ENCONTROS
CASUAIS E AMALUCADOS
Gosto muito de comparecer aos
meus compromissos, aqui na cidade de Maringá-PR, quando as
distâncias são razoáveis, caminhando. Dessa forma pedestre,
adiciono mais uma atividade física às minhas caminhadas matinais e
posso curtir a minha bela cidade natal, a chamada “Cidade Canção”.
Esse prazer é bastante
aumentado por ter morado, antes da aposentadoria e retorno às
origens, na cidade de Porto Velho, capital da minha querida Rondônia.
A capital rondoniense, lastimo informá-los, está andrajosa, acabada, aos
trapos.
Já foi uma cidade muito boa
mas, depois de oito (!) longuíssimos anos de uma administração
petista (será que se pode chamar de administração o que o PT fez
com cidades, estados e o próprio Brasil?), as ruas são esburacadas,
o trânsito é caótico e, para dizer pouco, o conjunto da urbe não
agrada.
Mas o assunto deste “causo”
não é este. Eu quero falar, agora, da fauna humana exótica que,
quando se olha bem de perto, é estranha para os padrões médios.
Meus dois encontros casuais
aconteceram com mulheres. Não, não acione o “pau-de-macarrão”,
querida esposa. Vou narrá-los.
Andava eu pela Avenida Brasil,
próximo ao centro de Maringá, quando ouvi alguém que parecia
conversar comigo. Mesmo incrédulo dessa hipótese, olhei para o lado
e confirmei. Uma mulher falava comigo.
- Você mora em Maringá? - perguntou ela, olhando para mim. Eu respondi que sim.
Com
a resposta afirmativa, ela emendou:
- Tem alguma agência do Bradesco nesta região? Ou só tem no centro da cidade?
Como,
a exemplo dos outros mortais comuns, eu não sabia a resposta, dado
que os 'Trabucos” do Bradesco não me perguntam onde devem instalar
agências do seu banco, enrolei.
Respondi
que achava que o Bradesco só tinha agência no centro, próximo ao
lugar onde estávamos. Assim, enquanto caminhávamos juntos, ela
firme do meu lado, começou a dar explicações para sua busca:
- É que eu tenho conta no Bradesco e no Itaú. Mas, a cada mês, eu deposito cento e cinquenta reais para gastar num desses bancos, e peço ao meu ex-marido para esconder o cartão do outro banco, senão eu gasto tudo...
- Acontece que eu sou bipolar, e se eu ficar com os cartões dos dois bancos, eu gasto demais... meu médico diz que eu sou completamente doida...
- Olha, eu vou entrar nessa loja aqui em frente e vou gastar. Depois eu vou no banco Bradesco, está bem?
Dito
isso, ela virou bruscamente e mudou de direção, enquanto eu, seu
confidente temporário, rumei para o comum da minha vida.
O
segundo encontro casual ocorreu no dia seguinte. Eu caminhava por uma
rua em direção à minha tortura semanal com meu fisioterapeuta
(tortura aplicada tanto com alongamentos doloridos quanto com piadas
infames...), quando, atravessando um sinal de trânsito aberto, este
se fechou bem no meio das pistas.
Notei
que, a meu lado, caminhava uma jovem mãe empurrando o carrinho com
seu bebê.
Vi
que ela, ao parar quando o sinal se fechou para nós, deixou boa
parte da dianteira do carrinho de bebê – junto com o dito bebê! -
avançada sobre a rua, muito perto dos carros que iriam arrancar
novamente depois da parada semafórica.
Preocupado,
eu lhe disse:
- Minha senhora, puxe esse carrinho um pouco para trás, é perigoso.
Ela
olhou para mim, puxou levemente o carrinho para trás e, vendo alguma
coisa desajustada na parte de baixo do bebemóvel,
deu-me o seu guardachuvas para segurar enquanto consertava a
suspensão do veículo.
Eu
ainda estava preocupado com a pequena distância que separava o
carrinho de bebê das rodas dos carros quando ela arrematou:
- É, esses carro é tudo louco, né?
Acho que o filho dela, se e
quando crescer, sobrevivendo aos passeios com a mamãe, vai concordar
comigo que não são apenas “os carro” que são “tudo louco”,
né??