ISSO
NÃO É MOLE NÃO.
A ocasião era formal. Os
convidados homens, de terno, e as mulheres todas bem vestidas.
Tratava-se de um jantar, oferecido por alta autoridade em Rondônia.
Estou sentado à mesa do
anfitrião com mais um casal, seis ao todo. O convidado que está à
minha mesa levanta-se a vai até a mesa principal para se servir,
retornando pouco depois. Ele é conhecido como Rubinho.
Após sentar-se, começa a
comer uma parte da salada que fora servida como entrada. Ele comenta
e pergunta, ao anfitrião:
- Mas que prato delicioso! O que é isso?
O anfitrião, satisfeito com o
elogio efusivo às suas escolhas para as comidas servidas no jantar,
responde:
- Bem, Rubinho, essa é uma salada de couve-flor, temperada com azeite de oliva e pimenta do reino.
Rubinho,
afoito, praticamente cospe a porção que tinha na boca, e exclama:
- Putz! Gente!, amanhã meu c_ vai amanhecer igualzinho a uma flor!!
Pois
é. Rubinho sofria de hemorroidas, doencinha que ataca o final do
reto e que, quando exposta à pimenta do reino, faz o seu ponto
final... digamos, desabrochar.
Anos
depois, quem veio a sofrer com essa doença, como diria meu avô
materno, disgramada,
fui eu.
Após
ter que ficar de molho várias vezes quando, inadvertidamente, numa
refeição, não notava a presença da tal piper
nigrum ou
angios trepadeira
e ingeria o alimento fatalmente contaminado, acabei cedendo aos
médicos.
Tomado
de uma coragem cívica, topei fazer a cirurgia para extirpar as
hemorroidas, conhecida como hemorroidectomia.
Como veem, o blog também pratica a cultura nos lugares menos nobres
do corpo humano.
O
sofrimento pós-operatório já é conhecido de todos aqueles que já
passaram pelo tratamento. Mas, como todas as coisas ruins passam, o
que me faz prever o final do governo petista, aquilo tudo passou.
Tempos
depois, um amigo que morava no mesmo condomínio que eu em Porto
Velho, o Fausto,
perguntou-me a respeito do “sufoco” que ele teria que aguentar,
pois o médico também receitou para ele a hemorroidectomia.
Acho
que fiz como todos fazem: disse a ele que era tranquilo, que o
sofrimento era pouco e que durava pouco tempo.
Os
dias se passaram e eu nem me lembrava mais da conversa que tivera com
o Fausto.
Num
final de tarde, chegando em casa de carro, ao voltar do trabalho,
vejo Fausto
caminhando com dificuldade pela rua do condomínio.
Ele
portava uma bengala e andava com as pernas abertas.
Inocentemente
e com uma falta de malícia fatal, parei meu carro junto a ele e
perguntei o que acontecera, pensando em um acidente por causa da
bengala.
Fausto
olhou para mim com fogo nos olhos, ventando pelas narinas, e
fulminou-me:
- Seu desgraçado! (na verdade, a palavra foi bem outra, relacionada à pessoa que nos dá à luz) Essa cirurgia não é moleza nada! Estou todo estourado aqui em baixo!
É
claro que não ri na frente dele. Mas, depois de chegar em casa...
Pimenta na couve flor dos outros é refresco
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