VÍTIMAS?
SAFADOS, ISSO SIM...
Nesta semana, aconteceu conosco
um evento que, para além da curiosidade, faz plena prova da (má)
natureza humana.
Minha querida (querida é
pouco, mas vou deixar barato porque se trata do blog) Zilda, após
chegar em casa depois de fazer compras no supermercado, veio
contar-me uma coisa que ela achara interessante e que acabara de
acontecer com ela.
Ela contou-me que, logo na
saída do nosso prédio, foi abordada por um jovem, que lhe
perguntava sobre onde ficava uma loja estabelecida na mesma avenida
onde moramos.
Como a tal loja não existe,
ela lhe disse que não sabia onde ficava e nem a conhecia. Aí o
rapaz prosseguiu, dizendo que tinha que entregar uma “coisa” na
tal loja, demonstrando muita preocupação por não saber como
cumprir a tarefa que recebera.
O rapaz, muito bonzinho (na
avaliação dela), explicou que tratava-se de um bilhete de loteria,
e que alguém da loja o ajudaria a receber o valor, já que ele não
poderia fazê-lo, por ser menor de idade.
- Isca lançada (pensei eu com meus botões).
Nesse
momento, sai alguém de um cartório de notas situado no local e,
muito gentil (sempre segundo ela), tenta ajudar. Apresenta-se como
corretor de imóveis, e está bem vestido.
O
corretor, ao ser informado do problema pelo rapaz que está com o
bilhete, dispõe-se a ajudar (bom
samaritano às avessas)
e, pegando o bilhete, liga do seu celular para a Caixa Econômica
Federal.
Sua
conversa com o funcionário da Caixa Econômica Federal, pelo que
minha esposa e o rapaz ouvem, confirma que o bilhete é realmente
premiado!!
O
valor, pasmem!, é de vulto, ou seja, há um prêmio de um milhão,
trezentos e oitenta mil reais (acho que daria para comprar o elevador
do tríplex do Lula em Guarujá...)!
O
rapaz do bilhete mostra-se desesperado com o fato de que não poderá
receber o valor na Caixa.
O
“corretor”, mostrando sua enorme preocupação com os seres
humanos que com ele compartilham a humanidade, dirige-se à minha
esposa e brada:
- Temos que ajudá-lo!
Minha
cara consorte (aliás, seria bem cara se houvesse caído na lábia
dos dois vagabundos), mostrou-lhes com quantos paus se faz uma canoa
que, pelas proporções de sua atitude, está mais para navio.
Disse
aos dois que simplesmente não tinha tempo (ela ia ao supermercado,
lembram?) e largou-os sozinhos para receberem o valor na Caixa.
O
surpreendente nisso tudo é que, ao contar-me o ocorrido, ela não
tinha noção alguma de que tentaram fazê-la cair no famoso conto
do bilhete.
Em
outras palavras, ela acreditou
no que ambos os criminosos disseram. Só não caiu no golpe porque
ela, de natureza, não é afetada de modo algum pela cobiça, pela
intenção de levar vantagem (menos quando ela quer ganhar alguma
discussão comigo, mas isso é outra historia.
Conto
esse causo
para dizer que essas vítimas
(?)
que volta e meia aparecem nos jornais (dia desses foi uma professora)
lamentando-se pela perda de valores vultosos, não são vítimas
coisa nenhuma.
São
apenas cobiçosos que tentaram obter vantagem frente à (pretensa)
inocência de outras pessoas.
Os
dois vigaristas devem estar coçando as cabeças até agora.
Com
alguma dificuldade de aceitação por parte dela, expliquei à minha
esposa que se tratavam de bandidos e que era um golpe muito antigo,
que ainda faz vítimas...
Este
causo
não
é para falar da inocência da minha esposa, mas, sim, da (péssima)
natureza humana.