quinta-feira, 7 de julho de 2016

Escravidão branca

ESCRAVIDÃO BRANCA


Para explicar o título desta postagem, devo fazer um breve intróito. Eu sempre me orgulhei do meu avô materno, o “seu” Antônio Barbosa, um sujeito que, sempre por força de seu trabalho, construiu uma vida, aí incluídos patrimônio, fama de honesto e uma bela família.

O meu avô, nos fins dos anos 1940, morava no lugar chamado Varpa, no Estado de São Paulo, que era parte do município de Tupã. Nas suas proximidades, ficam destacadas as cidades de presença mais forte em minhas lembranças de menino, ou seja, Paraguaçu Paulista e Assis.

A localidade de Varpa foi o destino final dos letões (ou letos, como se dizia por lá), cidadãos da Letônia, um país invadido pela Rússia. Esses letões, impedidos de manter seus cultos religiosos e costumes nacionais, tiveram que fugir dos bolchevistas, os malditos comunistas. Vieram para o Brasil, Varpa.

Sabedor do avanço da colonização nas matas profundas para os lados do Paraná e Mato Grosso (na época havia apenas um estado, depois dividido em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), meu avô desfez-se de tudo que tinha (e era pouco) e comprou terras no Paraná e no Mato Grosso.

Como se dizia naquele tempo, juntou a “famiagem” (a família) e mandou-se para o norte do Paraná, tendo chegado em Maringá lá por 1948, 1949...

As terras que comprara ficavam no distrito de Água Boa, distante de Maringá uns 30 quilômetros, com o detalhe que o trecho percorrido era mata pura.

Para pôr a terra comprada para produzir, meu avô montava em uma bicicleta, com um machado preso na garupa, e pedalava (pedaladas honradas, não essas dos petistas...) até o local, onde derrubava árvores e fazia acontecer o sonho da terra própria, da sua fazenda.

Chegou ao fim da vida bem de situação financeira, nada obstante a incompetência dos governos militares que destruíram o valor da moeda brasileira.

As terras compradas no Mato Grosso, muito distantes para se chegar de bicicleta, perderam-se na infinitude das matas indevassáveis, na época.

Agora chego, enfim, ao ponto de falar do título postado, a “escravidão branca”.

Dia desses, conversando com um amigo meu, que já conta com seus 80 anos, ele falou-me que sua família, imigrantes europeus, veio para o Brasil na condição de escravos brancos.

Esses imigrantes vieram para o Brasil após a decretação do fim da escravidão negra em 1888. Vieram para trabalhar no lugar dos escravos libertos, em condição de absolutamente explorados, com parca remuneração e mal alimentados. Daí o termo escravidão branca.

Venceram a “escravidão branca” com muito trabalho e perseverança, driblando as dificuldades de um Brasil quase selvagem.

Hoje em dia, os descendentes desses “ex-escravos brancos” estão perfeitamente adaptados à comunidade brasileira e ajudaram a fazer crescer o nosso País.

Depois de muito trabalho, poupança e coragem, essas pessoas são hodiernamente atacadas em suas fazendolas e fazendas por invasores industrializados e guiados pelo Movimento dos Sem Terra, o MST.

Esses invasores industrializados, como eu disse acima, são moradores de periferias urbanas que, sem nunca terem visto uma roça ou uma enxada, são transformados pelo MST em “trabalhadores rurais sem terra”.

Como nos anos 1940, os bolcheviques daqui, como fizeram os russos na Letônia, procuram expulsar os que vivem do seu trabalho, tirando-os de suas terras e casas.

Não passarão!

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