sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Brasil por água abaixo

O BRASIL POR ÁGUA ABAIXO



Estamos vendo o Brasil, chamado antigamente pelos ingênuos de País do Futuro, ser transformado, por todas as correntes políticas (direita, esquerda e centro, mas pode me chamar de muro), em País do Faturo.

Quando adolescente, eu já ouvia críticas ao modo brasileiro de ser dizendo que, se a Máfia italiana (ou também da Sicília ou da Calábria) viesse para o Brasil, seria logo transformada em bagunça, rapidamente avacalhada pelos nossos ladrões totalmente amorais.

Parece uma bobagem falar sobre “ladrões amorais”, mas os nossos ladrões não respeitam nem os outros ladrões...

A bandidagem comum (traficantes, ladrões, assassinos, etc) parece ter perdido todos os limites da violência, matando indiscriminadamente as vítimas (os carneiros que, com seu suado trabalho, ganham o que deles será roubado), os policiais (sinal de perda do medo do Estado) e os bandidos de facções rivais.

Assim, a bala que sai da arma de um bandido “animado” pelo uso de drogas, nesses confrontos pelo controle de áreas das cidades (cercadinhos para os carneiros que serão tosquiados e os viciados que lhes compram as drogas), nada tem de perdida: será “achada” por um transeunte qualquer, seja um trabalhador, seja uma criança a caminho da escola.

O sentimento que se alastra em nosso País, e isso eu constato nas conversas com diversas pessoas, é o da vontade de sair do Brasil em definitivo. O brasileiro, que “não desiste nunca”, desistiu de ser cidadão da sua terra natal.

Para onde fugir dessa situação? O único modo de “consertarmos” o Brasil seria através de atuação de autoridades dignas, responsáveis, decentes.

Essa matéria-prima existe, mas não consegue infiltrar-se nos meios dominantes, seja na Política (só se elegem os que são acordes com a imoralidade reinante), seja no Judiciário (só chegam aos altos cargos, com raríssimas exceções, aqueles que bajulam o Poder.

O maior exemplo disso está no nosso Supremo Tribunal Federal. Aqueles que dele almejam ser Ministros, tem que passar por humilhantes rapapés e visitas aos gabinetes dos que estão no Poder, sem levar em consideração a estatura moral dos visitados.

Pode-se negar esse fato (e os “impolutos” negarão), mas todos sabemos que é a nossa triste realidade.

Escrevo esse texto, neste particular, sob a influência da humilhante experiência dos brasileiros a que nos sujeita nesses dias o Tribunal Superior Eleitoral, quando do julgamento da roubada eleição da dupla Dilma-Temer.

Onde enxergar-se a saída desse túnel desprovido de luz em que estamos se, na propaganda eleitoral gratuita (que a legislação aprovada pelos “impolutos” nos impõe) vemos que os supostos partidos de oposição chamam os cidadãos brasileiros para suas hostes dizendo que, neles, a chance de eleger com poucos votos é maior??

E o tal de futuro? Isso, para mim, fica absolutamente claro que não existe quando vejo que uma manifestação no centro de Maringá, promovida por membros da Universidade local, que deveria expor ao povo sua insatisfação com os rumos da Educação no País, e limitam-se a gritar slogans como “Fora Fulano, fora governador”.

Gostaria muito de poder dizer que esse descalabro brasileiro seria culpa de um determinado partido político, de um líder nacional, mas não posso.

Os religiosos costumam fiar-se em Deus e na salvação geral. Mas fazem isso filiados a igrejas que, não raro, exploram economicamente os fieis, dando ensejo à eleição de partidários seus (ungidos divinamente?), que se somam à bandalheira imperante.

A lama é geral.

Pobre Brasil.




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