quarta-feira, 25 de maio de 2016

Refugos que assumem o poder

REFUGOS QUE ASSUMEM O PODER





No pós-guerra da I Guerra Mundial, quando a Alemanha, vencida, tornou-se um saco de gatos, com todos brigando contra todos, e com a superinflação destruindo o valor do seu dinheiro, o marco, logo apareceram os “salvadores”, os nazistas, de triste memória.

Hitler, orador inflamado e inflamante, ajudou a criar o NSDAP (o Nationalsozialistische Deustche Abeiterpartei – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) que, partindo da filiação dos desocupados e desempregados ex-soldados alemães, veio a conquistar, por defesa forte e histérica dos seus postulados, em seguidas eleições, o Poder naquela nação destrambelhada.

Peguemos, para exemplo, um dos fracassados que Hitler atraiu para si, Heinrich Himmler. Himmler, frustrou-se porque, quando atingiu a idade para poder combater na I Grande Guerra, imaginando que tornar-se-ia (com Michel Temer Presidente, a mesóclise foi restaurada) heroi, a Alemanha rendeu-se aos exércitos aliados.

Tiro n'água, portanto, pois ele, apesar de já estar de uniforme e podendo obter o posto de oficial, voltou para casa.

Como todos os outros com dificuldades para ganhar a vida, aliou-se aos nazistas, como se chamavam os filiados ao NSDAP.

Tratava-se de um sujeito com sérias dificuldades psicológicas, anseios de autoafirmação e sonhos de grandeza. Depois de muitas agruras, quando já prestes a ter Hitler no poder, ajudou a criar a SS (a Schutzstaffel, ou Polícia de Proteção).

Acho que, por ser o mais maluco de todos, acabou por tornar-se o chefe da SS nazista, aparentemente gloriosa por seus uniformes em preto, ou seja, o Reichsfurer da SS.

Himmler partilhava do mesmo ódio professado por Hitler contra os judeus em particular e contra os sub-humanos em geral (todos aqueles que não eram da etnia germânica).

Assim, além do extermínio dos judeus, Hitler conferiu a Himmler e à sua SS a tarefa de ajudar a “criar” a grande Alemanha, através do assentamento dos alemães étnicos nos territórios dos países derrotados na guerra, com a expulsão dos sub-humanos.

Para esse gênio do mal, os povos não-germânicos deveriam fazer parte de um Estado Geral, sem nacionalidades, destinados a, tão-somente, ser a mão de obra da grande Alemanha.

O judeus deveriam ser todos “emigrados” (à força, evidentemente) para a África ou outra colônia qualquer (depois resolveram que melhor mesmo era matar todos os juden).

Para os demais, destinados a ser uma geleia geral de trabalhadores braçais dos nazistas, pinço, abaixo, algumas das pérolas de Himmler. Segundo ele, a coisa seria resolvida via escola. Então:

para a população não-alemã do leste europeu, só deveria existir a escola primária até a quarta série e nada mais;

nessas escolas só se deveria ensinar contas simples, até quinhentos;

no máximo aprender a escrever o próprio nome; e

aprender que é um mandamento divino obedecer aos alemães e ser honesto, trabalhador e decente.”

Himmler defendia ainda que, caso alguma das crianças submetidas a tais “escolas”, em razão de um QI elevado ou fosse dotada de talentos especiais, seria obrigação dos pais entregá-los à Alemanha, pois, tendo elas “sangue valioso”, digno do germanismo, seriam incluídas e adaptadas ao Reich.

Esse sujeito foi o chefe de uma das mais fortes iniciativas do Projeto Nazista! Pior: por pouco não conseguiram seus objetivos!

Alguns defendem que, não tivesse Hitler iniciado a guerra contra a União Soviética cedo demais, os alemães teriam chances de vencer a II Guerra Mundial.

Vejam que Hitler e Himmler são rematados exemplos de refugos da humanidade que ascendem ao poder.

Qual a razão deste escrito? Primeiro, demonstrar que essa barbárie nazista nasceu de um partido dito socialista e dos trabalhadores.

As nomenclaturas e rótulos em nada importam. Penso que o único modo de se criarem sociedades e países civilizados e progressistas é através da boa formação intelectual das crianças, e que os líderes sejam aquelas pessoas que, na política de determinada nação, não sejam aqueles histéricos e refratários às ideias contrárias ou diferentes das suas.

Precisamos, no Brasil, não de rótulos de esquerda ou direita, mas sim de pessoas de boa índole, honestas e que pensem na evolução do país.

Hoje em dia, todos concordamos, as pessoas honestas têm vergonha de entrar na Política, dada a cara-de-pau e à orgia lamacenta que envolve as atividades partidárias.

Não temos nada disso no Brasil. Quando teremos? Alguém vê a luz no fim do túnel?

Eu não vejo sequer o túnel...



domingo, 8 de maio de 2016

A defesa ridícula de Dilma Roussef

A DEFESA RIDÍCULA DE DILMA ROUSSEF



Nesse agitado fim de governo de Dilma Roussef, que marcará o fim de uma roubalheira tão descarada quanto ignorante (sim, pois quem rouba tão descaradamente só pode ser burro), causa espanto a gritaria promovida pela atual e futura ex-Presidente da República e pelo seu dublê ministerial José Eduardo Cardozo, que, num sinal dos tempos bananísticos que o Brasil atravessa, saiu do Ministério da Justiça para a Advocacia Geral da União.

A síntese da defesa de Dilma Roussef, que não quer perder a boquinha da Presidência da República, boquinha essa da qual dependem outros petistas grudados em outras boquinhas, pode ser resumida no bordão “impeachment sem crime é golpe”.

Para tentar entender como eles estão desenvolvendo esse raciocínio defensivo da Presidente e seus asseclas, vou ter que comparar as ações de Dilma com as ações de um criminoso comum.

É certo e está demonstrado que Dilma Roussef, nos anos de 2013 e 2014, já operando para obter sucesso na sua reeleição, praticou as tais pedaladas, sangrando os bancos estatais para fazer parecer que tinha dinheiro em caixa e que o País era bem administrado.

Acontece que madame exagerou nos saques do “cheque especial” e a coisa degringolou e acabou se refletindo no ano de 2015, que são as pedaladas que agora retirarão essa incompetente da Presidência da República. Ela sacou tanto dinheiro sem tê-lo que a reposição aos bancos ficou impagável.

Mal comparando o crime de responsabilidade que são esses saques a descoberto com um crime comum, acho que Dilma Roussef será punida não pelo crime praticado, mas sim por um crime que cometeu no caminho (chamado iter criminis).

Vejam: quem comete um crime de homicídio por arma de fogo, antes de realizar seu intento assassino, cometeu o crime de porte ilegal de arma, não é?

O crime de porte ilegal de arma é menos grave que o crime de homicídio, por certo. Mas é crime!

A Presidente Dilma Roussef, antes de cometer o crime de desmontar a economia brasileira e infelicitar milhões de brasileiros (e brasileiras, como ela gosta de dizer...), agiu com vagar e intencionalmente praticando as pedaladas fiscais que acabaram lhe dando a vitória nas eleições e sua recondução ao cargo.

Faço um parêntese para dizer que esse planejamento minucioso do crime não condiz com o cérebro que ela demonstra ter em suas falas espantosas, como ao mencionar a mulher sapiens, a exaltação à mandioca e outras bobagens que tornam difícil imaginar como uma pessoa com seu nível intelectual chegou à Presidência da República.

Um outro crime praticado por ela, que foi a sua eleição bancada por dinheiro sujo, ainda demoraria a ser punido pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE), lentidão que tem que ser corrigida para o bem do Brasil.

Mas, como eu disse, nesse processo de impeachment ela vai, também, ser punida pelo “porte ilegal de arma”, ou seja, as pedaladas, que a entourage medíocre que cerca a Presidente jura não ser crime.

Já que estamos falando de comparações e raciocínios tortos, de nada adianta explicar isto aos adoradores lulodimistas. Porque, a exemplo do burro (estou falando do muar) que empaca ao cruzar uma ponte sobre um rio, eles responderão, gritando: “NÃO VAI TER GOLPE”.

Pobre Brasil...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Em defesa das esquerdas

AFINAL, VOCÊ É DE ESQUERDA MESMO?



Com o acirramento da confusão política no Brasil, dizem que o país está dividido. Não está. O que há é, de um lado, a imensa maioria dos brasileiros (uns 70%) contra a roubalheira instalada pelo PT no Brasil.

Do outro lado estão os históricos 30% que são ligados ao PT, inarredavelmente defensores de tudo o que Lula faz.

Então, dirão alguns, o que há é uma disputa entre a esquerda minoritária (os 30%), contra os demais, todos “coxinhas”.

Nada mais errado. Naqueles 70% de brasileiros que estão horrorizados com a roubalheira engendrada por Lula e pelo alto escalão petista, há, também, esquerdistas.

Assim, no dizer e na visão embotada dos petistas, há os “esquerdistas-coxinhas”.

Há gente, como são os anti-”esquerdistas-coxinhas”, que continua a defender Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef, bem como o PT, sem acreditar que houve a roubalheira do Mensalão e a do Petrolão.

Esses esquerdistas, que não são coxinhas, acham que é mentira que o PT continou no Poder por via de bilhões de reais desviados da Petrobrás, da Eletrobrás, Nuclebrás, etc, etc...

Talvez eles comemorem os quase 3 bilhões de reais (!) recuperados para os cofres da Nação pela operação Lava Jato. Mas devem achar que esse dinheiro é fruto de ação divina, mesmo demonstrado com abundância de provas que trata-se de dinheiro roubado por “testas de ferro” petistas escolhidos a dedo para cobrar propinas daqueles que negociavam com o Estado.

Então não me venham com conversa, senhores apoiadores dos larápios na Nação brasileira! Eu me considero um sujeito com ideias de esquerda, talvez ainda no rastro da Revolução francesa, resumível nos famosos Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Que esquerda burra é essa que aceita que Lula promoveu essa imensa roubalheira para “ajudar o povo simples”?


Enfim, entre ser “coxinha de esquerda” e ser esquerdista que apoia ladrões, fico com a primeira opção.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Isso não é mole não





ISSO NÃO É MOLE NÃO.



A ocasião era formal. Os convidados homens, de terno, e as mulheres todas bem vestidas. Tratava-se de um jantar, oferecido por alta autoridade em Rondônia.

Estou sentado à mesa do anfitrião com mais um casal, seis ao todo. O convidado que está à minha mesa levanta-se a vai até a mesa principal para se servir, retornando pouco depois. Ele é conhecido como Rubinho.

Após sentar-se, começa a comer uma parte da salada que fora servida como entrada. Ele comenta e pergunta, ao anfitrião:

  • Mas que prato delicioso! O que é isso?

O anfitrião, satisfeito com o elogio efusivo às suas escolhas para as comidas servidas no jantar, responde:

  • Bem, Rubinho, essa é uma salada de couve-flor, temperada com azeite de oliva e pimenta do reino.

Rubinho, afoito, praticamente cospe a porção que tinha na boca, e exclama:

  • Putz! Gente!, amanhã meu c_ vai amanhecer igualzinho a uma flor!!

Pois é. Rubinho sofria de hemorroidas, doencinha que ataca o final do reto e que, quando exposta à pimenta do reino, faz o seu ponto final... digamos, desabrochar.

Anos depois, quem veio a sofrer com essa doença, como diria meu avô materno, disgramada, fui eu.

Após ter que ficar de molho várias vezes quando, inadvertidamente, numa refeição, não notava a presença da tal piper nigrum ou angios trepadeira e ingeria o alimento fatalmente contaminado, acabei cedendo aos médicos.

Tomado de uma coragem cívica, topei fazer a cirurgia para extirpar as hemorroidas, conhecida como hemorroidectomia. Como veem, o blog também pratica a cultura nos lugares menos nobres do corpo humano.

O sofrimento pós-operatório já é conhecido de todos aqueles que já passaram pelo tratamento. Mas, como todas as coisas ruins passam, o que me faz prever o final do governo petista, aquilo tudo passou.

Tempos depois, um amigo que morava no mesmo condomínio que eu em Porto Velho, o Fausto, perguntou-me a respeito do “sufoco” que ele teria que aguentar, pois o médico também receitou para ele a hemorroidectomia.

Acho que fiz como todos fazem: disse a ele que era tranquilo, que o sofrimento era pouco e que durava pouco tempo.

Os dias se passaram e eu nem me lembrava mais da conversa que tivera com o Fausto.

Num final de tarde, chegando em casa de carro, ao voltar do trabalho, vejo Fausto caminhando com dificuldade pela rua do condomínio.

Ele portava uma bengala e andava com as pernas abertas.

Inocentemente e com uma falta de malícia fatal, parei meu carro junto a ele e perguntei o que acontecera, pensando em um acidente por causa da bengala.

Fausto olhou para mim com fogo nos olhos, ventando pelas narinas, e fulminou-me:

  • Seu desgraçado! (na verdade, a palavra foi bem outra, relacionada à pessoa que nos dá à luz) Essa cirurgia não é moleza nada! Estou todo estourado aqui em baixo!

É claro que não ri na frente dele. Mas, depois de chegar em casa...




sábado, 22 de agosto de 2015

Três crimes no mesmo balaio.





TRÊS CRIMES NO MESMO BALAIO



Já que falei da ciência do Direito no último “causo”, volto a falar sobre o assunto. Nos tempos em que cursei a Universidade, a ótima Universidade Estadual de Maringá, tive a oportunidade de conhecer figuras ímpares.

Uma delas era o professor de Direito Penal, o venerando Oscar Pereira dos Santos, Promotor de Justiça aposentado e portador de um cérebro gigantesco: conhecia o Código Penal inteiro de memória. Para falar sobre qualquer crime, ao contrário dos demais mortais, ele não precisava consultar o tal Código Penal.

Assim, ele era dado a, a qualquer momento, chamar um dos alunos que a vítima discorresse um crime qualquer.

Em se falando de figuras dignas de ser lembradas, tínhamos um colega de turma que, ao depois, se tornou magistrado e veio a ser presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Naquela aula de Direito Penal, a vítima do professor Oscar veio a ser este último, o futuro magistrado, dotado de um vozeirão estentóreo e poder de convencimento comparável aos vendedores de geladeiras nos Pólos Sul e Norte.

O professor o chamou à frente da turma na aula e pediu ao aluno em questão que discorresse sobre um crime qualquer, sobre o qual a vítima, e muito menos os colegas ouvintes, sabia quase nada, assim de bate-pronto.

O aluno não se apertou. Fez um intróito cheio de lero-leros, elogiando a inteligência do professor ao lhe pedir que falasse sobre aquele crime tão nefasto à sociedade.

Feito isso, engatou uma primeira marcha e fez uma explanação sobre o elemento subjetivo daquele tipo de crime, ou seja, o dolo.

Ao engatar a segunda marcha, fez a observação de que o dolo exigido para a prática do crime em questão, pedido pelo professor, era parecido com o dolo necessário para a configuração do crime de furto (crime sobre o qual o aluno enrolão havia estudado pouco antes).

Com cinismo raro entre os não-especialistas, ele alçou voo:

  • E, por falar no crime de furto, blá-blá-blá, blá-blá-blá....

Nós, os outros alunos, vítimas da vítima, olhávamos estupefatos aquela aula magna de empulhação...

O professor Oscar, olhos semi-cerrados, ouvia atento, sem dizer nenhuma palavra.

Depois de executado aquele perfeito efeito ricochete na pergunta do professor, o aluno-vítima encerrou sua alocução afirmando:

  • Bem, professor, isso é o que eu sei a respeito do crime sobre o qual o senhor perguntou.

O professor Oscar não passou recibo. Com um ar perspicaz e certa ironia na voz, respondeu:

  • Bem, K... (não, não vou dizer o nome dele, hehe), sua resposta foi brilhante, porque você fez uma explanação sobre três crimes, não é? O que melhor ficou explicado foi o de estelionato!

Finalizo dizendo apenas o seguinte: grande e saudoso professor Oscar, figura humana maravilhosa.




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A relatividade do Direito e suas belezas

A RELATIVIDADE DO DIREITO E SUAS BELEZAS



A ciência do Direito, às vezes, é surpreendente. Alguns pensam que complicada mesmo é a ciência da matemática, com seus números, símbolos, equações, etc.

A verdade é que o Direito, quando bem trabalhado, nos leva raciocínios elaborados, intrincados mesmo, e por isso tem realmente a beleza que os seus cultores alardeiam.

Como um pequeno exemplo disso, vou contar dois causos ocorridos comigo, quando exercia as funções de Promotor de Justiça em Guajará-Mirim.

O juiz da vara criminal de Guajará-Mirim, velho e querido amigo até os dias de hoje, era um julgador competente e consciente, dotado de uma fantástica memória para os pequenos detalhes das ações penais que julgava.

O primeiro fato que recolho do fundo da mente estava relacionado a uma ação criminosa de bandidos de Porto Velho que, contando com a cumplicidade de uma funcionária de um banco, tentou aplicar uma fraude milionária contra a casa bancária.

A fraude só foi frustrada graças à inteligência e diligência de um de seus gerentes, que impediu o ganho ilícito.

Depois que foram realizadas todas as diligências e audiências para colher provas sobre o fato delituoso, faltava somente a acusação e a defesa apresentarem suas alegações finais.

Em conversa amistosa pós-expediente, o juiz adiantou-me que pretendia absolver a funcionária do banco, contra a qual, segundo ele, não havia provas suficientes.

Assim, dias depois, quando o processo veio às minhas mãos para a apresentação das alegações finais, procurei redigi-las de forma bastante clara, apontando a culpabilidade dos diversos réus.

Como eu antevia a necessidade de recorrer contra a decisão absolutória da única ré, vasculhei com um pente fino o processo e, como resultado disso, destaquei a atuação de cada um dos réus na fraude e apontei onde havia nos autos a prova do que eu afirmava sobre a culpa deles. Evidentemente, caprichei ao apontar a culpa da funcionária do banco, verdadeira traidora do banco que pagava seu salário.

Para minha surpresa, o juiz editou sua sentença condenando todos os réus, aplicando pena de prisão para a funcionária do banco.

Na primeira conversa que tivemos, o juiz e eu, após a sentença, já em situação informal, fora de audiências, eu o provoquei, perguntando se havia desistido de absolver a única ré.

A resposta que ele me deu, provando sua justeza e seriedade ao julgar, foi essa:

  • Zé Osmar, suas alegações finais foram mais do que isso, foram uma sentença condenatória!

Evidentemente, economizei o trabalho de recorrer.

E já que estamos falando em recursos e apelações, vamos ao segundo causo, envolvendo o mesmo juiz.

Ao final de um processo criminal, concluída a chamada instrução criminal, eu elaborei as minhas alegações finais pedindo a condenação do acusado.

Dias depois o magistrado emitiu a sentença que, contrariando o meu entendimento, foi absolutória.

Como sempre fui combativo, ao ser intimado da sentença desde logo comecei a preparar a apelação para o Tribunal de Justiça.

Essa diversidade de entendimentos que às vezes ocorre entre o Juiz de Direito, o Promotor de Justiça e o advogado de defesa é uma das belezas da ciência do Direito, pois do cotejo das posições jurídicas dos atores do processo geralmente é feita a melhor Justiça.

As minhas razões recursais, na peça em que pedia ao Tribunal de Justiça para reformar a sentença e condenar o acusado, já estavam em doze laudas.

Doze laudas... Nesses tempos de computador, de editores de texto com os quais se copia, cola, e etc, parece fácil.

Mas naqueles tempos, essas doze laudas foram redigidas a bordo de uma Remington Rand, a boa e velha máquina de escrever, num cansativo trabalho ajudado apenas pela parca biblioteca que tínhamos em Guajará-Mirim.

Minha combatividade funcionou contra mim. Ao longo daquelas doze laudas, fui desenvolvendo um raciocínio com o qual pretendia ver condenado o acusado.

Mas ocorreu que, quando chegava aos finalmentes das minhas razões recursais, cheguei à nítida conclusão de que... o juiz estava certo ao absolver!

O jeito foi destinar minha brilhante (para mim, é óbvio) peça jurídica à cesta de lixo e deixar o acusado, absolvido, seguir com sua vida.

Pelo menos, nada obstante o suor desperdiçado, minha consciência ficou tranquila.

Ao contrário daqueles que pensam que o Promotor de Justiça visa sempre a condenação dos réus, a função dele é promover a Justiça, seja para condenar, seja para absolver.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

Precaução e caldo de galinha...

PRECAUÇÃO E CALDO DE GALINHA...




Esse “causo” aconteceu já na primeira década do século XXI, em Guajará-Mirim, a chamada Pérola do Mamoré.

Fui passar um final de semana com meu velho amigo e compadre Valdir, e sua linda Ida, naquela Guajará-Mirim – cidade que conquistou meu coração para sempre – para “desengatar” o cérebro dos processos judiciais.

Ocorre que em Guajará-Mirim há um lugar que eu chamo de Paraíso, uma chácara com uma casa aconchegante, árvores frutíferas e um maravilhoso igarapé (é o nosso riacho ou córguinho no sul do País) de águas geladas, bem apropriadas ao calor que faz em Rondônia.

Os proprietários do lugar são o Pedro e a Iracy, irmã de Ida. Pedro e Iracy, como diz o Valdir, são aqueles parentes esquisitos, inusuais, porque todos gostam de tê-los por perto.

Eu digo isso porque, quando ainda morava em Rondônia, meus parentes de Maringá diziam que eu era o melhor parente deles. Motivo: morava longe!

Mais que parentes, Valdir, Ida, Pedro e Iracy formam um núcleo de parmigos (mistura de parentes com amigos), e andam quase sempre juntos. Todos eles têm um defeito sério, que é o de gostar da minha companhia. São poucos neste mundo...

Neste final de semana em questão, nós, no sábado à tarde, fomos para a chácara para passar o dia e pernoitar, eis que havia notícias fundadas de que um dos carneiros da criação de Pedro apresentava sintomas de depressão e tinha tendências suicidas.

Infelizmente o prognóstico ruim confirmou-se, e o carneiro efetivamente morreu. Este blog não oculta as más notícias, e a verdade tem que ser dita, duela a quien duela...

Na tarde de sábado por lá apareceu também um conhecido dos donos da chácara, um jovem, de seus 30 anos, bastante amistoso e conversador, e passou a acompanhar-nos na cervejinha que tomávamos no velório do carneiro.

O rapaz era conhecido como “Barretão”, o que já dá uma ideia de suas proporções físicas.

Depois do jantar, Valdir e Pedro armaram suas redes na varanda da casa, onde preferiam dormir e eu sentei-me numa cadeira confortável para iniciarmos a sessão de conversa tão usual quando se está na roça. O rapaz pediu licença e, como trouxera uma pequena barraca, armou-a no quintal nos fundos da casa.
Eu tratava com intimidade um uísque 12 anos, e Valdir e Pedro degustavam umas cervejas, acompanhados do nosso visitante.

Como sou o mais falante, comecei a contar alguns dos causos que conto aqui no blog, a maioria ligada a acontecimentos pretensamente sobrenaturais, ou fantasmagóricos, alguns deles contados nesta publicação.

Acho que, com a escuridão que nos rodeava, esse era o assunto mais adequado. A conversa fluiu até tarde da noite, quando o sono (ou serão o uísque e a cerveja?) chamou a todos para o descanso noturno.

Antes que apagássemos as luzes, o nosso convidado rapidamente foi até o fundo do quintal e desmontou sua barraca.

Pensamos: “Será que ele vai embora a estas horas da noite?” .

A dúvida não durou muito tempo, pois o rapaz remontou sua barraca exatamente entre as redes de Valdir e Pedro.

Ele fez isso devagar e cuidadosamente. Mas, vendo que o olhávamos, estranhando seu ato, ele justificou-se:

  • Eu não tenho medo de fantasmas!”.

E, apontando seu dedo indicador para mim, completou:

  • Mas, com essas histórias que ele contou, é melhor não facilitar! Com essas coisas não se brinca...”

Devo acrescentar que, durante a noite, nada aconteceu de extraordinário para justificar a cautela do jovem, mas aprendemos com ele que, em se tratando de fantasmagorias, não é bom deixar as coisas ao acaso.