DEVER
A SER CUMPRIDO!
Esta
aventura pela Amazônia tem vários lances de emoção: selva, águas
selvagens de rio, lancha parecendo aquelas usadas pelo James Bond,
calor, frio, peixes em estado natural e um desafio que nos desafiou a
todos – pelo menos os homens -, que resultou em nossa vitória.
Em
um belo mês de julho, quando Rondônia, e por extensão, a Amazônia
ficam mais lindos, recebi um convite dos meus sobrinhos Paulinho e
Daniel para passear de barco pelo Rio Preto, um dos belos rios nas
proximidades de Porto Velho.
O
convite foi ampliado para a minha esposa, minha cunhada e duas lindas
meninas gêmeas, acompanhadas pela mãe, minha também sobrinha Mel.
Comecei
a estranhar sobre as coisas daquela aventura pelo rio Preto quando,
já estando próximos ao meio-dia, nada dos sobrinhos convidantes
aparecerem. Paranaense com tique de mineiro, minhas aventuras todas
começam logo cedo, para “não perder o trem”.
Quando
já era mais de meio-dia, os sobrinhos chegam e vão logo dizendo,
imperativos: “Vamos embora!”. Meio desconfiado (também outro
sotaque mineiro meu), embarquei no carro deles e saímos.
- Cadê o barco, onde estão os petrechos náuticos, onde está tudo, pensava eu, mesmo sabendo que, em Rondônia, tudo é muito estranho.
Pegamos
a estrada e viajamos uns 20 quilômetros. Nada de rio e muito menos
de barco. Finalmente, chegamos a um restaurante de beira de estrada e
os dois animados sobrinhos anunciaram:
- Vamos almoçar!
Lá
com meus botões, pensei que, pelo menos, não iria morrer de fome.
Enquanto finalizávamos o repasto (palavra que não quer dizer que
comemos grama, como os bois no pasto, quando repetem a refeição –
repasto), Paulinho e Daniel saíram dizendo que iriam comprar a
gasolina para o barco e cervejas e refrigerantes.
Quando
saímos do restaurante, tudo estava pronto no carro e, para meu
gáudio, nos dirigimos para o rio Preto.
No
lugar, chamado de Candeias do Jamari, encontrei o famoso James Bond,
o 007, ou, pelo menos, o rastro dele: o barco do meu sobrinho parecia
aqueles que o intrépido agente britânico – e que não morre
nunca! - usa em suas aventuras. “Começamos bem”, pensei.
Depois
de embarcar e fazer uma pose conveniente para quem estava numa
enbarcação jamesbondística, começamos a navegar pelo belo Rio
Preto, cujas águas justificam o nome dado a ele.
Depois
de algum tempo, paramos numa bela praia de rio. Lá em cima,
tremulando nas árvores mais altas perto da praia, algo insólito.
Era uma bandeira do Flamengo. Meus botões logo funcionaram:
- Será que o James Bond é flamenguista?
A
belíssima Mel tentava acalmar suas filhas, que estranhavam o local
isolado e belo. Para sua infelicidade, uma das gêmeas foi logo
brindada com uma ferroada de abelha.
A
reação da menininha lembrou-me daqueles filmes do Tarzan, pois o
que ela emitiu parecia o dito cujo chamando os animais da selva para
junto de si.
Acalmada
a menina e o seu justo chororô, fomos nadar naquele rio Preto, sendo
beliscados pelos peixes, notadamente a jatuarana. Pena que elas não
estavam no tamanho adequado, pois é um peixe saborosíssimo.
Tudo
ia bem naquele convescote familiar quando surgiu o inesperado!
O
sobrinho Daniel, com semblante preocupado – aparentando pânico
mesmo! - chegou junto de mim e de Paulinho e segredou-nos:
- A cerveja tem validade até apenas amanhã!
Não
deixamos as mulheres perceberem o drama, pois não queríamos
espalhar o pânico/terror.
Assim,
nós nos afastamos do grupo e fizemos uma reunião da cúpula
diretiva.
Tudo
era ainda incerto quando meu sobrinho Daniel, num rompante de
inteligência e bravura, bradou:
- Temos que beber TODA a cerveja hoje, pois assim evitamos o seu vencimento!
Uma
situação perigosa, envolvendo cerveja quase vencida, foi alvo de
uma estratégia bem dirigida, pelo brilhantismo dos sobrinhos
Araujos.
Tenho
o prazer de informar que o objetivo foi alcançado, e todos
retornamos em segurança para casa.
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