PRECAUÇÃO
E CALDO DE GALINHA...
Esse “causo” aconteceu já
na primeira década do século XXI, em Guajará-Mirim, a chamada
Pérola do Mamoré.
Fui passar um final de semana
com meu velho amigo e compadre Valdir, e sua linda Ida, naquela
Guajará-Mirim – cidade que conquistou meu coração para sempre –
para “desengatar” o cérebro dos processos judiciais.
Ocorre
que em Guajará-Mirim há um lugar que eu chamo de Paraíso,
uma chácara com uma casa aconchegante, árvores frutíferas e um
maravilhoso igarapé (é o nosso riacho ou
córguinho no sul do
País) de águas geladas, bem apropriadas ao calor que faz em
Rondônia.
Os proprietários do lugar são
o Pedro e a Iracy, irmã de Ida. Pedro e Iracy, como diz o Valdir,
são aqueles parentes esquisitos, inusuais, porque todos gostam de
tê-los por perto.
Eu digo isso porque, quando
ainda morava em Rondônia, meus parentes de Maringá diziam que eu
era o melhor parente deles. Motivo: morava longe!
Mais
que parentes, Valdir, Ida, Pedro e Iracy formam um núcleo de
parmigos (mistura de
parentes com amigos), e andam quase sempre juntos. Todos eles têm um
defeito sério, que é o de gostar da minha companhia. São poucos
neste mundo...
Neste final de semana em
questão, nós, no sábado à tarde, fomos para a chácara para
passar o dia e pernoitar, eis que havia notícias fundadas de que um
dos carneiros da criação de Pedro apresentava sintomas de depressão
e tinha tendências suicidas.
Infelizmente
o prognóstico ruim confirmou-se, e o carneiro efetivamente morreu.
Este blog não oculta as más notícias, e a verdade tem que ser
dita, duela a quien duela...
Na tarde de sábado por lá
apareceu também um conhecido dos donos da chácara, um jovem, de
seus 30 anos, bastante amistoso e conversador, e passou a
acompanhar-nos na cervejinha que tomávamos no velório do carneiro.
O rapaz era conhecido como
“Barretão”, o que já dá uma ideia de suas proporções
físicas.
Depois
do jantar, Valdir e Pedro armaram suas redes na varanda da casa, onde
preferiam dormir e eu sentei-me numa cadeira confortável para
iniciarmos a sessão de conversa tão usual quando se está na roça.
O rapaz pediu licença e, como trouxera uma pequena barraca, armou-a
no quintal nos fundos da casa.
Eu tratava com intimidade um
uísque 12 anos, e Valdir e Pedro degustavam umas cervejas,
acompanhados do nosso visitante.
Como sou o mais falante,
comecei a contar alguns dos causos que conto aqui no blog, a maioria
ligada a acontecimentos pretensamente sobrenaturais, ou
fantasmagóricos, alguns deles contados nesta publicação.
Acho que, com a escuridão que
nos rodeava, esse era o assunto mais adequado. A conversa fluiu até
tarde da noite, quando o sono (ou serão o uísque e a cerveja?)
chamou a todos para o descanso noturno.
Antes que apagássemos as
luzes, o nosso convidado rapidamente foi até o fundo do quintal e
desmontou sua barraca.
Pensamos:
“Será que ele vai embora a estas horas da noite?”
.
A
dúvida não durou muito tempo, pois o rapaz remontou sua barraca
exatamente entre
as redes de Valdir e Pedro.
Ele
fez isso devagar e cuidadosamente. Mas, vendo que o olhávamos,
estranhando seu ato, ele justificou-se:
- “Eu não tenho medo de fantasmas!”.
E,
apontando seu dedo indicador para mim, completou:
- “Mas, com essas histórias que ele contou, é melhor não facilitar! Com essas coisas não se brinca...”
Devo
acrescentar que, durante a noite, nada aconteceu de extraordinário
para justificar a cautela do jovem, mas aprendemos com ele que, em se
tratando de fantasmagorias, não é bom deixar as coisas ao acaso.
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