TÔ
FORA DESSA DE NERVOSISMO!
Este
causo ocorreu em Espigão do
Oeste, em Rondônia, cidade que, naqueles tempos, era também chamada
de Espingardão do Oeste,
por motivos óbvios.
Houve
uma época, naquela cidade e comarca, que se matava muito. Angelo,
Promotor de Justiça que lá trabalhava, dizia que ele tinha que
“fazer” tantos Júris,
tipo de julgamento que só ocorre quando é caso de crime de morte,
ou quase-morte (quase-morte
ocorre
quando o matador, por incompetência ou mira ruim, não consegue
matar a vítima), que ele ficava cansado.
Segundo
o Ângelo, os bandidos da região resolveram não estressar o
Promotor e, quando chegavam ao número de dez assassinatos, deixavam
as vítimas amarradas para aguardar a chegada do próximo mês.
Assim, não entupiam
a
Justiça e não cansavam tanto o Promotor.
Mas
o causo
que vou contar agora deu-se alguns anos mais tarde, quando já não
era mais necessário deixar as futuras vítima de assassinato
amarradas para não ultrapassar a quota mensal.
Um
novo Promotor de Justiça (hoje Desembargador) viajava de ônibus
para a cidade de Espigão do Oeste para trabalhar e, ao ver uma
irregularidade qualquer no transporte público, manifestou seu
desagrado para o motorista.
O
motorista, sabendo que tratava-se do novo Promotor da cidade, fez-lhe
uma pergunta inusitada:
- O que houve, Doutor? O senhor está nervoso?
Logo
após a pergunta do motorista os demais passageiros do ônibus
explodiram numa gargalhada, deixando o Promotor encafifado
com o fato.
Resolveu
levar a coisa numa
boa
e, após sua chegada na cidade, contou ao pessoal do Fórum o que
havia acontecido em sua viagem, bem como que não tinha entendido
nada sobre o que houvera.
A
explicação que lhe deram deixou-o estupefato (estupefato
é
ótimo).
Contaram
a ele que algum tempo antes ocorrera na cidade um fato escabroso e,
ao mesmo tempo, engraçado.
Um
casal de moradores da cidade de Espigão do Oeste estava fazendo uma
reforma em sua casa e, para isso, lá estavam alguns trabalhadores,
entre pedreiros, carpinteiros e pintores.
A
esposa precisou sair para ir ao centro da cidade para pagar contas e
fazer algumas compras, tendo o marido ficado em casa para “cuidar”
das obras.
Algum
tempo depois, quando a esposa voltou para casa, para sua surpresa,
flagrou uma cena dantesca!
Num
dos quartos da casa, ela surpreendeu o marido sendo sodomizado por um
dos trabalhadores (pelo jeito, o sujeito era multitarefas, não é?).
A
pobre mulher entrou em pânico com aquela situação e chamou a
Polícia, que logo veio atender a ocorrência.
O
pessoal do triângulo amoroso, ou seja, o marido, a esposa e o
trabalhador,
foi levado à Delegacia de Polícia.
Delegado
de Polícia vê e ouve cada coisa no seu trabalho, cada uma mais
cabeluda que a outra, que alguns nem as contam para as outras
pessoas, sob pena de ser tachado de mentiroso.
Diante
daquele acontecimento esquisito – para dizer pouco -, o Delegado
resolveu tomar o depoimento do marido.
Ao
perguntar o porquê daquele ato sexual extemporâneo e fora
da curva
(não é somente no Supremo Tribunal Federal – STF -, que se usa
essa expressão), o constrangido marido respondeu:
- Sabe como é, Doutor... eu fiquei sozinho em casa e foi me dando um nervoso e aconteceu tudo isso!
Por
um bom tempo naquela cidade e na região mais próxima, quando alguém
via uma pessoa brava, enfurecida com alguma coisa, logo perguntava:
- Que é isto?, rapaz, você está nervoso?
O
Promotor, diga-se, aceitou a brincadeira com ele feita no ônibus e
deixou de lado o assunto.
Até
porque, se ficasse bravo com o que lhe acontecera, sempre haveria um
gaiato para perguntar-lhe:
- Que é isso, Doutor, o senhor está nervoso?
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