terça-feira, 22 de outubro de 2013

A Lei de Murphy ou...

A LEI DE MURPHY ou
TUDO QUE PODE DAR ERRADO, DÁ ERRADO...


Antes de iniciar este causo, vou falar um pouco sobre o cenário em que ele aconteceu. Guajará-Mirim, cognominada de Pérola do Mamoré, foi minha segunda comarca no estado de Rondônia e tornou-se um xodó para mim para a vida toda.

Guajará enfeita a margem brasileira do rio Mamoré, onde tem um movimentado porto fluvial. A Bolívia tem, por seu lado, bem defronte a Guajará, o porto fluvial da cidade de Guayaramerin.

O rio Mamoré é, com certeza, uma das maravilhas da natureza que se pode ver quando estamos em Guajará. Ele tem 1.900 kms e, em seu final, deságua no também grandioso rio Madeira.

Quem tem a felicidade de visitar Guajará pode embarcar em pequenos barcos ou nas catraias, que são embarcações de pequeno calado, bastante grandes para acomodar várias pessoas e navegar nas partes rasas dos rios.

Subindo o rio Mamoré por uns 6 kms, você encontrará a foz do rio Pacaás Novos, curso d'água de médio porte, belíssimo com suas águas límpidas, que refletem a mata das margens, num efeito visual maravilhoso.

Digno de ser visto nesse ponto é o encontro das águas do rio Pacaás Novos, azuis e límpidas, com as águas barrentas do rio Mamoré.

As águas dos dois rios ficam bem demarcadas, sem se misturarem, só consumando o casamento forçado, feito na foz, e tornando-se apenas uma, a barrenta, rio Mamoré abaixo.

Ao se navegar o Pacaás Novos (Pacaás, para os íntimos) acima, veem-se, no verão, praias branquíssimas, inúmeras espécies de pássaros e até jacarés de todos os tamanhos.

A maior praia disponível fica pouca coisa rio acima, quando se chega a um lugar chamado Três Bocas.

Quando já se está instalado numa dessas praias, tomando banho nas águas frias do Pacaás, de vez em quando acontecerá de aparecerem os botos cor-de-rosa, brincando indiferentes à invasão dos humanos.

Então, quando alguém falar das dificuldades de se viver em Guajará, com seu calorão e a péssima estrada que a liga à capital, Porto Velho (320 kms de pedaços de asfalto ligados por enormes buracos), não creia muito no chororô dele.

Eu já era Promotor na capital, mas nunca me desliguei de Guajará, visitando-a sempre que podia junto com minha família. Em Guajará, o visitante curtirá a natureza exuberante e a benfazeja e pródiga amizade da maioria dos seus habitantes.

Numa dessas visitas, e já estou chegando ao causo propriamente dito, combinei com meu amigo Valdir e sua bela Ida de fretarmos uma catraia para passar um dia nas praias do Pacaás.

Graças a inventividade do Valdir e à minha natural disposição para atividades de lazer (atenção, isso não é um auto-elogio), na catraia foi instalado um fogão a gás e uma churrasqueira, além de enormes caixas térmicas para fornecer-nos cerveja e refrigerantes gelados (mais cerveja, é óbvio).

O dia começou com um churrasco para abrir o apetite e terminou com uma bela caldeirada de tambaqui, um gostoso cozido do peixe com legumes e ovos.

Depois de muito desfrutar o banho nas águas deliciosas do Pacaás (como o blog também é cultura, alerto para o fato de que, nos rios da Amazônia, sempre se deve andar arrastando os pés, nunca pisando, para evitar a ferroada dolorosa das arraias), iniciamos o retorno a Guajará no final da tarde.

Os filhos de Valdir, um par de gêmeos, tão endiabrados que pareciam necessitar de um exorcista, subiram ao teto da catraia para ir apreciando a paisagem da viagem de volta.

Acontece que os dois tinham apenas sete ou oito anos de idade, e se entende a razão do título dado a este causo, ligando-o à famosa Lei de Murphy.

Logo depois que entramos nas águas caudalosas do rio Mamoré, escutamos um nítido “tchibuum!”, logo seguido do grito de um dos gêmeos avisando que o irmãozinho caíra do teto!

Valdir, ouvindo o barulho do mergulho do filho e o aviso do outro, incontinenti saltou da catraia para o rio.

O Mamoré é largo e, repito, muito caudaloso. Entramos todos numa espécie de catarse, temerosos das consequências daquele inesperado acidente.

O piloto da catraia rapidamente desligou a tração do barco, pronto para o que desse e viesse.

Para nosso alívio e felicidade, enquanto olhávamos para aquele mundão de água, pudemos ver o braço do Valdir acenando para nós com um braço.

Olhando melhor, pudemos ver que ele tinha, sob o outro braço, o filho “fujão”.

A memória me falha nos detalhes, devido à tensão daqueles momentos, pois só me lembro de que rapidamente embarcamos Valdir e o gêmeo aquático de volta.

O que sempre me vem à mente quando recordo tais acontecimentos, é a pequena distância que separa o final feliz da tragédia.

Conto este causo para fazer um alerta a todos, pois devemos procurar, em todas as nossas atividades, antecipar o que pode dar errado. Ou, trocando em miúdos, devemos ser cautelosos.

O criador dessa Lei de Murphy foi o capitão da Força Aérea dos EUA, Edward Murphy. Consta que ele quase foi a primeira vítima de sua lei.

Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida nos pilotos de aeronaves. Para medir esses efeitos, ele criou um equipamento que media os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos.

Aconteceu que um técnico foi designado para instalar o equipamento no avião, mas houve uma pane. Murphy foi chamado para consertar o equipamento que criara. Pois não é que o equipamento estava instalado de forma bastante equivocada?

Diante disso, Edward Murphy formulou sua lei, que dizia que “se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará



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