ESCRAVIDÃO
BRANCA
Para
explicar o título desta postagem, devo fazer um breve intróito. Eu
sempre me orgulhei do meu avô materno, o “seu” Antônio Barbosa,
um sujeito que, sempre por força de seu trabalho, construiu uma
vida, aí incluídos patrimônio, fama de honesto e uma bela família.
O
meu avô, nos fins dos anos 1940, morava no lugar chamado Varpa, no
Estado de São Paulo, que era parte do município de Tupã. Nas suas
proximidades, ficam destacadas as cidades de presença mais forte em
minhas lembranças de menino, ou seja, Paraguaçu Paulista e Assis.
A
localidade de Varpa foi o destino final dos letões (ou letos, como
se dizia por lá), cidadãos da Letônia, um país invadido pela
Rússia. Esses letões, impedidos de manter seus cultos religiosos e
costumes nacionais, tiveram que fugir dos bolchevistas, os malditos
comunistas. Vieram para o Brasil, Varpa.
Sabedor
do avanço da colonização nas matas profundas para os lados do
Paraná e Mato Grosso (na época havia apenas um estado, depois
dividido em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), meu avô desfez-se de
tudo que tinha (e era pouco) e comprou terras no Paraná e no Mato
Grosso.
Como
se dizia naquele tempo, juntou a “famiagem” (a família) e
mandou-se para o norte do Paraná, tendo chegado em Maringá lá por
1948, 1949...
As
terras que comprara ficavam no distrito de Água Boa, distante de
Maringá uns 30 quilômetros, com o detalhe que o trecho percorrido
era mata pura.
Para
pôr a terra comprada para produzir, meu avô montava em uma
bicicleta, com um machado preso na garupa, e pedalava (pedaladas
honradas, não essas dos petistas...) até o local, onde derrubava
árvores e fazia acontecer o sonho da terra própria, da sua fazenda.
Chegou
ao fim da vida bem de situação financeira, nada obstante a
incompetência dos governos militares que destruíram o valor da
moeda brasileira.
As terras compradas no Mato Grosso, muito distantes para se chegar de bicicleta, perderam-se na infinitude das matas indevassáveis, na época.
Agora
chego, enfim, ao ponto de falar do título postado, a “escravidão
branca”.
Dia
desses, conversando com um amigo meu, que já conta com seus 80 anos,
ele falou-me que sua família, imigrantes europeus, veio para o
Brasil na condição de escravos brancos.
Esses
imigrantes vieram para o Brasil após a decretação do fim da
escravidão negra em 1888. Vieram para trabalhar no lugar dos
escravos libertos, em condição de absolutamente explorados, com
parca remuneração e mal alimentados. Daí o termo escravidão
branca.
Venceram
a “escravidão branca” com muito trabalho e perseverança,
driblando as dificuldades de um Brasil quase selvagem.
Hoje
em dia, os descendentes desses “ex-escravos brancos” estão
perfeitamente adaptados à comunidade brasileira e ajudaram a fazer
crescer o nosso País.
Depois
de muito trabalho, poupança e coragem, essas pessoas são
hodiernamente atacadas em suas fazendolas e fazendas por invasores
industrializados e guiados pelo Movimento dos Sem Terra, o MST.
Esses
invasores industrializados, como eu disse acima, são moradores de
periferias urbanas que, sem nunca terem visto uma roça ou uma
enxada, são transformados pelo MST em “trabalhadores rurais sem
terra”.
Como
nos anos 1940, os bolcheviques daqui, como fizeram os russos na
Letônia, procuram expulsar os que vivem do seu trabalho, tirando-os
de suas terras e casas.
Não
passarão!