A
FOTO NUNCA VISTA
Para
os tempos modernos, as fotografias que tirávamos no passado parecem
coisa de outro mundo, coisas que hoje parecem muito difíceis de
fazer.
Para
as máquinas fotográficas de anos atrás, você precisava ter o
filme, cujo tamanho variava. Eles podiam ser para doze, vinte e
quatro e trinta e seis fotografias. Podiam, também, ser em preto e
branco ou coloridas.
Você
era obrigado a clicar para “tirar” as fotos e somente iria saber
se haviam ficado boas quando todas as fotos do filme eram utilizadas
e enviadas para um laboratório para serem “reveladas”.
Somente
então você iria saber que você tinha “cortado” a cabeça de
sua tia, se sua irmã tinha saído de olhos fechados, etc.
Olhando
para trás, vemos que era uma verdadeira ginástica o ato de
fotografar. Hoje, sequer precisamos de uma máquina fotográfica,
pois fazemos fotos usando tablets, celulares e, até, máquinas
fotográficas...
Pois
o “causo” que eu vou contar deu-se nos tempos ainda heroicos da
fotografia, pois aconteceu em 1983.
Eu,
recém-empossado como Promotor de Justiça, cheguei à cidade de
Guajará-Mirim, onde ajudaria o titular daquela Comarca a fazer
alguns júris. Meu colega chamava-se, também, Osmar, dado importante
no desfecho deste “causo”.
Naquele
finalzinho da ditadura militar, a grana era escassa e, para
economizar, hospedei-me na casa do outro Promotor de Justiça.
Também
no intuito de economizar o parco dinheirinho, pedi licença à dona
da casa, esposa do outro Osmar, para usar o seu tanque de lavar
roupas. Eu pretendia, e realmente o fiz (para espanto daqueles que me
acham, com razão, uma nulidade nas artes domésticas), lavar as
minhas cuecas, pelo menos elas...
Uma
tarde qualquer eu peguei as ditas cujas (as cuecas) e, brioso como o
exército alemão invadindo a Rússia, dirigi-me ao tanque de lavar
roupas e comecei a praticar o branqueamento cuecal.
Meu
colega, o dono da casa, tinhoso como todo Promotor de Justiça
(concordarão com isso todos os alcançados hoje pelas investigações
da Lava Jato), ao notar minha atividade laboral, sorrateiramente
pegou sua máquina fotográfica e ...
…
fotografou minha higienização das roupas íntimas, para usar uma
linguagem mais adequada ao histórico cultural deste blog.
Aquele
gesto de traição suprema dos princípios gerais estatuídos na
Declaração Universal dos Direitos dos Homens, fruto maior da
Revolução Francesa de 1789, eu considero até hoje um ato
tresloucado daquele amigo que, se não se chamasse também Osmar,
estaria inscrito nos anais da Infâmia.
Mas
os tempos antigos tinham suas vantagens. Eu explico.
Alguns
dias depois, estava eu no Fórum trabalhando sozinho (meu colega e
homônimo estava na casa dele, palco do fato criminoso aqui
relatado). Chegou um funcionário do Fórum e disse-me que alguém
estava na porta procurando pelo “doutor Osmar”.
Logo
pensei:
- Não é comigo, pois aqui na cidade ninguém me conhece, deve estar procurando pelo meu colega.
Mas
o destino trama contra os criminosos. O funcionário acrescentou que
era o sujeito do “Foto”, que era o lugar onde se mandava
“revelar” as fotos.
Meu
cérebro não-menos-criminoso
logo ligou as fotos com a foto que me flagrara lavando as cuecas.
Imediatamente
mandei o sujeito entrar e o atendi. Expliquei que eu entregaria as
fotos ao “Doutor Osmar” verdadeiro e que pagaria o custo da
“revelação”.
Crime
perfeito! Fotos entregues à vítima!
Logo
localizei a foto que me mostrava em plena atividade na lavanderia
(como hoje se chama o tanque de lavar roupas).
Para
completa extirpação das provas, verifiquei os “negativos” do
filme e, com uma tesoura, cortei o pedaço que poderia ser usado em
outra revelação e para divulgação dos meus pendores lavatoriais.
Em
minha defesa, acho que o tal de Pôncio Pilatos, que lavou apenas as
mãos, é acusado de crime maior, não é?
Este
“causo” vai servir para o meu bom amigo, o também Osmar,
descobrir como “desapareceu” aquela foto, algo que sempre o
assombrou.
Devo
esclarecer que tive como parceiro, como co-autor, neste contra
crime, o melhor amigo e o baita
Juizaço Cássio, hoje fazendo
das suas em outro plano, para onde iremos todos nós.
Finalizo
dizendo que o que é antigo nem sempre é somente velho, pois enfeita
a memória daqueles que viveram e revivem o que lhes aconteceu de
bom.
Excelente e hilário texto, como sempre, caro mano. Parabéns mais uma vez. Abraço do mano Osvaldo.
ResponderExcluirFez falta a dita cuja no final do conto. Estávamos esperando por ela, a foto.
ResponderExcluirPenso como meu querido tio Araújo ( in memorian), reagiria ao ver uma foto dessas e como renderia comentarios com risadas que só ele dava . Valeu Osmar !
ResponderExcluirConcordo com a Pat. Ficaria super bem explicado o fato. Bão pra você.
ResponderExcluirDeli.
ZELÃO,o Galeguim duzoi azul vai te comer o fígado... kkkkkkk Beijão.
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