MACUMBINHA
(I) LEGAL
Nos
idos de 1985 quase nada havia para se fazer depois do trabalho em Guajará-Mirim,
cidadezinha pacata que “cozinhava” às tardes no calorão típico
da região amazônica.
O
Juiz de Direito da vara criminal, Cássio, era jovem e solteiro. Eu,
igualmente jovem e, por força da situação precária da minha ida
para a Rondônia daqueles tempos, estava temporariamente solteiro.
Minha esposa ainda se preparava para a “pequena” mudança de mais
de 3.000 quilômetros.
Apenas
a título de esclarecimento, Maringá dista de Porto Velho, a capital
rondoniense, 2.850 Kms. A estrada de Porto Velho para Guajará-Mirim,
ainda sem asfalto, se estendia por mais 320 Kms.
Mas,
como eu dizia, o expediente no fórum era das 7 da manhã até as 13
horas. Então, de vez em quanto, pegávamos um carro para passear no
entorno da mata que circundava Guajará-Mirim, onde a brisa mais
fresca amenizava o forte calor.
Certo
dia, Cássio e eu percorríamos a estradinha que ligava a cidade ao
aeroporto local. Ao chegarmos a um trevo que desviava um ramal para o
aeroporto, vimos – bem no meio do trevo! - um amontoado de coisas
que lembrava um “trabalho” de macumba.
A
curiosidade, somada ao desassombro da juventude, levou-nos a parar o
veículo e chegarmos para perto do, digamos assim, pacote, para ver
do que se tratava.
Estava
tudo lá: a galinha preta, a garrafa de pinga, umas velas e outras
bobagens associadas.
Já
que se tratava de coisa do sobrenatural, nós dois, munidos do famoso
“espírito de porco”, resolvemos examinar melhor o “trabalho”.
Ao
pegarmos da galinha preta, vimos que, no seu interior, tinha um
pequeno pedaço de papel...
Ao
abrimos o pedaço de papel, ficamos estupefatos.
Lá,
escrito à mão, estava o nome do Cássio, completinho, com sobrenome
e tudo.
Depois
de jogar a galinha preta no meio do mato (será que isso cancelou
o
“trabalho” contra o Cássio?), fomos embora, dando risadas pelo
inusitado do ocorrido.
Nada
entendo de assuntos sobrenaturais, mas afianço a vocês que nada
aconteceu ao Cássio, pelo menos nos trinta anos que se seguiram ao
aqui narrado.
O
que você tem a dizer, Cássio?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Se você não conseguir comentar nas outras opções, faça-o como anônimo, identificando-se abaixo do texto. Esse feed-back é muito animador para mim.