UAI,
SÔ!?!!
Vou contar esse “causo”
aqui porque, numa ocasião, fazendo brincadeira a respeito de “fazer
as malas”, ou seja, o ato de colocar-se numa mala as roupas e
demais acessórios para alguma viagem, fui surpreendido por uma
intervenção inesperada e... muito engraçada.
Quando eu exercia o cargo de
Corregedor-Geral do Ministério Público de Rondônia, houve um
encontro nacional, a ser realizado na cidade de Belo Horizonte, entre
todos os Corregedores e Procuradores-Gerais do país.
Eu viajei sozinho, mas o
Procurador-Geral levou junto, na viagem, a sua esposa.
A viagem de avião, que deveria
fazer uma escala em Brasília, teve um incidente assustador, daqueles
que fazem nossas pernas bambearem.
Eu, sempre que vou embarcar
para uma viagem aérea, procuro observar como está o céu. Se este
apresenta-se azulzinho, sem nuvens, é um indicador bastante bom que
o voo será tranquilo, sem as intimidadoras turbulências.
Quando embarcamos, vi que
tínhamos o famoso “céu de brigadeiro” e fiquei tranquilo. Esse
céu bonito esteve assim por todo o caminho até Brasília.
Tudo parecia absolutamente
normal, e o piloto da aeronave anunciou pelo alto-falante que nosso
pouso estava autorizado, mandando que a tripulação se assentasse e
atasse os cintos de segurança.
Beleza, pensei. Repentinamente,
num átimo de segundo, uma massa de água envolveu o avião, que deu
uma balançada feia.
Olhei pela janela para ver o
que estava acontecendo e, para minha surpresa, o céu azul fora-se
embora, e nada se via, estando tudo na cor cinza.
Brasília desaparecera!
Confesso que fui egoísta ao encher-me de medo com aquela situação.
Por quê egoísta?
Se pensarmos bem, Brasília
desaparecer, levando consigo toda aquela camarilha de políticos que
passa o tempo todo pensando no nosso bem-estar e no progresso do
Brasil, seria uma boa ideia, não é?
Mas voltemos à situação do
nosso avião. Sem nada ver do lado de fora, tive uma pista do que
acontecia, ao sentir o barulhão das turbinas com potência total e
ver que a parte da frente da aeronave embicara para cima.
Em pouco tempo estávamos,
novamente, naquele céu azul que faz a delícia dos viajantes do ar.
Inacreditavelmente o novo
procedimento de pouso do enorme Airbus (A-320) foi tranquilo, sem
turbulências e mostrando um céu e um sol maravilhosos.
Tivemos a explicação do que
ocorrera quando, ao descer do avião, entramos no aeroporto de
Brasília: o interior dele estava todo molhado, com poças d'água
pelo chão. Fora uma rápida e intensa chuva que atrapalhara nosso
pouso.
Como todo medroso que não foi
flagrado por um grito fora de hora, comentei com meu colega e a
esposa dele, com um ar blasé,
que aquilo tudo fora absolutamente normal em viagens de avião. Mas
estou fugindo do assunto que levou-me a contar esse “causo”.
Voltemos a ele.
Já estando na capital mineira,
saímos à noite para jantar e nos fartamos com a excelente culinária
mineira. Ao retornar para o hotel em que estávamos hospedados,
brinquei com a esposa do meu colega dizendo que, como eu não sabia
“fazer malas”, era sempre a minha Zilda que o fazia por mim.
Aí, sempre naquele “papo
cabeça” de fim de noite, lamentei pelo esquecimento de Zilda ao
fazer minha mala: ela se esquecera de colocar um saquinho com pães
de queijo, e que eu ia ficar sem minha guloseima preferida.
Quando eu acabara de dizer
isso, veio o inesperado. O motorista do táxi, virando-se para mim e
me olhando como se eu fosse o ET de Varginha, exclamou:
- Uai, moço! Isso de pão de queijo tem demais da conta por aqui, sô!! Qualquer barzinho (na verdade ele disse “barzim”) em que o senhor for, vai achar pão de queijo!!!
O resto da viagem até o hotel
foi uma agonia para mim, querendo segurar o riso. Agradeci
educadamente ao motorista a informação.
Afinal, por que motivo os
fabricantes não fazem modelos de malas que permitam levar um
queijim, um pão de queijo ou até mesmo uma pinguinha?
Ou será que os mineiros não
viajam?
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