sábado, 22 de agosto de 2015

Três crimes no mesmo balaio.





TRÊS CRIMES NO MESMO BALAIO



Já que falei da ciência do Direito no último “causo”, volto a falar sobre o assunto. Nos tempos em que cursei a Universidade, a ótima Universidade Estadual de Maringá, tive a oportunidade de conhecer figuras ímpares.

Uma delas era o professor de Direito Penal, o venerando Oscar Pereira dos Santos, Promotor de Justiça aposentado e portador de um cérebro gigantesco: conhecia o Código Penal inteiro de memória. Para falar sobre qualquer crime, ao contrário dos demais mortais, ele não precisava consultar o tal Código Penal.

Assim, ele era dado a, a qualquer momento, chamar um dos alunos que a vítima discorresse um crime qualquer.

Em se falando de figuras dignas de ser lembradas, tínhamos um colega de turma que, ao depois, se tornou magistrado e veio a ser presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Naquela aula de Direito Penal, a vítima do professor Oscar veio a ser este último, o futuro magistrado, dotado de um vozeirão estentóreo e poder de convencimento comparável aos vendedores de geladeiras nos Pólos Sul e Norte.

O professor o chamou à frente da turma na aula e pediu ao aluno em questão que discorresse sobre um crime qualquer, sobre o qual a vítima, e muito menos os colegas ouvintes, sabia quase nada, assim de bate-pronto.

O aluno não se apertou. Fez um intróito cheio de lero-leros, elogiando a inteligência do professor ao lhe pedir que falasse sobre aquele crime tão nefasto à sociedade.

Feito isso, engatou uma primeira marcha e fez uma explanação sobre o elemento subjetivo daquele tipo de crime, ou seja, o dolo.

Ao engatar a segunda marcha, fez a observação de que o dolo exigido para a prática do crime em questão, pedido pelo professor, era parecido com o dolo necessário para a configuração do crime de furto (crime sobre o qual o aluno enrolão havia estudado pouco antes).

Com cinismo raro entre os não-especialistas, ele alçou voo:

  • E, por falar no crime de furto, blá-blá-blá, blá-blá-blá....

Nós, os outros alunos, vítimas da vítima, olhávamos estupefatos aquela aula magna de empulhação...

O professor Oscar, olhos semi-cerrados, ouvia atento, sem dizer nenhuma palavra.

Depois de executado aquele perfeito efeito ricochete na pergunta do professor, o aluno-vítima encerrou sua alocução afirmando:

  • Bem, professor, isso é o que eu sei a respeito do crime sobre o qual o senhor perguntou.

O professor Oscar não passou recibo. Com um ar perspicaz e certa ironia na voz, respondeu:

  • Bem, K... (não, não vou dizer o nome dele, hehe), sua resposta foi brilhante, porque você fez uma explanação sobre três crimes, não é? O que melhor ficou explicado foi o de estelionato!

Finalizo dizendo apenas o seguinte: grande e saudoso professor Oscar, figura humana maravilhosa.




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