sábado, 10 de junho de 2017

A Boca Maldita!

A BOCA MALDITA!


Dizem que tudo tem um início. Há quem pense que o início da história do Mundo aconteceu quando, depois de criar a terra, os rios, os mares, os animais e um amontado de coisas mais (algumas das quais não vale a pena lembrar, como a criação dos pernilongos, baratas e ratos...), Deus teria posto Adão e Eva no Éden.

Mas os arquelogistas, que fuçam tudo que está enterrado na terra e no passado, dizem – e provam! - que antes de dar início à humanidade Deus teria brincado um pouco, criando alguns tipos esquisitos de animais (protótipos de políticos brasileiros?), ferozes e vorazes, que nós hoje chamamos de dinossauros.

Pelo jeito, Deus não gostou desses animaizinhos, pois deu uma pedrada na Terra (ou seria uma meteorada?) e acabou com eles todos. Provalmente, junto com os dinossauros, foram criados os pernilongos e baratas.

Assim, se uma pedrada celestial não acabou com eles, isso explica a ineficiência perdulária dos atuais inseticidas...

Falando em perdulário, GetúlioVargas criou, em 1932, um tal de TSE (Tribunal Sujeito a Especulações), o que marca o início do fim.

Mas eu quero falar é de outra coisa.

Nos anos 1985, 1986, o Ministério Público de Rondônia era uma Instituição jovem, levada avante por jovens, tanto na idade quanto na carreira de Promotores de Justiça.

Naquela época, anterior ao atual status constitucional que o Ministério Público tem hoje, tudo era luta, tudo era novidade, tudo era troca de experiências.

Nossa sede era num precário prédio situdo na avenida principal de Porto Velho onde, no térreo, num longo corredor, ficavam os gabinetes dos Promotores, lado a lado.

Assim, na movimentação de chegada e saída do trabalho, bem como nas saídas para audiências judiciais, todos nos víamos constantemente, diferentemente de hoje, quando cada um fica só em seu ambiente de trabalho.

Nesse encontro diário, nós fazíamos o que todo jovem faz, ou seja, conversávamos sobre o trabalho, família, adversidades e felicidades da vida e, até, mal uns dos outros.

A personalidade de cada Promotor de Justiça, nesses encontros e conversas, ficava evidenciada para os demais, fato que colocava o necessário “tempero” nas amizades entre nós.

Essa intimidade gerava o conhecimento mútuo das qualidades, dos defeitos e esquisitices de cada qual.

Sabíamos, então, quase tudo da vida e das ações dos colegas de trabalho e de luta.

Esse conhecimento gera, não raro, entre amigos, “gozações” e “zoações” que se eternizam no tempo e na memória deles, cimentando para sempre as amizades forjadas nos tempos difíceis.

Ali, nessas conversas, nasceram, entre outros, apelidos como Doutor Cataploft e Doutor Urtigão, bem como outros que não cabe agora citar.

Assim, cada ajuntamento de Promotores de Justiça naquele corredor do prédio antigo acabou, por sua vez, ganhando um apelido: Boca Maldita.

A Boca Maldita funcionava diariamente, e o que se falava ficava registrado, não tendo a validade etérea que têm algumas provas em processos eleitorais de tribunais ainda mais etéreos.

Como toda coisa viva (sim, a Boca Maldita pode ser chamada de coisa, pois, se ente vivo não era, era muito dinâmica.

Por isso, ela ganhou variações em seu nome, como por exemplo pantano (assim mesmo, sem o acento circunflexo da palavra original, pântano).

Mas essas reminiscências dos velhos tempos de lutas em Rondônia tem uma única finalidade, ou seja, afirmar que a AMPRO (Associação do Ministério Público de Rondônia), hoje uma entidade de classe que brilha País afora, teve na Boca Maldita uma força agregadora que viajou no tempo até os dias de agora.

Esse era um registro histórico que, apesar da minha falta de talento na arte de escrever, eu precisava fazer.




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