodio, filho do Promotor Luiz Eduardo Custodio. Gostei muito da lembrança, tive o prazer de conhecer Rondônia nestes tempos. Um grande abraço
ResponderExcluirEstá nos meus planos contar a história da inserção do Ministério Público de Rondônia na primeira Constituição Estadual, onde a Instituição saiu muito fortalecida. Seu pai, o saudoso Luiz Eduardo Custódio, teve uma atuação simplesmente magnífica junto aos Deputados Estaduais. Esse pode todo que os MPs têm hoje é fruto de uma semente plantada pelo seu pai e pelo marcante Ibrahimar Andrade da Rocha.
ExcluirBom dia. Me recordo, de meu pai contar as diversas e infindáveis tratativas na para Constituição Estadual, realmente foi uma grande vitória. Me lembro do Dr. Ibrahimar, Dr. Badra, Dra. Analia (ex-esposa de meu pai)pela qual tenha grande respeito e consideração. Vai ser muito interessante contar esta grande historia. Um grande abraço
ExcluirPuxa ZELÃO, só assim tive algum contato com meu enteado Luizinho.pelo menos sei que ele não se desligou da lembrança do pai. Beijos , Ana LIA e Ilka.
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