sábado, 8 de outubro de 2016

Dever a ser cumprido!

DEVER A SER CUMPRIDO!



Esta aventura pela Amazônia tem vários lances de emoção: selva, águas selvagens de rio, lancha parecendo aquelas usadas pelo James Bond, calor, frio, peixes em estado natural e um desafio que nos desafiou a todos – pelo menos os homens -, que resultou em nossa vitória.

Em um belo mês de julho, quando Rondônia, e por extensão, a Amazônia ficam mais lindos, recebi um convite dos meus sobrinhos Paulinho e Daniel para passear de barco pelo Rio Preto, um dos belos rios nas proximidades de Porto Velho.

O convite foi ampliado para a minha esposa, minha cunhada e duas lindas meninas gêmeas, acompanhadas pela mãe, minha também sobrinha Mel.

Comecei a estranhar sobre as coisas daquela aventura pelo rio Preto quando, já estando próximos ao meio-dia, nada dos sobrinhos convidantes aparecerem. Paranaense com tique de mineiro, minhas aventuras todas começam logo cedo, para “não perder o trem”.

Quando já era mais de meio-dia, os sobrinhos chegam e vão logo dizendo, imperativos: “Vamos embora!”. Meio desconfiado (também outro sotaque mineiro meu), embarquei no carro deles e saímos.

  • Cadê o barco, onde estão os petrechos náuticos, onde está tudo, pensava eu, mesmo sabendo que, em Rondônia, tudo é muito estranho.

Pegamos a estrada e viajamos uns 20 quilômetros. Nada de rio e muito menos de barco. Finalmente, chegamos a um restaurante de beira de estrada e os dois animados sobrinhos anunciaram:

  • Vamos almoçar!

Lá com meus botões, pensei que, pelo menos, não iria morrer de fome. Enquanto finalizávamos o repasto (palavra que não quer dizer que comemos grama, como os bois no pasto, quando repetem a refeição – repasto), Paulinho e Daniel saíram dizendo que iriam comprar a gasolina para o barco e cervejas e refrigerantes.

Quando saímos do restaurante, tudo estava pronto no carro e, para meu gáudio, nos dirigimos para o rio Preto.

No lugar, chamado de Candeias do Jamari, encontrei o famoso James Bond, o 007, ou, pelo menos, o rastro dele: o barco do meu sobrinho parecia aqueles que o intrépido agente britânico – e que não morre nunca! - usa em suas aventuras. “Começamos bem”, pensei.

Depois de embarcar e fazer uma pose conveniente para quem estava numa enbarcação jamesbondística, começamos a navegar pelo belo Rio Preto, cujas águas justificam o nome dado a ele.

Depois de algum tempo, paramos numa bela praia de rio. Lá em cima, tremulando nas árvores mais altas perto da praia, algo insólito. Era uma bandeira do Flamengo. Meus botões logo funcionaram:

  • Será que o James Bond é flamenguista?

A belíssima Mel tentava acalmar suas filhas, que estranhavam o local isolado e belo. Para sua infelicidade, uma das gêmeas foi logo brindada com uma ferroada de abelha.

A reação da menininha lembrou-me daqueles filmes do Tarzan, pois o que ela emitiu parecia o dito cujo chamando os animais da selva para junto de si.

Acalmada a menina e o seu justo chororô, fomos nadar naquele rio Preto, sendo beliscados pelos peixes, notadamente a jatuarana. Pena que elas não estavam no tamanho adequado, pois é um peixe saborosíssimo.

Tudo ia bem naquele convescote familiar quando surgiu o inesperado!

O sobrinho Daniel, com semblante preocupado – aparentando pânico mesmo! - chegou junto de mim e de Paulinho e segredou-nos:

  • A cerveja tem validade até apenas amanhã!

Não deixamos as mulheres perceberem o drama, pois não queríamos espalhar o pânico/terror.

Assim, nós nos afastamos do grupo e fizemos uma reunião da cúpula diretiva.

Tudo era ainda incerto quando meu sobrinho Daniel, num rompante de inteligência e bravura, bradou:

  • Temos que beber TODA a cerveja hoje, pois assim evitamos o seu vencimento!
Uma situação perigosa, envolvendo cerveja quase vencida, foi alvo de uma estratégia bem dirigida, pelo brilhantismo dos sobrinhos Araujos.

Tenho o prazer de informar que o objetivo foi alcançado, e todos retornamos em segurança para casa.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Pato Selvagem

PATO SELVAGEM



Inicio dizendo que este é um relato de uma passeioscaria (mistura de passeio com pescaria), realizada por mim e meus familiares, no grandioso Estado de Rondônia (com a qualidade dos políticos brasileiros, esse grandioso está com os dias contados...).

Tudo começou com a preparação, tanto do barco que usaríamos quanto dos comes e bebes a serem levados. Os mais cínicos com relação aos irmãos Araujo dirão que os comes e bebes foram constituídos de meio quilo de arroz e várias dezenas de litros de uísque e incontáveis caixas de cerveja. Mas isso é parlapatice...

Deu-se que chegamos à Pérola do Mamoré (Guajará-Mirim) no dia anterior, onde fomos regiamente recebidos por Valdir e Ida. Após confirmar que tudo estava pronto para a navegação no dia seguinte, passamos a agir em consonância com a síndrome do peru.

Dizem que, na cultura norteamericana relativa ao Dia de Ação de Graças, eles começam a dar bebida ao peru que irá ser o prato principal da comemoração no dia anterior à festa. Foi o que fizemos. Não preciso dizer quem seria o peru neste caso, não é?

No grande dia do início da passeioscaria nós todos, munidos com nossas bagagens pessoais, fomos para a margem do rio Mamoré, onde tivemos a visão daquilo que seria o nosso lar nos próximos quatro dias, ou seja, o Pato Selvagem.

Ao vê-lo, logo pensei que o nome era inadequado. O barco, esquisitão com seu alojamento duplo, parecia tudo que se possa imaginar, menos um pato selvagem.

Explico. O barco, de madeira, movido a motor diesel, consta de um salão de refeições e cozinha, na parte de baixo, bem como dois alojamentos atrás da cabina de comando e uma sala de TV na parte de cima.

Mas o que dá a aparência esquisita à embarcação é o anexo: uma chata posta à frente do próprio barco, que viaja sendo empurrada por ele, onde estão uma despensa para os alimentos (meio grande, para meio quilo de arroz, diga-se) e um outro aposento, com ar condicionado, com dez ou doze camas.

Membros da equipe na aventura foram Osvaldo, Paulo, Rosa, Zilda, Marialva, Marília, Pedro, Valdir e eu, além dos donos do barco, os barcotriões (quando a palavra não existe, eu invento, regalia dos escritores ou blogueiros – meu caso – pois diz-se que aqueles que recebem em casa são anfitriões), Mauro e Maria.

Havia uma certa preocupação no ar, por parte dos peixes do rio Mamoré, com a chegada do timaço de pescadores que entrariam em ação. Essa preocupação logo esmoreceu, quando os peixes perceberam até que horas nós ficamos jogando conversa fora e tomando cerveja.

Depois de 26 horas de navegação rio acima, chegamos à localidade de Surpresa, que fica exatamente no fim do rio Guaporé e início do rio Mamoré.

O mais notável, naquelas paragens, é o imenso número de biguás (phalacrocoax brasilianus), pássaro que mergulha para pegar peixes. Meu irmão Paulo tem uma explicação sobre a origem do nome daquele pato selvagem que rodeava o Pato Selvagem.

Logo depois do desembarque da Arca de Noé, existia apenas um casal daquele tipo de pássaro, dai o nome de bi-guá. Com o fenômeno da procriação, o bicho passou a ser incontável, passando assim a exigir a mudança do nome para poliguás, em anteposição ao lógico nome de uniguá, se existisse apenas um.

Sabem porque eu digo incontáveis quando me refiro aos biguás? É porque toda vez que eu tentei contá-los – com a finalidade de dar informações exatas neste blog – alguma coisa atrapalhou a contagem, seja porque eles mudavam de rumo em seu voo, seja porque a minha cerveja acabava e eu tinha que tomar providências (não, a marca da cerveja não era providência).

Fizemos o que eu chamo de pescaria protetiva do meio ambiente, pescando e tirando d'água apenas o peixe que iríamos comer, ao contrário daqueles que pescam além das suas necessidades, levando os peixes capturados para um freezer, visando a um teórico consumo futuro.

Para quê eles fazem isso? Será que não sabem que os donos de peixarias das cidades também tem que viver? Por esse raciocínio, as pessoas deveriam pegar os bois no pasto e congelá-los em seu freezer para os futuros almoços e churrascos...

Ao final dos quatro dias, no retorno a Guajará-Mirim, o Pato Selvagem encostou na linda praia do rio Pacaás Novos, a chamada Três Bocas, onde degustamos um belo churrasco.

Foi uma passeioscaria muito boa, a não ser pela crítica infundada à minha querida esposa que, num determinado dia, esqueceu-se de tirar as sementes de um pedaço de melancia que ela me servira.

Se eu próprio, apesar de descontente com a falha, nada fiz, não havia razão para aquelas reprimendas unânimes de que Zilda foi alvo.

Mas, tanto ela quanto eu queremos voltar e fazer outra passeioscaria...

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Escravidão branca

ESCRAVIDÃO BRANCA


Para explicar o título desta postagem, devo fazer um breve intróito. Eu sempre me orgulhei do meu avô materno, o “seu” Antônio Barbosa, um sujeito que, sempre por força de seu trabalho, construiu uma vida, aí incluídos patrimônio, fama de honesto e uma bela família.

O meu avô, nos fins dos anos 1940, morava no lugar chamado Varpa, no Estado de São Paulo, que era parte do município de Tupã. Nas suas proximidades, ficam destacadas as cidades de presença mais forte em minhas lembranças de menino, ou seja, Paraguaçu Paulista e Assis.

A localidade de Varpa foi o destino final dos letões (ou letos, como se dizia por lá), cidadãos da Letônia, um país invadido pela Rússia. Esses letões, impedidos de manter seus cultos religiosos e costumes nacionais, tiveram que fugir dos bolchevistas, os malditos comunistas. Vieram para o Brasil, Varpa.

Sabedor do avanço da colonização nas matas profundas para os lados do Paraná e Mato Grosso (na época havia apenas um estado, depois dividido em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), meu avô desfez-se de tudo que tinha (e era pouco) e comprou terras no Paraná e no Mato Grosso.

Como se dizia naquele tempo, juntou a “famiagem” (a família) e mandou-se para o norte do Paraná, tendo chegado em Maringá lá por 1948, 1949...

As terras que comprara ficavam no distrito de Água Boa, distante de Maringá uns 30 quilômetros, com o detalhe que o trecho percorrido era mata pura.

Para pôr a terra comprada para produzir, meu avô montava em uma bicicleta, com um machado preso na garupa, e pedalava (pedaladas honradas, não essas dos petistas...) até o local, onde derrubava árvores e fazia acontecer o sonho da terra própria, da sua fazenda.

Chegou ao fim da vida bem de situação financeira, nada obstante a incompetência dos governos militares que destruíram o valor da moeda brasileira.

As terras compradas no Mato Grosso, muito distantes para se chegar de bicicleta, perderam-se na infinitude das matas indevassáveis, na época.

Agora chego, enfim, ao ponto de falar do título postado, a “escravidão branca”.

Dia desses, conversando com um amigo meu, que já conta com seus 80 anos, ele falou-me que sua família, imigrantes europeus, veio para o Brasil na condição de escravos brancos.

Esses imigrantes vieram para o Brasil após a decretação do fim da escravidão negra em 1888. Vieram para trabalhar no lugar dos escravos libertos, em condição de absolutamente explorados, com parca remuneração e mal alimentados. Daí o termo escravidão branca.

Venceram a “escravidão branca” com muito trabalho e perseverança, driblando as dificuldades de um Brasil quase selvagem.

Hoje em dia, os descendentes desses “ex-escravos brancos” estão perfeitamente adaptados à comunidade brasileira e ajudaram a fazer crescer o nosso País.

Depois de muito trabalho, poupança e coragem, essas pessoas são hodiernamente atacadas em suas fazendolas e fazendas por invasores industrializados e guiados pelo Movimento dos Sem Terra, o MST.

Esses invasores industrializados, como eu disse acima, são moradores de periferias urbanas que, sem nunca terem visto uma roça ou uma enxada, são transformados pelo MST em “trabalhadores rurais sem terra”.

Como nos anos 1940, os bolcheviques daqui, como fizeram os russos na Letônia, procuram expulsar os que vivem do seu trabalho, tirando-os de suas terras e casas.

Não passarão!

domingo, 26 de junho de 2016

Brasil Ingrato

BRASIL INGRATO


Nós, os brasileiros, somos ingratos!

As nossas vidas estavam tão boas, sob os cuidados do Partido dos Trabalhadores – PT -, e mesmo assim nós fomos às ruas para protestar e pedir a saída de nossa querida Presidenta. Aquela pessoa que tão bem e maravilhosamente competenta cuidava de nossas vidas e de nosso futuro, agora está encostada no Palácio da Alvorada, sem comida e sem aviões.

Louvemos a iniciativa de uma ex-atriz que lançou uma campanha na internet para arrecadar alimentos, evitando, assim, que ela, famélica, engrolasse ainda mais a sua língua, naquele seu linguajar estranho, parecido com o português.

Temos que parar de vibrar, como se fosse um gol da ex-seleção brasileira de futebol (lembram-se de quando tínhamos uma?), a cada prisão de um político corrupto!

Temos que entender que eles roubam para um fim elevado, maior, que é o nosso bem. Temos que entender que, se esses políticos desviam para o próprio bolso um pouco do dinheiro roubado para nos trazer o bem, isso também tem justificativa.

Eles trabalham tanto, têm tantas reuniões secretas, viajam tanto para a Suiça – a trabalho! -, que têm direito ao lazer no sítio, no triplex, nas suas lanchas maravilhosas, nos seus carrões...

Devemos admirar esses nossos líderes que, tão dedicados ao nosso bem-estar, acabam levando seus filhos para a vida política, num sacrifício supremo, que parece demonstrar cientificamente que os genes, ou o DNA, direcionam pessoas para a vida política.

Acho que está na hora de nos reciclarmos, expulsar a ingratidão de nossos corações.

Devemos nos unir e passar a exigir do Congresso Nacional que promova mudanças na legislação!

Devemos exigir a extinção do Poder Judiciário!

Devemos exigir a extinção do Ministério Público!

Devemos exigir a restrição da atuação das Polícias apenas para prender ladrões de galinha e separar briga de bêbados!

Precisamos de leis que acabem com esse negócio de eleição a cada dois anos! Devemos devotar nossos esforços para que tenhamos apenas um partido político.

Esse partido político teria uma função ingrata, que seria a de escolher, dentre seus integrantes, quem nos representaria, falaria por nós, quem determinaria o que é certo ou errado e, enfim, nos dispensasse de pensar, que isso é muito trabalhoso.

Esse partido teria tanto trabalho para alcançarmos o bem-estar que deveria ter um nome ligado a essa missão, alguma coisa como “Partido do Trabalho”.

Alcançada essa hegemonia, não existiriam mais os “eles”, apenas “nós”.
Precisaríamos, quando muito, repetir refrões ensinados por nossos líderes. Querem coisa melhor que isso? Não ter que pensar sobre cada assunto de sua vida?

Por exemplo, se devêssemos ser contra as enchentes do período chuvoso, nossos líderes dariam a trilha sonora, algo como “Não vai ter enchente!”.

Escolas ruins de doer? Bastaria colocar comerciais televisivos com uma musiquinha feita por um marqueteiro e tudo estaria resolvido.

Hospitais em situação que pede uma urgente internação deles próprios? Bastaria uma musiquinha do tipo “Saúde lá, lá, lá”.

Os bandidos que hoje infernizam a vida em nossas cidades parariam de cometer crimes, pois não teriam que se preocupar com a Polícia, sua ex-adversária, agora destinada apenas a proteger galinheiros e evitar brigas da pessoas alcoolizadas.

Mas tudo isso é utopia. O Brasil tem poucas chances de alcançar a felicidade suprema, como a conquistada pela Coreia do Norte, cuja liderança, pela influência dos genes e do DNA, está a cargo do neto, que sucedeu o pai, que sucedera o avô.

Talvez vocês pensem que eu sou um pessimista com o futuro do Brasil, que não tenho ideias para solucionar nossos problemas...

Bem, eu tenho uma apenas.
Acho que o Governo deveria criar um programa com o nome Bolsa Exterior, cujas verbas financiariam os brasileiros para que passassem temporadas fora do País, vendo as leis serem cumpridas, conhecendo políticos que não são ladrões, sendo respeitado...

Será que tenho chance de tornar-me político, com essa plafaforma de trabalho e com esse meu projeto?

Pobre Brasil...

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Encontros casuais e amalucados

ENCONTROS CASUAIS E AMALUCADOS



Gosto muito de comparecer aos meus compromissos, aqui na cidade de Maringá-PR, quando as distâncias são razoáveis, caminhando. Dessa forma pedestre, adiciono mais uma atividade física às minhas caminhadas matinais e posso curtir a minha bela cidade natal, a chamada “Cidade Canção”.

Esse prazer é bastante aumentado por ter morado, antes da aposentadoria e retorno às origens, na cidade de Porto Velho, capital da minha querida Rondônia. A capital rondoniense, lastimo informá-los, está andrajosa, acabada, aos trapos.

Já foi uma cidade muito boa mas, depois de oito (!) longuíssimos anos de uma administração petista (será que se pode chamar de administração o que o PT fez com cidades, estados e o próprio Brasil?), as ruas são esburacadas, o trânsito é caótico e, para dizer pouco, o conjunto da urbe não agrada.

Mas o assunto deste “causo” não é este. Eu quero falar, agora, da fauna humana exótica que, quando se olha bem de perto, é estranha para os padrões médios.

Meus dois encontros casuais aconteceram com mulheres. Não, não acione o “pau-de-macarrão”, querida esposa. Vou narrá-los.

Andava eu pela Avenida Brasil, próximo ao centro de Maringá, quando ouvi alguém que parecia conversar comigo. Mesmo incrédulo dessa hipótese, olhei para o lado e confirmei. Uma mulher falava comigo.

  • Você mora em Maringá? - perguntou ela, olhando para mim. Eu respondi que sim.
Com a resposta afirmativa, ela emendou:

  • Tem alguma agência do Bradesco nesta região? Ou só tem no centro da cidade?

Como, a exemplo dos outros mortais comuns, eu não sabia a resposta, dado que os 'Trabucos” do Bradesco não me perguntam onde devem instalar agências do seu banco, enrolei.

Respondi que achava que o Bradesco só tinha agência no centro, próximo ao lugar onde estávamos. Assim, enquanto caminhávamos juntos, ela firme do meu lado, começou a dar explicações para sua busca:

  • É que eu tenho conta no Bradesco e no Itaú. Mas, a cada mês, eu deposito cento e cinquenta reais para gastar num desses bancos, e peço ao meu ex-marido para esconder o cartão do outro banco, senão eu gasto tudo...

  • Acontece que eu sou bipolar, e se eu ficar com os cartões dos dois bancos, eu gasto demais... meu médico diz que eu sou completamente doida...

  • Olha, eu vou entrar nessa loja aqui em frente e vou gastar. Depois eu vou no banco Bradesco, está bem?

Dito isso, ela virou bruscamente e mudou de direção, enquanto eu, seu confidente temporário, rumei para o comum da minha vida.

O segundo encontro casual ocorreu no dia seguinte. Eu caminhava por uma rua em direção à minha tortura semanal com meu fisioterapeuta (tortura aplicada tanto com alongamentos doloridos quanto com piadas infames...), quando, atravessando um sinal de trânsito aberto, este se fechou bem no meio das pistas.

Notei que, a meu lado, caminhava uma jovem mãe empurrando o carrinho com seu bebê.

Vi que ela, ao parar quando o sinal se fechou para nós, deixou boa parte da dianteira do carrinho de bebê – junto com o dito bebê! - avançada sobre a rua, muito perto dos carros que iriam arrancar novamente depois da parada semafórica.

Preocupado, eu lhe disse:

  • Minha senhora, puxe esse carrinho um pouco para trás, é perigoso.

Ela olhou para mim, puxou levemente o carrinho para trás e, vendo alguma coisa desajustada na parte de baixo do bebemóvel, deu-me o seu guardachuvas para segurar enquanto consertava a suspensão do veículo.

Eu ainda estava preocupado com a pequena distância que separava o carrinho de bebê das rodas dos carros quando ela arrematou:

  • É, esses carro é tudo louco, né?

Acho que o filho dela, se e quando crescer, sobrevivendo aos passeios com a mamãe, vai concordar comigo que não são apenas “os carro” que são “tudo louco”, né??


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Refugos que assumem o poder

REFUGOS QUE ASSUMEM O PODER





No pós-guerra da I Guerra Mundial, quando a Alemanha, vencida, tornou-se um saco de gatos, com todos brigando contra todos, e com a superinflação destruindo o valor do seu dinheiro, o marco, logo apareceram os “salvadores”, os nazistas, de triste memória.

Hitler, orador inflamado e inflamante, ajudou a criar o NSDAP (o Nationalsozialistische Deustche Abeiterpartei – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) que, partindo da filiação dos desocupados e desempregados ex-soldados alemães, veio a conquistar, por defesa forte e histérica dos seus postulados, em seguidas eleições, o Poder naquela nação destrambelhada.

Peguemos, para exemplo, um dos fracassados que Hitler atraiu para si, Heinrich Himmler. Himmler, frustrou-se porque, quando atingiu a idade para poder combater na I Grande Guerra, imaginando que tornar-se-ia (com Michel Temer Presidente, a mesóclise foi restaurada) heroi, a Alemanha rendeu-se aos exércitos aliados.

Tiro n'água, portanto, pois ele, apesar de já estar de uniforme e podendo obter o posto de oficial, voltou para casa.

Como todos os outros com dificuldades para ganhar a vida, aliou-se aos nazistas, como se chamavam os filiados ao NSDAP.

Tratava-se de um sujeito com sérias dificuldades psicológicas, anseios de autoafirmação e sonhos de grandeza. Depois de muitas agruras, quando já prestes a ter Hitler no poder, ajudou a criar a SS (a Schutzstaffel, ou Polícia de Proteção).

Acho que, por ser o mais maluco de todos, acabou por tornar-se o chefe da SS nazista, aparentemente gloriosa por seus uniformes em preto, ou seja, o Reichsfurer da SS.

Himmler partilhava do mesmo ódio professado por Hitler contra os judeus em particular e contra os sub-humanos em geral (todos aqueles que não eram da etnia germânica).

Assim, além do extermínio dos judeus, Hitler conferiu a Himmler e à sua SS a tarefa de ajudar a “criar” a grande Alemanha, através do assentamento dos alemães étnicos nos territórios dos países derrotados na guerra, com a expulsão dos sub-humanos.

Para esse gênio do mal, os povos não-germânicos deveriam fazer parte de um Estado Geral, sem nacionalidades, destinados a, tão-somente, ser a mão de obra da grande Alemanha.

O judeus deveriam ser todos “emigrados” (à força, evidentemente) para a África ou outra colônia qualquer (depois resolveram que melhor mesmo era matar todos os juden).

Para os demais, destinados a ser uma geleia geral de trabalhadores braçais dos nazistas, pinço, abaixo, algumas das pérolas de Himmler. Segundo ele, a coisa seria resolvida via escola. Então:

para a população não-alemã do leste europeu, só deveria existir a escola primária até a quarta série e nada mais;

nessas escolas só se deveria ensinar contas simples, até quinhentos;

no máximo aprender a escrever o próprio nome; e

aprender que é um mandamento divino obedecer aos alemães e ser honesto, trabalhador e decente.”

Himmler defendia ainda que, caso alguma das crianças submetidas a tais “escolas”, em razão de um QI elevado ou fosse dotada de talentos especiais, seria obrigação dos pais entregá-los à Alemanha, pois, tendo elas “sangue valioso”, digno do germanismo, seriam incluídas e adaptadas ao Reich.

Esse sujeito foi o chefe de uma das mais fortes iniciativas do Projeto Nazista! Pior: por pouco não conseguiram seus objetivos!

Alguns defendem que, não tivesse Hitler iniciado a guerra contra a União Soviética cedo demais, os alemães teriam chances de vencer a II Guerra Mundial.

Vejam que Hitler e Himmler são rematados exemplos de refugos da humanidade que ascendem ao poder.

Qual a razão deste escrito? Primeiro, demonstrar que essa barbárie nazista nasceu de um partido dito socialista e dos trabalhadores.

As nomenclaturas e rótulos em nada importam. Penso que o único modo de se criarem sociedades e países civilizados e progressistas é através da boa formação intelectual das crianças, e que os líderes sejam aquelas pessoas que, na política de determinada nação, não sejam aqueles histéricos e refratários às ideias contrárias ou diferentes das suas.

Precisamos, no Brasil, não de rótulos de esquerda ou direita, mas sim de pessoas de boa índole, honestas e que pensem na evolução do país.

Hoje em dia, todos concordamos, as pessoas honestas têm vergonha de entrar na Política, dada a cara-de-pau e à orgia lamacenta que envolve as atividades partidárias.

Não temos nada disso no Brasil. Quando teremos? Alguém vê a luz no fim do túnel?

Eu não vejo sequer o túnel...



domingo, 8 de maio de 2016

A defesa ridícula de Dilma Roussef

A DEFESA RIDÍCULA DE DILMA ROUSSEF



Nesse agitado fim de governo de Dilma Roussef, que marcará o fim de uma roubalheira tão descarada quanto ignorante (sim, pois quem rouba tão descaradamente só pode ser burro), causa espanto a gritaria promovida pela atual e futura ex-Presidente da República e pelo seu dublê ministerial José Eduardo Cardozo, que, num sinal dos tempos bananísticos que o Brasil atravessa, saiu do Ministério da Justiça para a Advocacia Geral da União.

A síntese da defesa de Dilma Roussef, que não quer perder a boquinha da Presidência da República, boquinha essa da qual dependem outros petistas grudados em outras boquinhas, pode ser resumida no bordão “impeachment sem crime é golpe”.

Para tentar entender como eles estão desenvolvendo esse raciocínio defensivo da Presidente e seus asseclas, vou ter que comparar as ações de Dilma com as ações de um criminoso comum.

É certo e está demonstrado que Dilma Roussef, nos anos de 2013 e 2014, já operando para obter sucesso na sua reeleição, praticou as tais pedaladas, sangrando os bancos estatais para fazer parecer que tinha dinheiro em caixa e que o País era bem administrado.

Acontece que madame exagerou nos saques do “cheque especial” e a coisa degringolou e acabou se refletindo no ano de 2015, que são as pedaladas que agora retirarão essa incompetente da Presidência da República. Ela sacou tanto dinheiro sem tê-lo que a reposição aos bancos ficou impagável.

Mal comparando o crime de responsabilidade que são esses saques a descoberto com um crime comum, acho que Dilma Roussef será punida não pelo crime praticado, mas sim por um crime que cometeu no caminho (chamado iter criminis).

Vejam: quem comete um crime de homicídio por arma de fogo, antes de realizar seu intento assassino, cometeu o crime de porte ilegal de arma, não é?

O crime de porte ilegal de arma é menos grave que o crime de homicídio, por certo. Mas é crime!

A Presidente Dilma Roussef, antes de cometer o crime de desmontar a economia brasileira e infelicitar milhões de brasileiros (e brasileiras, como ela gosta de dizer...), agiu com vagar e intencionalmente praticando as pedaladas fiscais que acabaram lhe dando a vitória nas eleições e sua recondução ao cargo.

Faço um parêntese para dizer que esse planejamento minucioso do crime não condiz com o cérebro que ela demonstra ter em suas falas espantosas, como ao mencionar a mulher sapiens, a exaltação à mandioca e outras bobagens que tornam difícil imaginar como uma pessoa com seu nível intelectual chegou à Presidência da República.

Um outro crime praticado por ela, que foi a sua eleição bancada por dinheiro sujo, ainda demoraria a ser punido pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE), lentidão que tem que ser corrigida para o bem do Brasil.

Mas, como eu disse, nesse processo de impeachment ela vai, também, ser punida pelo “porte ilegal de arma”, ou seja, as pedaladas, que a entourage medíocre que cerca a Presidente jura não ser crime.

Já que estamos falando de comparações e raciocínios tortos, de nada adianta explicar isto aos adoradores lulodimistas. Porque, a exemplo do burro (estou falando do muar) que empaca ao cruzar uma ponte sobre um rio, eles responderão, gritando: “NÃO VAI TER GOLPE”.

Pobre Brasil...