segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Uai, sô!?!?

UAI, SÔ!?!!


Vou contar esse “causo” aqui porque, numa ocasião, fazendo brincadeira a respeito de “fazer as malas”, ou seja, o ato de colocar-se numa mala as roupas e demais acessórios para alguma viagem, fui surpreendido por uma intervenção inesperada e... muito engraçada.

Quando eu exercia o cargo de Corregedor-Geral do Ministério Público de Rondônia, houve um encontro nacional, a ser realizado na cidade de Belo Horizonte, entre todos os Corregedores e Procuradores-Gerais do país.

Eu viajei sozinho, mas o Procurador-Geral levou junto, na viagem, a sua esposa.

A viagem de avião, que deveria fazer uma escala em Brasília, teve um incidente assustador, daqueles que fazem nossas pernas bambearem.

Eu, sempre que vou embarcar para uma viagem aérea, procuro observar como está o céu. Se este apresenta-se azulzinho, sem nuvens, é um indicador bastante bom que o voo será tranquilo, sem as intimidadoras turbulências.

Quando embarcamos, vi que tínhamos o famoso “céu de brigadeiro” e fiquei tranquilo. Esse céu bonito esteve assim por todo o caminho até Brasília.

Tudo parecia absolutamente normal, e o piloto da aeronave anunciou pelo alto-falante que nosso pouso estava autorizado, mandando que a tripulação se assentasse e atasse os cintos de segurança.

Beleza, pensei. Repentinamente, num átimo de segundo, uma massa de água envolveu o avião, que deu uma balançada feia.

Olhei pela janela para ver o que estava acontecendo e, para minha surpresa, o céu azul fora-se embora, e nada se via, estando tudo na cor cinza.

Brasília desaparecera! Confesso que fui egoísta ao encher-me de medo com aquela situação. Por quê egoísta?

Se pensarmos bem, Brasília desaparecer, levando consigo toda aquela camarilha de políticos que passa o tempo todo pensando no nosso bem-estar e no progresso do Brasil, seria uma boa ideia, não é?

Mas voltemos à situação do nosso avião. Sem nada ver do lado de fora, tive uma pista do que acontecia, ao sentir o barulhão das turbinas com potência total e ver que a parte da frente da aeronave embicara para cima.

Em pouco tempo estávamos, novamente, naquele céu azul que faz a delícia dos viajantes do ar.

Inacreditavelmente o novo procedimento de pouso do enorme Airbus (A-320) foi tranquilo, sem turbulências e mostrando um céu e um sol maravilhosos.

Tivemos a explicação do que ocorrera quando, ao descer do avião, entramos no aeroporto de Brasília: o interior dele estava todo molhado, com poças d'água pelo chão. Fora uma rápida e intensa chuva que atrapalhara nosso pouso.

Como todo medroso que não foi flagrado por um grito fora de hora, comentei com meu colega e a esposa dele, com um ar blasé, que aquilo tudo fora absolutamente normal em viagens de avião. Mas estou fugindo do assunto que levou-me a contar esse “causo”. Voltemos a ele.

Já estando na capital mineira, saímos à noite para jantar e nos fartamos com a excelente culinária mineira. Ao retornar para o hotel em que estávamos hospedados, brinquei com a esposa do meu colega dizendo que, como eu não sabia “fazer malas”, era sempre a minha Zilda que o fazia por mim.

Aí, sempre naquele “papo cabeça” de fim de noite, lamentei pelo esquecimento de Zilda ao fazer minha mala: ela se esquecera de colocar um saquinho com pães de queijo, e que eu ia ficar sem minha guloseima preferida.

Quando eu acabara de dizer isso, veio o inesperado. O motorista do táxi, virando-se para mim e me olhando como se eu fosse o ET de Varginha, exclamou:

  • Uai, moço! Isso de pão de queijo tem demais da conta por aqui, sô!! Qualquer barzinho (na verdade ele disse “barzim”) em que o senhor for, vai achar pão de queijo!!!

O resto da viagem até o hotel foi uma agonia para mim, querendo segurar o riso. Agradeci educadamente ao motorista a informação.

Afinal, por que motivo os fabricantes não fazem modelos de malas que permitam levar um queijim, um pão de queijo ou até mesmo uma pinguinha?


Ou será que os mineiros não viajam?

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