sábado, 8 de outubro de 2016

Dever a ser cumprido!

DEVER A SER CUMPRIDO!



Esta aventura pela Amazônia tem vários lances de emoção: selva, águas selvagens de rio, lancha parecendo aquelas usadas pelo James Bond, calor, frio, peixes em estado natural e um desafio que nos desafiou a todos – pelo menos os homens -, que resultou em nossa vitória.

Em um belo mês de julho, quando Rondônia, e por extensão, a Amazônia ficam mais lindos, recebi um convite dos meus sobrinhos Paulinho e Daniel para passear de barco pelo Rio Preto, um dos belos rios nas proximidades de Porto Velho.

O convite foi ampliado para a minha esposa, minha cunhada e duas lindas meninas gêmeas, acompanhadas pela mãe, minha também sobrinha Mel.

Comecei a estranhar sobre as coisas daquela aventura pelo rio Preto quando, já estando próximos ao meio-dia, nada dos sobrinhos convidantes aparecerem. Paranaense com tique de mineiro, minhas aventuras todas começam logo cedo, para “não perder o trem”.

Quando já era mais de meio-dia, os sobrinhos chegam e vão logo dizendo, imperativos: “Vamos embora!”. Meio desconfiado (também outro sotaque mineiro meu), embarquei no carro deles e saímos.

  • Cadê o barco, onde estão os petrechos náuticos, onde está tudo, pensava eu, mesmo sabendo que, em Rondônia, tudo é muito estranho.

Pegamos a estrada e viajamos uns 20 quilômetros. Nada de rio e muito menos de barco. Finalmente, chegamos a um restaurante de beira de estrada e os dois animados sobrinhos anunciaram:

  • Vamos almoçar!

Lá com meus botões, pensei que, pelo menos, não iria morrer de fome. Enquanto finalizávamos o repasto (palavra que não quer dizer que comemos grama, como os bois no pasto, quando repetem a refeição – repasto), Paulinho e Daniel saíram dizendo que iriam comprar a gasolina para o barco e cervejas e refrigerantes.

Quando saímos do restaurante, tudo estava pronto no carro e, para meu gáudio, nos dirigimos para o rio Preto.

No lugar, chamado de Candeias do Jamari, encontrei o famoso James Bond, o 007, ou, pelo menos, o rastro dele: o barco do meu sobrinho parecia aqueles que o intrépido agente britânico – e que não morre nunca! - usa em suas aventuras. “Começamos bem”, pensei.

Depois de embarcar e fazer uma pose conveniente para quem estava numa enbarcação jamesbondística, começamos a navegar pelo belo Rio Preto, cujas águas justificam o nome dado a ele.

Depois de algum tempo, paramos numa bela praia de rio. Lá em cima, tremulando nas árvores mais altas perto da praia, algo insólito. Era uma bandeira do Flamengo. Meus botões logo funcionaram:

  • Será que o James Bond é flamenguista?

A belíssima Mel tentava acalmar suas filhas, que estranhavam o local isolado e belo. Para sua infelicidade, uma das gêmeas foi logo brindada com uma ferroada de abelha.

A reação da menininha lembrou-me daqueles filmes do Tarzan, pois o que ela emitiu parecia o dito cujo chamando os animais da selva para junto de si.

Acalmada a menina e o seu justo chororô, fomos nadar naquele rio Preto, sendo beliscados pelos peixes, notadamente a jatuarana. Pena que elas não estavam no tamanho adequado, pois é um peixe saborosíssimo.

Tudo ia bem naquele convescote familiar quando surgiu o inesperado!

O sobrinho Daniel, com semblante preocupado – aparentando pânico mesmo! - chegou junto de mim e de Paulinho e segredou-nos:

  • A cerveja tem validade até apenas amanhã!

Não deixamos as mulheres perceberem o drama, pois não queríamos espalhar o pânico/terror.

Assim, nós nos afastamos do grupo e fizemos uma reunião da cúpula diretiva.

Tudo era ainda incerto quando meu sobrinho Daniel, num rompante de inteligência e bravura, bradou:

  • Temos que beber TODA a cerveja hoje, pois assim evitamos o seu vencimento!
Uma situação perigosa, envolvendo cerveja quase vencida, foi alvo de uma estratégia bem dirigida, pelo brilhantismo dos sobrinhos Araujos.

Tenho o prazer de informar que o objetivo foi alcançado, e todos retornamos em segurança para casa.


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