A
BOCA MALDITA!
Dizem
que tudo tem um início. Há quem pense que o início da história do
Mundo aconteceu quando, depois de criar a terra, os rios, os mares,
os animais e um amontado de coisas mais (algumas das quais não vale
a pena lembrar, como a criação dos pernilongos, baratas e
ratos...), Deus teria posto Adão e Eva no Éden.
Mas
os arquelogistas, que fuçam tudo que está enterrado na terra e no
passado, dizem – e provam! - que antes de dar início à humanidade
Deus teria brincado um pouco, criando alguns tipos esquisitos de
animais (protótipos de políticos brasileiros?), ferozes e vorazes,
que nós hoje chamamos de dinossauros.
Pelo
jeito, Deus não gostou desses animaizinhos, pois deu uma pedrada na
Terra (ou seria uma meteorada?) e acabou com eles todos.
Provalmente, junto com os dinossauros, foram criados os pernilongos e
baratas.
Assim,
se uma pedrada celestial não acabou com eles, isso explica a
ineficiência perdulária dos atuais inseticidas...
Falando
em perdulário, GetúlioVargas criou, em 1932, um tal de TSE
(Tribunal Sujeito a Especulações), o que marca o início do fim.
Mas
eu quero falar é de outra coisa.
Nos
anos 1985, 1986, o Ministério Público de Rondônia era uma
Instituição jovem, levada avante por jovens, tanto na idade quanto
na carreira de Promotores de Justiça.
Naquela
época, anterior ao atual status constitucional
que o Ministério Público tem hoje, tudo era luta, tudo era
novidade, tudo era troca de experiências.
Nossa
sede era num precário prédio situdo na avenida principal de Porto
Velho onde, no térreo, num longo corredor, ficavam os gabinetes dos
Promotores, lado a lado.
Assim,
na movimentação de chegada e saída do trabalho, bem como nas
saídas para audiências judiciais, todos nos víamos constantemente,
diferentemente de hoje, quando cada um fica só em seu ambiente de
trabalho.
Nesse
encontro diário, nós fazíamos o que todo jovem faz, ou seja,
conversávamos sobre o trabalho, família, adversidades e felicidades
da vida e, até, mal uns dos outros.
A
personalidade de cada Promotor de Justiça, nesses encontros e
conversas, ficava evidenciada para os demais, fato que colocava o
necessário “tempero” nas amizades entre nós.
Essa
intimidade gerava o conhecimento mútuo das qualidades, dos defeitos
e esquisitices de cada qual.
Sabíamos,
então, quase tudo da vida e das ações dos colegas de trabalho e de
luta.
Esse
conhecimento gera, não raro, entre amigos, “gozações” e
“zoações” que se eternizam no tempo e na memória deles,
cimentando para sempre as amizades forjadas nos tempos difíceis.
Ali,
nessas conversas, nasceram, entre outros, apelidos como Doutor
Cataploft e Doutor
Urtigão, bem como outros que
não cabe agora citar.
Assim,
cada ajuntamento de Promotores de Justiça naquele corredor do prédio
antigo acabou, por sua vez, ganhando um apelido: Boca
Maldita.
A
Boca Maldita
funcionava diariamente, e o que se falava ficava registrado, não
tendo a validade etérea que têm algumas provas em processos
eleitorais de tribunais ainda mais etéreos.
Como
toda coisa viva (sim,
a Boca Maldita pode
ser chamada de coisa, pois, se ente vivo não era, era muito
dinâmica.
Por
isso, ela ganhou variações em seu nome, como por exemplo pantano
(assim mesmo, sem o acento
circunflexo da palavra original, pântano).
Mas
essas reminiscências dos velhos tempos de lutas em Rondônia tem uma
única finalidade, ou seja, afirmar que a AMPRO (Associação do
Ministério Público de Rondônia), hoje uma entidade de classe que
brilha País afora, teve na Boca Maldita
uma força agregadora que viajou no tempo até os dias de agora.
Esse
era um registro histórico que, apesar da minha falta de talento na
arte de escrever, eu precisava fazer.
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