quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Macumbinha (i) legal

MACUMBINHA (I) LEGAL



Nos idos de 1985 quase nada havia para se fazer depois do trabalho em Guajará-Mirim, cidadezinha pacata que “cozinhava” às tardes no calorão típico da região amazônica.

O Juiz de Direito da vara criminal, Cássio, era jovem e solteiro. Eu, igualmente jovem e, por força da situação precária da minha ida para a Rondônia daqueles tempos, estava temporariamente solteiro. Minha esposa ainda se preparava para a “pequena” mudança de mais de 3.000 quilômetros.

Apenas a título de esclarecimento, Maringá dista de Porto Velho, a capital rondoniense, 2.850 Kms. A estrada de Porto Velho para Guajará-Mirim, ainda sem asfalto, se estendia por mais 320 Kms.

Mas, como eu dizia, o expediente no fórum era das 7 da manhã até as 13 horas. Então, de vez em quanto, pegávamos um carro para passear no entorno da mata que circundava Guajará-Mirim, onde a brisa mais fresca amenizava o forte calor.

Certo dia, Cássio e eu percorríamos a estradinha que ligava a cidade ao aeroporto local. Ao chegarmos a um trevo que desviava um ramal para o aeroporto, vimos – bem no meio do trevo! - um amontoado de coisas que lembrava um “trabalho” de macumba.

A curiosidade, somada ao desassombro da juventude, levou-nos a parar o veículo e chegarmos para perto do, digamos assim, pacote, para ver do que se tratava.

Estava tudo lá: a galinha preta, a garrafa de pinga, umas velas e outras bobagens associadas.

Já que se tratava de coisa do sobrenatural, nós dois, munidos do famoso “espírito de porco”, resolvemos examinar melhor o “trabalho”.

Ao pegarmos da galinha preta, vimos que, no seu interior, tinha um pequeno pedaço de papel...

Ao abrimos o pedaço de papel, ficamos estupefatos.

Lá, escrito à mão, estava o nome do Cássio, completinho, com sobrenome e tudo.

Depois de jogar a galinha preta no meio do mato (será que isso cancelou o “trabalho” contra o Cássio?), fomos embora, dando risadas pelo inusitado do ocorrido.

Nada entendo de assuntos sobrenaturais, mas afianço a vocês que nada aconteceu ao Cássio, pelo menos nos trinta anos que se seguiram ao aqui narrado.

O que você tem a dizer, Cássio?





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não conseguir comentar nas outras opções, faça-o como anônimo, identificando-se abaixo do texto. Esse feed-back é muito animador para mim.