O
BRASIL POR ÁGUA ABAIXO
Estamos
vendo o Brasil, chamado antigamente pelos ingênuos de País do
Futuro, ser transformado, por todas as correntes políticas (direita,
esquerda e centro, mas pode me chamar de muro), em País do Faturo.
Quando
adolescente, eu já ouvia críticas ao modo brasileiro de ser dizendo
que, se a Máfia italiana (ou também da Sicília ou da Calábria)
viesse para o Brasil, seria logo transformada em bagunça,
rapidamente avacalhada pelos nossos ladrões totalmente amorais.
Parece
uma bobagem falar sobre “ladrões amorais”, mas os nossos ladrões
não respeitam nem os outros ladrões...
A
bandidagem comum (traficantes, ladrões, assassinos, etc) parece ter
perdido todos os limites da violência, matando indiscriminadamente
as vítimas (os carneiros que, com seu suado trabalho, ganham o que
deles será roubado), os policiais (sinal de perda do medo do Estado)
e os bandidos de facções rivais.
Assim,
a bala que sai da arma de um bandido “animado” pelo uso de
drogas, nesses confrontos pelo controle de áreas das cidades
(cercadinhos para os carneiros que serão tosquiados e os viciados
que lhes compram as drogas), nada tem de perdida: será “achada”
por um transeunte qualquer, seja um trabalhador, seja uma criança a
caminho da escola.
O
sentimento que se alastra em nosso País, e isso eu constato nas
conversas com diversas pessoas, é o da vontade de sair do Brasil em
definitivo. O brasileiro, que “não desiste nunca”, desistiu de
ser cidadão da sua terra natal.
Para
onde fugir dessa situação? O único modo de “consertarmos” o
Brasil seria através de atuação de autoridades dignas,
responsáveis, decentes.
Essa
matéria-prima existe, mas não consegue infiltrar-se nos meios
dominantes, seja na Política (só se elegem os que são acordes com
a imoralidade reinante), seja no Judiciário (só chegam aos altos
cargos, com raríssimas exceções, aqueles que bajulam o Poder.
O
maior exemplo disso está no nosso Supremo Tribunal Federal. Aqueles
que dele almejam ser Ministros, tem que passar por humilhantes
rapapés e visitas aos gabinetes dos que estão no Poder, sem levar
em consideração a estatura moral dos visitados.
Pode-se
negar esse fato (e os “impolutos” negarão), mas todos sabemos
que é a nossa triste realidade.
Escrevo
esse texto, neste particular, sob a influência da humilhante
experiência dos brasileiros a que nos sujeita nesses dias o Tribunal
Superior Eleitoral, quando do julgamento da roubada eleição da
dupla Dilma-Temer.
Onde
enxergar-se a saída desse túnel desprovido de luz em que estamos
se, na propaganda eleitoral gratuita (que a legislação aprovada
pelos “impolutos” nos impõe) vemos que os supostos partidos de
oposição chamam os cidadãos brasileiros para suas hostes dizendo
que, neles, a chance de eleger com poucos votos é maior??
E
o tal de futuro? Isso, para mim, fica absolutamente claro que não
existe quando vejo que uma manifestação no centro de Maringá,
promovida por membros da Universidade local, que deveria expor ao
povo sua insatisfação com os rumos da Educação no País, e
limitam-se a gritar slogans como “Fora
Fulano, fora governador”.
Gostaria
muito de poder dizer que esse descalabro brasileiro seria culpa de um
determinado partido político, de um líder nacional, mas não posso.
Os
religiosos costumam fiar-se em Deus e na salvação geral. Mas fazem
isso filiados a igrejas que, não raro, exploram economicamente os
fieis, dando ensejo à eleição de partidários seus (ungidos
divinamente?), que se somam à bandalheira imperante.
A
lama é geral.
Pobre
Brasil.
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